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terça-feira, 31 de julho de 2007

Dica de Livro:

Visitas ilustres num encontro na RPPN Rio das Lontras: As biólogas Lenir Alda do Rosário e Tsugui Tomioka Nilsson.

Está escrito na apresentação do livro:

"...Há quase três séculos, o belo guará era tão abundante, que uma ilha recebeu a denominação Ilha dos Guarás. Os flamingos, que aqui habitavam, em suas revoadas deixavam o céu escarlate. Os anos passaram-se e as mais belas aves avistadas pelos colonizadores foram saindo de cena, assim como, seus ilustres naturalistas...
 



 
Hoje, em uma jornada solitária, porém respaldada pela extraordinária oportunidade e experiência ímpar de ter sido aluna de um dos ornitólogos mais brilhantes do Brasil - Helmut Sick, a bióloga catarinense Lenir Alda do Rosário, deixa a cada publicação numerosa contribuição para a história natural de Santa Catarina..."
 

Lenir em seu escritório

 
Os amantes de aves, profissionais ou amadores, vão se deliciar com o livro "As Aves Em Santa Catarina - Distribuição geográfica e meio ambiente", da bióloga e pesquisadora Lenir Alda do Rosário. Com belas ilustrações de Eduardo Parentoni Brettas e um acabamento luxuoso, é repleto de informações resultantes de 18 anos de pesquisas pelo Estado, realizados através da Fundação de Meio Ambiente desde 1978. São 596 espécies catalogadas, com mapas, textos e 166 ilustrações.

 
Outra obra de Lenir: "Um Outro Olhar da Via Expressa Sul"

Sem dúvida nenhuma, uma bela ferramenta de pesquisa e uma grande contribuição para a conservação do meio ambiente.
 


Atualmente Lenir participa juntamente com seus colegas da Fundação Estadual de Meio Ambiente do belo projeto do Corredor Ecológico Caminho das Águas, que atravessa o território Catarinense de norte a sul (clique nas imagens para melhor visualização)
Quer entrar em contato com a autora? Escreva para: leniralda@uol.com.br

Fotos: Arquivo pessoal.
Texto de apresentação do livro: Denize Alves Machado, bióloga - Dinâmica Projetos Ambientais.

Conhecendo as Lontras


Existem 13 espécies de lontras distribuídas em quase todos os continentes, exceto Austrália e Antártica. No Brasil ocorrem duas espécies: a que é conhecida como lontra (Lontra longicaudis) e a que é conhecida como ariranha (Pteronura brasiliensis).
Ainda há presença da lontra (Lontra longicaudis) em Santa Catarina, devido a ser um animal extremamente silencioso e não andar em grupos, ao contrário dos hábitos da ariranha.
A lontra é um majestoso animal que embeleza a paisagem ribeirinha, tendo infelizmente seu ecossistema cada vez mais reduzido pelo desmatamento, poluição dos rios e a conseqüente supressão do seu habitat.
Freqüenta rios, riachos, lagos e lagoas, de preferência onde existe vegetação marginal. Pode ser encontrada em estuários, manguezais e ambiente marinho. Passa boa parte do tempo dentro d'água. Vem para áreas secas para comer, dormir e reproduzir.
Mede de 89cm a 1,30m e pesa de 5 a 14kg. O macho é maior que a fêmea, sendo seu corpo alongado e as pernas curtas. Tem coloração geral marrom-pardacenta, quase preta e bastante brilhante quando molhada. O lado ventral, como também o focinho e a bochecha apresentam-se amarelados. São duas camadas de pêlos: a interna que é densa e macia e a externa formada por pêlos longos e ásperos. Possui também a presença de membranas interdigitais nas patas, caudas longas revestidas de pêlos e um pouco achatadas nas extremidades, facilitando a natação. O focinho não possui pêlos na ponta e tem grandes vibrissas (pêlos que crescem nas fossas nasais) que auxiliam na localização da presa embaixo d'água.
Uma importante variedade de espécies constitui sua alimentação: peixes, anfíbios, raízes de árvores, caranguejos e aves aquáticas. Além disso, regulam a população dos peixes, sendo essencial ao equilíbrio do ecossistema. Existem estudos que apontam que as lontras são animais oportunistas, ou seja, se alimentam principalmente daqueles indivíduos mais fáceis de serem capturados, alimentando-se dos animais mais fracos e doentes, impedindo que a enfermidade se espalhe para os demais.




Seus sentidos são muito aguçados, sendo que vêem e ouvem muito bem. Têm dentes muito fortes e afiados que servem para apanhar e cortar a carne de peixes e outros animais de que se alimenta.
Está apta para acasalar com 2 ou 3 anos de vida. Na época de reprodução, o casal passa a cavar uma toca nas barrancas dos cursos d'água. Os filhotes que nascem de 1 a 5, depois de um período de gestação de 60 a 65 dias; por um certo tempo são amamentados pela mãe, que passa a trazer mais tarde pequenos peixes até que consigam se alimentar por conta própria. Durante a reprodução o casal passa a fazer brincadeiras copulatórias, emitindo gritos característicos. Os filhotes quando assustados, também produzem um som muito fino parecido com um "choro de criança". Os filhotes e juvenis podem apresentar coloração um pouco diferente dos adultos.
Possui hábitos noturnos, ocasionalmente é observada ao entardecer, sendo este aspecto, somado a sua característica silenciosa, uma das causas de sua sobrevivência. Há muitos conflitos com caçadores que a procuram por causa do seu pelame que tem valor comercial ou para simples troféu de caça. Sofre também perseguição de pescadores sendo acusada de rasgar as redes de pesca e também de invadir os açudes.
Por esses fatores a lontra encontra-se ameaçada de extinção, justamente pela degradação de seu ambiente natural.
Esta espécie é ainda pouco estudada sendo a Educação Ambiental um importante instrumento e uma prioridade para a convivência do ser humano com o futuro desta importante espécie.
Vê-las é um privilégio reservado a muito pouca gente, sendo que é preciso buscar um local do rio onde haja resquícios de sua presença (restos de alimentos, como peixes e caranguejos, excrementos, tocas) e acomodar-se por no mínimo 1 hora, em silêncio e de forma discreta. Com sorte poderá ser visto uma Lontra ou mais, como já observamos na RPPN Rio das Lontras casais brincando na água e mesmo em estradas próximas a rios. A lontra é um indicativo de excelente saúde de um rio.


Assista, é impossível não se encantar com o vídeo:
http://br.youtube.com/watch?v=Gzbj8miA6PY

Escute o som das Lontras: http://www.bigwood.pwp.blueyonder.co.uk/media/sounds/WAVS/animals/OTTER.WAV

Fontes:
*A vida nos rios Galegos;
*Mamíferos de Santa Catarina/Ana Cimardi;

*Projeto Ecolontras/Ecoaprendi.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Temperaturas polares


Angelina abaixo de zero. Foto: Luis Bastos

A temperatura despencou nos últimos dias e, apesar do desconforto com tanto frio (Em Angelina fez -3,3° ontem), proporciona algumas cenas muito bonitas.

Acima vista parcial da escola onde Fernanda estuda e da Congregação das Irmãs Franciscanas, numa manhã de temperatura abaixo de zero e muita geada.
Abaixo, com os primeiros raios de sol uma bonita névoa sobe dos telhados das casas, numa visão da varanda de casa. Para visualizar melhor clique nas imagens.



Foto: Arquvo pessoal.


Veja matéria de hoje no Diário Catarinense:

SC abaixo de zero
As temperaturas negativas contribuíram para congelar lagos, cascatas e árvores em vários municípios da Serra Catarinense durante o final de semana, e a previsão é de frio continue hoje
PABLO GOMES/ Urupema


Não é exagero dizer que a Serra Catarinense congelou neste fim de semana. Em praticamente toda a região foram registradas temperaturas negativas, com o congelamento de lagos, árvores e cascatas. Como era previsto, a neve não ocorreu, mas a geada que se formou no começo da manhã deixou boa parte dos campos cobertos de branco. Ganharam os turistas, que tiveram o privilégio de conferir de perto as belas paisagens.
Ontem, a menor temperatura oficial do Estado, de -5,6ºC, foi registrada em Lages pelo Centro de Informações de Recursos Ambientais e Hidrometeorologia da Epagri (Ciram). Neste patamar, ficaram São Joaquim, com -5,4ºC, e Caçador, com -5ºC. Os índices negativos ocorreram ainda em municípios do Meio-Oeste, Oeste e até da Grande Florianópolis. Na cidade de Angelina, por exemplo, chegou a - 3,3ºC. O frio também foi sentido em Urupema. A temperatura alcançou os -5ºC, , durante a madrugada, o termômetro da Praça Manoel Pinto, no Centro, chegou a marcar -8ºC (temperatura não-oficial).O município com cerca de 2,5 mil habitantes, amanheceu gelado. No Morro das Torres, a 1.750 metros de altitude, o que se viu foram quedas dágua, lagos e pequenas árvores em forma de gelo.Residente em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, a dona de casa Carmem Terezinha Matheussi, de 42 anos, parecia uma criança ao brincar aos pés de uma cascata na subida do morro. Para ela, poder tocar em galhos e troncos congelados naturalmente foi um privilégio.Parente de Carmem, a também dona de casa, Ana Cláudia Andrade, de 29 anos, divertia-se ao ver o filho, o pequeno Mateus Andrade da Silva, de 2 anos chupar um pedaço de gelo como se fosse picolé. Natural de Prata (MG) e moradora de Rio do Sul há 10 anos, Ana foi à Serra Catarinense pela primeira vez. Apaixonou-se pelo que viu e pelo frio que sentiu.Pelo menos até o meio da semana, a massa de ar frio e seco deve continuar atuando sobre Santa Catarina, mantendo o tempo estável e com poucas nuvens em todas as regiões. Hoje e amanhã ainda devem ser registradas temperaturas próximas a 0ºC e até negativas em municípios da Serra e Meio-Oeste.

Temperaturas mínimas registradas ontem:
Abdon Batista: -4,0
Angelina: -3,3
Caçador: -5,0
Campos Novos: -4,0
Chapecó: -1,6
Concórdia: -2,7
Florianópolis: 2,5
Indaial: 3,0
Lages: -5,6
Navegantes: 3,0
São Francisco do Sul: 2,5
São Joaquim: -5,4
São Miguel d ' Oeste: -1,2
Timbé do Sul: 1,6
Urussanga: 1,6

Um belo passeio

Foto do museu de arqueologia de Lomba Alta, construção toda feita com Araucárias apreendidas pelo Ibama.
Sem dúvida um belo passeio: A idéia inicial era apenas almoçarmos num restaurante pesque-pague no qual tínhamos boas indicações. Saímos de Angelina rumo a cidade de Alfredo Wagner, distante pouco mais de 60 km de casa, em um dia absolutamente lindo, de céu extremamente azul, sem uma única nuvem e um friozinho gostoso. Estrada boa e com uma vista maravilhosa da Serra Geral. Em torno de uma hora depois estávamos apreciando uma bela refeição em um local muito agradável. De quebra vimos a seleção brasileira de futebol feminino golear os Estados Unidos por 5x0 e ganharem a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos.

Satisfeitos fomos então dar uma "esticada" até o Museu de Arqueologia de Lomba Alta, 13 km do centro de Alfredo Wagner.


A cidade: Povoada principalmente por descendentes de Alemães, Alfredo Wagner tem menos de 10 mil habitantes e sua principal atividade econômica é a agricultura familiar. Repleta de morros e vales, recebeu recentemente o título de "Capital das Nascentes", que são abundantes na região.

Imagem Web.

Antes da colonização a região era habitada por pelo menos quatro tribos diferentes de indíginas: Tradição Humaitá, Tradição Umbú, Tradição Taquara e Xoklengs. Milhares de artefatos já foram encontrados e cerca de duas mil peças estão no Museu de Arqueologia de Lomba Alta, criado em 2002 pela Fundação Alfredo Henrique Wagner, instalado numa linda réplica da casa do patrono do município, toda feita com Araucárias, madeira apreendidas pelo Ibama.


A idéia da Fundação é ainda instalar um observatório astronômico, Museu de paleontologia, geologia e ecologia, reflorestamento de árvores nativas, em especial recompor a floresta de "Araucária angustifolia".

Imagens do Acervo:











Imagens da viagem:







Fotos: Claudio Teixeira

Logo Alfredo Wagner terá sua primeira RPPN:
Contemplado no Programa de Incentivo às RPPN, Irimar José da Silva, Presidente do Sindicato de Agricultores de Alfredo Wagner, está criando uma RPPN em parte de sua propriedade. Tomara possa motivar outros proprietários da região a seguirem o exemplo e ajudarem a preservar o meio ambiente dessa bela região.


Foto: Irimar José da Silva

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Impressões da natureza

Um fruto estranho encontrado no meio da mata. Exótico, causou enorme curiosidade entre nós.
Dois apêndices e pequenos espinhos em seu corpo. Fomos pesquisar.
Algumas consultas a especialistas e alguns e-mails depois...
...e o competente botânico Harri Lorenzi desvendou o enigma: Trata-se de uma Ibicella lutea, considerada uma "planta carnívora não típica" (Veja mais informações abaixo).




Lorenzii é catarinense, Engenheiro Florestal, pesquisador e autor, entre outras obras, do belo livro "Árvores Brasileiras", uma ótima fonte de identificação da flora e uma ferramente importante para proprietários de RPPN e amantes de árvores. Ele também é consultor do programa "Um Pé de Quê?", com Regina Casé.



IBICELLA (Martyniaceae)
Tanto o gênero Ibicella quanto Proboscidea contêm espécies cujas plantas são totalmente cobertas por milhões de pêlos glandulares colantes. Montes de insetos diminutos são aprisionados nas folhas da I. lutea.
Mesmo assim, é quase certo que nenhum dos membros desta família digere suas presas por meio de enzimas digestivas, ou seja, seus pêlos glandulares são utilizados para proteção ou outros propósitos não-carnívoros.
Essas plantas herbáceas são de aparência normal. Indivíduos de maior tamanho bem lembram pequenas abóboras.
A característica que mais impressiona nessa família são seus frutos: possuem dois longos apêndices nas pontas que mais parecem "garras", provavelmente destinados a se prender em animais, e assim, serem transportadas para longe, espalhando as sementes.

CULTIVO
As espécies da família Martyniaceae podem ser cultivadas em solo normal, ao invés do solo desprovido de nutrientes que é típico entre as plantas carnívoras. Deve-se manter o solo de meio úmido a seco. As plantas devem ser cultivadas sob luz solar direta.

Fonte: USP - Imagens: web - Fotos: Arquivo pessoal.

Reportagens de jornais.

A RPPN Rio das Lontras foi oficialmente criada em 03 de abril de 2005.

A data que usamos para seu "nascimento" foi a publicação no Diário Oficial da União da Portaria Nº 34 instituindo a 25ª RPPN de Santa Catarina, uma das 10 únicas criadas no país naquele ano, a mais recente até o presente momento. Desde então algumas matérias foram publicadas na mídia. Abaixo algumas delas:








quarta-feira, 18 de julho de 2007

As cidades da RPPN Rio das Lontras

Cachoeira na RPPN Rio das Lontras, que fica na divisa entre as cidades de São Pedro de Alcântara e Águas Mornas.

Quando resolvemos vender nossa casa em Floripa e adquirirmos um pedaço de Mata Atlântica para preservarmos veio a pergunta: Onde?
E começamos a trabalhar uma equação muitas vezes difícil de se fechar: O local deveria ser o mais isento possível das ações humanas e ao mesmo tempo próximo de uma cidade base para morarmos. Visitamos alguns lugares em busca de áreas com boa condutividade de florestas e que ainda tivesse uma pequena cidade com a infraestrutura necessária para vivermos: escola para a Fernanda, comércio básico, telefone, internet, segurança, tranqüilidade, enfim, qualidade de vida. Conhecemos locais muito lindos, nada mais longe do que 100 km de Florianópolis: Anitápolis, Rancho Queimado, Santo Amaro da Imperatriz, Antonio Carlos... E um dia soubemos de um terreno na divisa entre São Pedro de Alcântara e Águas Mornas, informaram "muito bom de água e mata", mas "muito longe"! Fechamos negócio no mesmo dia que conhecemos a área. Nem bem tínhamos chegado no local e nem foi preciso falar nada, ao nos olharmos sabíamos a resposta: "É aqui!".

Mapa mostra a região da Grande Florianópolis. Em verde a RPPN Rio das Lontras.

Imagem do Google Earth mostra a boa condutividade de florestas. No centro a RPPN Rio das Lontras e as cidades de São Pedro de Alcântara, Águas Mornas e Angelina.

São Pedro de Alcântara:

É conhecida como a "Primeira Colônia Alemã de Santa Catarina". Distante 31 km da Capital Florianópolis, tem população de 3700 pessoas, é uma cidade bucólica, de relevo acidentado nos seus 140,6 Km² e com mais de 68% de sua área em cobertura arbórea. Seu clima é o mesotérmico úmido, com temperatura média entre 15°C e 25°C.
Turismo: A cidade tem na exuberância da sua vegetação, na topografia acidentada, nas colinas, cachoeiras e cascatas seus maiores atrativos turísticos. Visite os engenhos de cachaça e de farinha movidos por roda d'água, as cascatas e as comunidades rurais. No centro da cidade, a Igreja Matriz, inaugurada em 1930, durante as festividades do centenário da cidade, é uma construção suntuosa e arrojada, com linhas arquitetônicas ecléticas. Conheça também os casarões dos tempos coloniais e o templo de Santa Bárbara. Destaque para as cachoeiras da Invernada, Altona, Varginha e do Salto.
Natureza: Extremamente bucólica e situada numa região de grande beleza natural, é uma excelente opção para os observadores de pássaros, apreciadores de orquídeas, de bromélias e de outras espécies vegetais. A grande dica é passear pelas estradinhas rurais e observar os campos, as cachoeiras, os riachos e as casas dos colonos, sempre bem-cuidadas e ajardinadas.
Festas populares: São Pedro de Alcântara realiza diversas festas ao longo do ano. Destaque para a Festa do Colono e do Motorista, no mês de julho; a Festa do Recheio e do Padroeiro, em outubro; a Festa na Comunidade Rural do Barro Branco, no primeiro domingo de maio, e a Festa na Comunidade Rural de Santa Filomena, no segundo domingo de agosto.
Infra-estrutura turística: Não existe hotéis na zona urbana, mas há algumas propriedades rurais que exploram o turismo rural.


Águas Mornas:

Águas Mornas começou a ser colonizada em 1847, por colonos alemães que aportaram na Ilha de Nossa Senhora do Desterro. Os 164 imigrantes católicos e evangélicos instalaram-se na Colônia Santa Isabel, na área ocupada hoje pelos municípios de Águas Mornas e de Rancho Queimado (conhecida como "capital nacional do morango") e encontraram grande dificuldade em trabalhar nos solos pouco férteis. Além disso, surtos de malária dizimaram boa parte da população. Apesar das dificuldades, a colonização avançou e a cidade se transformou numa das mais famosas estâncias hidrominerais do mundo – atrás apenas de Vichy e Aux-Les Thermes, na França.
Turismo: Como a própria denominação indica, o nome “Águas Mornas” vem das águas termais abundantes no lugar. A cidade tem seu desenvolvimento estruturado no turismo de saúde, recebendo anualmente milhares de visitantes de todos os pontos do Brasil, que vêm em busca da qualidade terapêutica de suas águas.
Águas Termais: As águas do município são classificadas como esotermais radioativas. Com temperatura constante em torno de 39ºC, as águas emergem de terrenos pré-cambrianos e, pelo teor de radioatividade, termalidade e baixa mineralização, apresentam propriedades curativas que as qualificam entre as melhores do mundo.
Natureza: Situada na encosta da Serra do Tabuleiro, a localidade de Rio dos Porcos, a 900m de altitude, é o ambiente ideal para turismo de aventura, com uma estrada sinuosa e íngreme, de difícil acesso. Vale também visitar o Recanto da Garganta – um sítio em plena Mata Atlântica, na localidade de Rio Novo, a 30km do centro –, a Wasserplatz, uma queda d’água situada na Fazenda Sacramento, a 05km da cidade – e o Salto do Rio Vermelho, um passeio ecológico com belíssimas cascatas, ao pé da Serra do Tabuleiro, a 07km do centro.
Patrimônio Histórico: Águas Mornas tem sua História preservada em três colônias alemãs – Vargem Grande, Santa Isabel e Teresópolis –, que mantêm construções remanescentes da época da colonização.
Cultura: Conheça a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, na localidade de Vargem Grande, às margens da BR-282, a 05km do centro de Águas Mornas. Também vale experimentar os produtos caseiros e coloniais fabricados na cidade: doces, geléias, embutidos, conservas...
Infra-estrutura turística: Pequeno, mas bem estruturado, o perímetro urbano da cidade está preparado para receber o grande número de turistas que chega em busca de alívio para seus problemas de saúde nas águas mornas da cidade.
Destaque: As águas termais de Águas Mornas são classificadas entre as melhores do mundo, perdendo apenas para as de Vichy e Aux-Les Thermes, na França. Elas jorram, à temperatura de 39ºC, em diversos pontos da cidade.

Fonte: Governo do Estado de Santa Catarina.

Imagem do Google Earth mostra onde moramos em Angelina e uma linha virtual aponta até a RPPN Rio das Lontras. Ao fundo a Ilha de Santa Catarina: Floripa.

Lendas que povoam o imaginário:

Duas lendas interessantes contadas pelos colonos da região são preservadas de forma oral e possuem características didáticas: Uma delas é contada insistentemente para as crianças, a triste história de uma moça que foi atravessar o rio e num trágico descuido levou um escorregão e acabou morrendo nas cachoeiras, sendo encontrada somente dias e dias após o acidente. Há, até hoje, quem jure ter visto uma loira de vestido branco nas margens do rio. E assim, contando esse causo, eles evitam que os pequenos brinquem em locais perigosos.
A outra tradição popular trata da divisa entre os terrenos, na sua maioria demarcados com pequenas pedras em limites centenários e muito bem respeitados. E não é por menos: Reza a lenda que quem ousar mudar uma pedra de seu devido local, será atormentado pela alma dos antigos moradores que fizeram o trabalho. E com isso, ninguém brinca!

domingo, 15 de julho de 2007

Dica de Livro:

Foto: Zé Paiva
Segue aqui uma dica de livro que vai enriquecer muito a biblioteca de todo amante da natureza:

Expedição Natureza - Santa Catarina
Texto de Adriana Dias e fotografia de Zé Paiva
Editora Letras Contempôraneas, 144 páginas.


Repleto de belas e poéticas imagens o livro é dividido em capítulos onde são focados o litoral, o extremo sul do estado, a Serra Geral e Oeste, o norte e Vale do Itajaí e o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, a maior unidade de conservação de Santa Catarina.


Zé Paiva iniciou sua carreira no jornal O Globo e Zero Hora em Porto Alegre. Mora em Florianópolis desde 1985. Já realizou exposições em diversas capitais do país e recebeu diversos prêmios. Nas horas vagas pega ondas nas praias da Ilha de Santa Catarina.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Fusca 59.


Dados mostram que consumimos atualmente mais de 20% da capacidade de reposição do planeta. É como uma pessoa gastar mais do que tem, se endividar e ficar sem crédito, falir! No nosso caso, caminhamos para o esgotamento dos recursos hídricos, para a ocupação das áreas de florestas, das extinções em massa, do acumulo de lixo, da emissão de gases que provocam o efeito estufa, o aumento da pobreza e desigualdade social.

Os relatórios da ONU mostram que se todos os habitantes do mundo tivessem o padrão de consumo das populações dos países industrializados, precisaríamos de mais três planetas para suprir essas “necessidades”. E atualmente 840 milhões de pessoas passam fome todos os dias! No Brasil 50 milhões de indivíduos estão abaixo da linha de pobreza. Enquanto isso, as três pessoas mais ricas do mundo, possuem ativos equivalentes a toda produção dos 48 países mais pobres juntos onde vivem 600 milhões de pessoas!

E a preocupação aumenta quando vemos que, no ritmo atual de crescimento, teremos cerca de 3 bilhões de pessoas a mais para dividirem a Terra, a maioria absoluta nas nações mais pobres.
É evidente que tudo isso é insustentável e que toda a sociedade precisa refletir sobre o assunto e exigir políticas públicas compatíveis com a realidade e que devemos mudar radicalmente nossos hábitos de consumo.


O que vemos nos meios de comunicação é uma profusão de publicidade e de imposição de hábitos que levam a população ao que costumamos chamar de “mentalidade de rebanho”: o novo celular, as inovações tecnológicas diárias, o desperdício de alimentos, o consumo frenético das fontes de energia, de papel, plásticos, bugigangas de todos os tipos e espécies, a falta de consciência no trato do lixo, do comportamento, o uso de veículos de uma ou duas toneladas para transportar um único indivíduo...

E andando pelas áreas rurais de Santa Catarina encontramos, bem pertinho de casa, um sítio onde moram duas simpáticas irmãs, filhas de Alemães e que levam uma vida com simplicidade e ainda assim com muita qualidade. Longe, muito longe de darmos exemplos de qualquer coisa, mas fica aqui um registro dos mais interessantes: Dona Cecília e dona Matilde possuem a quase meio século o mesmo automóvel e ainda o usam para irem até a cidade, na missa, às compras. Numa época em que a regra é desejamos ter o carro mais atual possível, é uma mostra que a história pode ser diferente. E mais simples!
O Fusca é um modelo 1959 e foi fabricado na Alemanha.


O Fusca é um modelo 1959 e foi fabricado na Alemanha.



Detalhe da charmosa lanterna traseira.


Detalhe: uma haste que sai para fora e pisca quando a seta é acionada.


Interior muito bem conservado.


Impressiona a conservação do carro.


Detalhe do brasão no capô.


Elas contam uma única mudança significativa no Fusca: A janelinha traseira foi modificada.


Muitas histórias de vida para se ouvir.


Aqui Cecília e Matilde posam ao lado do carro que está com elas a quase meio século.


Importante: Não adianta vir nenhum colecionador querer comprar o carro, elas já tiveram inúmeras propostas, inclusive de automóvel zero km. Isso é o que menos importa para elas.
Que legal! :)

Fotos: Fernando José Pimentel Teixeira / Arquivo pessoal. 
Imagem terra: Web.