domingo, 29 de março de 2009

PLANO DE MANEJO - MASTOFAUNA

A bióloga blumenauense Cintia Gruener foi a responsável-técnica pelo recém aprovado Plano de Manejo do Parque Nacional da Serra do Itajaí e se encarregou da pesquisa da mastofauna (mamíferos) do Plano de Manejo da RPPN Rio das Lontras - aqui com seu pai Jorge Paulo Gruener, que auxiliou nos trabalhos de campo como cozinheiro da equipe. Ao fundo a RPPN Rio das Lontras.

Para o diagnóstico dos mamíferos de médio e grande porte da RPPN foram utilizadas metodologias diferenciadas como: entrevistas com moradores da região, observações diretas e de vestígios e uso de armadilhas fotográficas - como a da foto, uma das três emprestadas gentilmente pela empresa TIGRINUS EQUIPAMENTOS PARA PESQUISA.

Outras três foram cedidas gentilmente pelo Parque Nacional da Serra do Itajaí, em outra cooperação-técnica com o Plano de Manejo da RPPN Rio das Lontras. São equipamentos de geração mais nova da TIGRINUS.

Também foi instalado pela produtora Plural Filmes uma armadilha videográfica com a tecnologia da TIGRINUS.

Aqui Ralf Tambke acerta os detalhes do equipamento.

A visão da armadilha fotográfica. O que será que passará por aqui nos próximos dias?

Alguém chegou...

Sem dúvida nenhuma, um belo animal!

É um Guaxinim (Procyon cancrivorus). Também popularmente conhecido como "mão-pelada".

Hábito curioso desse mamífero, é o fato de quase sempre lavar o alimento antes de comê-lo.

Aqui o reflexo dos olhos causou um efeito curioso na imagem.

E lá vai ele.

Aqui um pequeno mamífero foi o suficiente para disparar a armadilha fotográfica, mostrando a eficiência do equipamento da TIGRINUS.

No detalhe, na imagem aumentada, vemos tratar-se de um pequenino roedor.

Aqui uma Cutia (Dazyprocta azarae).

Tem maior atividade durante as horas crepusculares...

Apesar de poder ser vista durante o dia em regiões onde não sofre perseguições.

De hábito herbívoro, gosta de comer frutos, sementes e vegetais suculentos .


A Cutia, como também a Paca, o Esquilo, o Ouriço-Cacheiro e outras espécies de roedores são disseminadores de sementes na floresta.

Este mamífero ainda é muito perseguido pelo homem, por causa do sabor de sua carne, tornando-se mais raro no estado de Santa Catarina.


Aqui a imagem de um animal que precisou ser melhor observado para a correta identificação;


Trata-se de um tímido esquilo (Sciurus aestuans), "sentado" e de costas para a câmera. No detalhe sua vistosa cauda.

OUTRAS IMAGENS OBTIDAS DURANTE AS PESQUISAS:

Mão-pelada (Procyon cancrivorus)

Nesse flagrante em meio a mata, um Tatu.

A imagem no detalhe.

Mais um Tatu-galinha.

Saracura-do-mato.

Pegadas de capivaras.

* Agradecimentos/pesquisa: Biólogo Marcos Tortato/Ana Verônica Cimardi (Mamíferos de Sana Catarina).

Plano de Manejo da RPPN Rio das Lontras:

Apoio:
Programa de Incentivo às RPPN da Mata Atlântica

Cooperação-técnica:
PROSUL
Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI,
Parque Nacional da Serra do Itajaí
TIGRINUS Equipamentos para Pesquisa

*Fotos: Fernando José Pimentel Teixeira/arquivo RPPN Rio das Lontras

*O Plano de Manejo é um documento técnico que, usando como base os objetivos gerais de uma Unidade de Conservação, estabelece o seu zoneamento e as normas que devem nortear e regular o uso que se faz da área e o manejo dos recursos naturais, inclusive a implementação das estruturas físicas necessárias à gestão da área protegida.



PLANO DE MANEJO - OFICINA PARTICIPATIVA

Os trabalhos entram em sua fase final: Nos dias 26 e 27 de março de 2009 foi realizada a Oficina Participativa do Plano de Manejo da RPPN Rio das Lontras.

O encontro foi feito no simpático Hotel Blumengarten Haus, em Angelina, SC, cidade onde moramos.

Nada mais apropriado como a simplicidade Franciscana.

A Congregação das Irmãs Franciscanas de São José é quem administra o Blumengarten Haus. Ao fundo a beleza da Mata Atlântica emoldurando o encontro.

A primeira apresentação foi do Engenheiro Florestal Eduardo Brogni, de Brusque.

Foi o responsável pelo Inventário Florístico e Florestal da RPPN Rio das Lontras;

Ele fez uma bela apresentação sobre os resultados obtidos, enaltecendo que a área estudada passa por uma grande e interessante fase de transição e que merece acompanhamento futuro;

Mostrou dados muito interessantes sobre a floresta, atraindo a atenção dos participantes...

... como da Sandra Eliane e dona Geni Hack Cardozo (em primeiro plano), integrantes do Movimento Rio Cubatão Sul Vivo, bacia hidrográfica onde a RPPN Rio das Lontras está inserida.

A próxima apresentação foi da bióloga Gislaine Otto, de Curitiba, Paraná. Ela expôs os resultados dos estudos da Ictiofauna (peixes), trabalho realizado com o também biólogo paranaense Amaraldo Picolli.

Foram apresentados dados sobre os peixes da Mata Atlântica e o perigo que eles correm com a construção de barragens - como as que estão previstas nos rios da região para a geração de energia...

... e os efeitos das atividades humanas nessa região que podem até mesmo levar algumas espécies à sua extinção. Este fato torna ainda mais importante a preservação de áreas ainda íntegras e a criação de programas de recuperação das regiões mais impactadas.

Foi mostrado também os métodos de captura empregados, como as redes e basicamente o da eletropesca, pois apresenta grande eficiência e baixa seletividade para coletas em riachos como os encontrados na área da RPPN.

Em seguida a bióloga Fabiana Dallacorte - que também foi a mediadora da Oficina - mostrou os estudos da herpetofauna (anfíbios), que são considerados grandes indicadores ambientais. A Mata Atlântica concentra 470 espécies de répteis do Brasil, sendo 197 exclusivas, o que equivale a 42% de todas as espécies conhecidas no país.

A bióloga Cintia Gruener, de Blumenau, é a responsável-técnica do Plano de Manejo do Parque Nacional da Serra do Itajaí e apresentou os estudos da mastofauna (mamíferos) da RPPN Rio das Lontras.

Enalteceu que "diante do quadro de degradação ambiental do Estado de Santa Catarina, todo e qualquer remanescente é imprescindível, de valor inestimável e refúgio único da biodiversidade. A RPPN Rio das Lontras, pelos ecossistemas que abriga, pelas espécies já encontradas e ainda por aquelas que podem ser registradas, reveste‐se de importância para as atuais e futuras gerações de todas as espécies".

Os participantes ficaram sempre atentos aos dados apresentados.

Adrian Eisen Rupp, de Pomerode, é o biólogo que efetuou as pesquisas da Avifauna (aves) na RPPN Rio das Lontras.

Além das espécies com certo grau de ameaça, as pesquisas mencionam a presença de 45 espécies endêmicas da Floresta Atlântica - ou seja, que só ocorrem nesse bioma - das 133 espécies identificadas Na RPPN Rio das Lontras.

Dados apresentados mostram a importância da conservação ambiental na região da RPPN.

E demonstra que a avifauna da RPPN Rio das Lontras recebe uma série de ameaças em decorrência de atividades humanas: desmatamento em áreas vizinhas, causando a fragmentação e perda de conectividade com áreas importantes para a conservação da avifana, como o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e o Parque Nacional da Serra do Itajaí; a construção de várias Pequenas Centrais Hidrelétricas na região e a caça e a captura de aves.

Lista das espécies de Interesse Conservacionista e Registro Relevantes;

E ao menos duas espécies sem registro no Parque Nacional da Serra do Tabuleiro, a maior Unidade de Conservação de Santa Catarina e próximo à RPPN Rio das Lontras.

Foram mostradas algumas imagens para ilustrar o estudo. Aqui o Phyllomyias burmeiteri (piolhinho-chiador) que conta com apenas três registros para Santa Catarina no livro As Aves em Santa Catarina, de Lenir Alda do Rosário e que teve seu canto registrado na RPPN Rio das Lontras. Foto: M. A. G. Azevedo.

Outra espécie que mereceu destaque foi a Myiopagis caniceps (guaracava-cinzenta). Foto: G. T. Silva.

Segundo o estudo a execução de obras como as Pequenas Centrais Hidrelétricas afetará drasticamente o habitat de espécies que vivem em ambientes mais preservados.

Os ouvintes batem palmas no final da apresentação do biólogo.

Logo, a Consultora Ambiental Isolete Dozol, coordenadora da equipe da PROSUL, com sede em Florianópolis, apresentou os resultados das pesquisas sócio-econômicas realizadas especificamente para o Plano de Manejo da RPPN Rio das Lontras.

A Analista Ambiental Célia Lontra, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (esquerda) e a bióloga Mariana Machado, representante da Aliança para a Conservação da Mata Atlântica, compenetradas nas apresentações.

O evento foi realizado em um local tranquilo e belo, muito propício aos objetivos da Oficina.

A PROSUL levou uma grande equipe multidisciplinar e que em muito enriqueceu o resultado das pesquisas.

Aqui, da esquerda para a direita: Fabrício Stadinik, Turismólogo; Fabiana Heidrich, bióloga e Ricardo Brotto, Engenheiro Sanitarista Ambiental - todos profissionais da PROSUL.

Parceria-técnica que - segundo Célia Lontra, do ICMBIO - é inédita e merece destaque.

Humberto Alves da Silva é geólogo da PROSUL e mostrou alternativas ecológicas para recuperação de áreas com processos erosivos;

Métodos bem interessantes e que evitam o uso de concretagem e impermeabilização do solo.

Ricardo Domingos Brotto fez a apresentação dos estudos dos recursos hídricos;

Grande riqueza protegida pela floresta, gerando vida e abastecendo a bacia hidrográfica.

Tom - com um crachá de "Herdeiro do Planeta" - também presente!

Aqui ele brinca com a logomarca da RPPN Rio das Lontras.

Chris, Fernando & Tom. Fernandinha nesse horário estava na escola, bem ao lado do hotel, mas marcou presença no evento.

Raphael Freitas Farage, biólogo da PROSUL, fazendo sua apresentação nos trabalhos de zoneamento da RPPN.

Mariana Machado, da Fundação SOS Mata Atlântica, representou o Programa de Apoio às RPPN da Mata Atlântica.

Houve cobertura da imprensa, como uma matéria sobre a Oficina do Plano de Manejo da RPPN Rio das Lontras apresentada ainda no dia 26 no Jornal da TVBV para todo o estado de Santa Catarina. Também gravações realizadas no Hotel Blumengarten Haus para a produtora Plural Filmes (foto), que farão parte de um documentário sobre Meio Ambiente;

Filmagem de Ralf Tambke e direção de Márcia Paraíso, que aqui entrevista o oceanógrafo PHD Antonio Carlos Beaumord, da UNIVALI e que coordenou os estudos da Biótica Aquática da RPPN Rio das Lontras.

Mariana também foi entrevistada e contempla o local enquanto aguarda as filmagens.

E num bate-papo descontraído com Márcia Paraíso. O documentário será exibido em dois capítulos nos dias 11 e 18 de abril no belo programa Santa Catarina em Cena, na RBS TV (Globo SC).

Aqui Eduardo acompanha atento o zoneamento da RPPN...

...assim como o professor Antonio Carlos Beaumord, especialista em Impactos Ambientais...

... e as pesquisadoras Cintia e Gislaine com seus computadores pessoais.

Hora da janta, momento de descontração...

... depois de horas de trabalho intenso.

Para no outro dia voltar a sala de reunião e dar continuidade aos trabalhos.

Biólogo Amaraldo e professor Beaumord numa troca de idéias.

Foram dois dias de Oficina que vão gerar um documento técnico que irá nortear as ações futuras na RPPN Rio das Lontras.

Tão logo seja aprovado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

Porque preservar é preciso!

AGRADECIMENTOS AOS PARTICIPANTES, CONVIDADOS, PARCEIROS E DIVULGADORES DA OFICINA DO PLANO DE MANEJO DA RPPN RIO DAS LONTRAS:

ERIKA GUIMARÃES (ALIANÇA PARA A CONSERVAÇÃO DA MATA ATLÂNTICA)
MARIANA MACHADO (FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA)
CÉLIA LONTRA VIEIRA (ICMBIO)
MARCOS TORTATO (TIGRINUS)
FÁBIO FARACO (PARQUE NACIONAL DA SERRA DO ITAJAÍ)
ANTONIO CARLOS BEAUMORD (OCEANÓGRAFO - UNIVALI)
FABIANA DALLACORTE (BIÓLOGA)
CINTIA G. GRESSER (BIÓLOGA)
EDUARDO BROGENI (ENGENHEIRO FLORESTAL)
AMARALDO PICOLLI (BIÓLOGO)
GISLAINE OTTO (BIÓLOGA)
ADRIAN EISEN RUPP (BIÓLOGO)
ISOLETE DOZOL (CONSULTORA AMBIENTAL - PROSUL)
RAPHAEL FREITAS FARAGE - (BIÓLOGO - PROSUL)
JANESCA LAMPERT DA SILVA - (ENGENHEIRA AMBIENTAL - PROSUL)
LISANDREA CRISTINA DA COSTA - (JORNALISTA - PROSUL)
MANUELA DIAMICO - (SOCIÓLOGA - PROSUL)
ELAINE VICENTINI - (BIÓLOGA - PROSUL)
FABRÍCIO STADNIK CUSTÓDIO - (TURISMÓLOGO - PROSUL)
FABIANA HEIDRICH - (BIÓLOGA - PROSUL)
AURÉLIO HERZER - (TÉCNICO AGROPECUÁRIA - PROSUL)
RICARDO DOMINGOS BROTTO - (ENGENHEIRO SANITARISTA AMBIENTAL - PROSUL)
CARINA CARGNELUTTI DAL PAI - (ECONOMISTA - PROSUL)
HUMBERTO ALVES DA SILVA - (GEÓLOGO - PROSUL)
MÁRCIA PARAÍSO (PLURAL FILMES)
RALF TAMBKE (PLURAL FILMES)
GRILLO (PLURAL FILMES)
CLÓVIS GHIORZI (PLURAL FILMES)
SANDRA ELIANE (COMITÊ BACIA HIDROGRÁFICA RIO CUBATÃO)
GENI HACK CARDOZO (MOVIMENTO RIO CUBATÃO SUL VIVO)
GUIDO SCHVARTZMAN (JORNALISTA - TVBV)

Plano de Manejo da RPPN Rio das Lontras:

Apoio:
Programa de Incentivo às RPPN da Mata Atlântica

Cooperação-técnica:
PROSUL
Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI,
Parque Nacional da Serra do Itajaí
TIGRINUS Equipamentos para Pesquisa

*Fotos: Fernando José Pimentel Teixeira/arquivo RPPN Rio das Lontras

*O Plano de Manejo é um documento técnico que, usando como base os objetivos gerais de uma Unidade de Conservação, estabelece o seu zoneamento e as normas que devem nortear e regular o uso que se faz da área e o manejo dos recursos naturais, inclusive a implementação das estruturas físicas necessárias à gestão da área protegida.




segunda-feira, 23 de março de 2009

PLANO DE MANEJO - GEOLOGIA

Dia quente de sol forte, seguimos rumo a RPPN Rio das Lontras para mais um dia de pesquisas e levantamento de dados. Dessa vez uma equipe multidisciplinar da empresa Prosul, nossa parceira-técnica no Plano de Manejo, foi analisar as questões geológicas e o mapeamento dos recursos hídricos.

Equipe da PROSUL rumo à RPPN Rio das Lontras.

Ana Paula Rodrigues Lopes é paranaense e Geóloga;

Ricardo Domingos Brotto também é de Curitiba e é Engenheiro Sanitarista e Ambiental;

Elaine Vicentini é Bióloga de Vitória, Espírito Santo;

O também Biólogo Raphael Farage Freitas foi o profissional da Prosul que mais acompanhou oa trabalhos de campo do Plano de Manejo;

Fabrício Stadnik Custódio é Turismólogo e com especialidade em ecoturismo.

Ao chegarmos no entorno da RPPN encontramos os pequenos moradores do local conhecido como "Canto do Schuch" saindo da escolinha;

A escolinha municipal junta em uma sala só crianças da primeira a quarta série do ensino fundamental;

Descendentes de colonizadores alemães, são a esperança de um futuro de mais cuidados com o meio ambiente.

Com a precariedade da estrada de acesso, o negócio foi usarmos o "plano b": chegarmos na RPPN por uma trilha junto ao rio;

E a equipe se mostrou bem preparada para encarar os desafios;

Foram mapeados os diversos cursos d'água da RPPN Rio das Lontras...

... registradas as coordenadas geográficas para os mapeamentos, uma das especialidades da empresa Prosul.

No local onde há uma captação de água, um susto: coloquei inadvertidamente a mão nessa enorme aranha! Ainda bem que foi só um susto...

E vimos opiliões simplesmente imensos - para não dizermos gigantes!

E algo chama a atenção da atenta Elaine...

... e como boa bióloga que é registrou o fato...

... que apesar de ser um pequeno detalhe em meio a mata...

...é um instante único que sintetiza a importância dos cuidados com a natureza e toda sua diversidade biológica.

E basta uma pequena caminhada para constatarmos a riqueza ímpar da Mata Atlântica!

Aqui a Ana Paula Rodrigues Lopes explica para mim as questões geológicas do local que houve um enorme deslizamento...

... e comenta sobre a fragilidade do solo em um relevo tão acidentado - imagino a construções de barragens para geração de energia como alguns defendem...

Na volta, todos exaustos, mas certamente bem felizes pelo belo dia de trabalho.

Plano de Manejo da RPPN Rio das Lontras:

Apoio:
Programa de Incentivo às RPPN da Mata Atlântica

Cooperação-técnica:
PROSUL
Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI,
Parque Nacional da Serra do Itajaí
TIGRINUS Equipamentos para Pesquisa

*Fotos: Fernando José Pimentel Teixeira/arquivo RPPN Rio das Lontras

*O Plano de Manejo é um documento técnico que, usando como base os objetivos gerais de uma Unidade de Conservação, estabelece o seu zoneamento e as normas que devem nortear e regular o uso que se faz da área e o manejo dos recursos naturais, inclusive a implementação das estruturas físicas necessárias à gestão da área protegida.

sábado, 14 de março de 2009

PLANO DE MANEJO - HERPETOFAUNA RPPN RIO DAS LONTRAS


Hora de conhecer os anfíbios nas pesquisas para o Plano de Manejo da RPPN Rio das Lontras.

A responsável pelo estudo da herpetofauna é a bióloga Fabiana Dallacorte, que possui graduação em Bacharelado e Licenciatura em Ciencias Biológicas e mestranda em Engenharia Ambiental pela Universidade Regional de Blumenau - FURB.

O trabalho visou o diagnóstico da Herpetofauna na RPPN Rio das Lontras, com o objetivo de conhecer a ecologia e a conservação das espécies ocorrentes e assim garantir um futuro estável das populações bióticas locais e conseqüentemente traçar os planos de conservação da área.

Os anfíbios foram amostrados através da visualização direta, da vocalização que foi gravada a partir de gravador e microfone digital. A identificação das espécies foi realizada com auxílio de chaves de identificação e pranchas, através de fotografia e taxonomia. As vocalizações serão gravadas, para comparação com gravações de outros estudos (Heyer et al. 1990, Kwet e Di-Bernardo, 1999). Já a coleta de répteis consistiu de visualização direta e procura com auxílio de ganchos em baixo de pedras, troncos caídos e serrapilheira.

Foram diagnosticadas 18 espécies de anfíbios anuros e 01 espécie de lagarto:

Família/Espécie

Brachycephalidae:
Haddadus binotatus
Ischnocnema henselli

Leptodactylidae:
Leptodactylus ocellatus
Leptodactylus aff. nana
Leptodactylus gracilis

Leiuperidae:
Physalaemus nanus
Physalaemus cuvieri

Bufonidae:
Rhinella abei

Hylidae:
Hypsiboas bischoffi
Hypsiboas faber
Hypsiboas semilineatus
Dendropsophus minutus
Scinax aff. alter

Scinax perereca
Aplastodiscus cochranae

Bokermanohyla hylax
Trachycephalus mesophaeus

Centrolenidae:
H.uranoscopum

Squamata - Répteis
Squamata - Lagartos
Teiidae:

Tupinambis merianae


Aplastodiscus cochranae


Scinax aff. alter


Leptodactylus aff. nana


Ischnochnema henselii


Rhinela icterica

Pressões e ameaças

Estes grupos animais, Amphibia e Reptilia são importantes indicadores de perturbações ambientais e suscetíveis às alterações de hábitats, constituem-se por grupos com alto grau de endemismo.

Os anfíbios são especialmente suscetíveis a alterações ambientais, pois sua pele tipicamente desnuda e permeável os torna altamente vulneráveis a contaminantes químicos e radiação. Além disso, o estilo de vida de muitas espécies exige a manutenção de hábitats aquáticos e terrestres em condições satisfatórias.

É muito provável que diversas espécies de anuros da Mata Atlântica tenham sido extintas antes que um herpetólogo pudesse ter acesso a alguns exemplares. Aparentemente a vulnerabilidade de diversas espécies é decorrente do seu elevado grau de endemismo, o que é mais evidente para as formas da Mata Atlântica, bem como dos seus modos reprodutivos especializados, o que é mais comum para os anuros de florestas úmidas.


*Plano de Manejo da RPPN Rio das Lontras:

Apoio:
Programa de Incentivo às RPPN da Mata Atlântica

Cooperação-técnica:
PROSUL
Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI,
Parque Nacional da Serra do Itajaí
TIGRINUS Equipamentos para Pesquisa

Fotos: Fabiana Dallacorte/arquivo RPPN Rio das Lontras

*O Plano de Manejo é um documento técnico que, usando como base os objetivos gerais de uma Unidade de Conservação, estabelece o seu zoneamento e as normas que devem nortear e regular o uso que se faz da área e o manejo dos recursos naturais, inclusive a implementação das estruturas físicas necessárias à gestão da área protegida.