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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

LONTRAS QUE SALVAM

Lontras recuperam ambiente marinho ameaçado por algas na Califórnia (EUA)
 
 

O retorno das lontras a um estuário (transição entre rio e mar) da Califórnia, nos Estados Unidos, ajudou a salvar o ecossistema da região de Elkhorn Slough. Até a chegada desse predador, o ambiente aquático estava ameaçado pelas algas, cuja proliferação na superfície da água bloqueia a chegada de luz ao fundo do mar, afetando a sobrevivência da vegetação marinha, habitat para peixes. Como se alimentam de caranguejos, as lontras diminuem a quantidade de predadores das lesmas-do-mar que passaram a comer mais algas marinhas - Ron Eby/AP
 
O retorno das lontras a um dos maiores estuários da Califórnia, no Oeste dos Estados Unidos, permitiu recuperar a vegetação marinha, que serve de habitat para os peixes e desempenha um papel essencial na proteção dos ecossistemas costeiros, afirmaram biólogos esta segunda-feira (26).
 
Estes cientistas, que estudaram durante várias décadas o declínio e a recuperação da vegetação marinha no Estuário de Eikhorn Slough, na região Norte da Califórnia, constataram que o aumento da população de lontras foi um fator chave para a recuperação do meio ambiente, informaram em estudo na revista da Academia de Ciências dos Estados Unidos, a PNAS.
 
A vegetação marinha está diminuindo em todo o mundo devido ao uso excessivo de fertilizantes e outros nutrientes provenientes da exploração agrícola e das áreas urbanas em águas costeiras, impulsionando o crescimento de algas, que impedem que a vegetação marinha receba luz do Sol.
 
Mas nas últimas décadas, a vegetação marinha de Elkhorn Slough voltou a crescer, explicaram estes biólogos, entre eles Brent Hughes, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, um dos principais autores deste trabalho.
 
Estes cientistas estudaram a reação provocada no estuário pelo retorno das lontras em 1984. Estes animais não têm impacto direto na vegetação marinha, mas ajudam a preservá-la, ao comer grandes quantidades de caranguejos.
 
Alimentando-se dos crustáceos, elas eliminam uma ameaça chave para as lesmas-do-mar. Por sua vez, as lesmas-do-mar comem algas e permitem que as plantas marinhas se mantenham saudáveis. Isto significa que a presença de um predador ajudou a salvar o ecossistema.
 
"Este estudo proporciona outro exemplo das fontes interações exercidas pelas lontras nas populações de caranguejo e os efeitos em cascata sobre o ecossistema pelos transtornos da cadeia alimentar", disse Tim Tinker, biólogo no Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), um dos coautores do estudo.
 
"Esta pesquisa também nos lembra que os animais sem predador, que desaparecem em grande número no planeta, desempenham um papel importante no equilíbrio de muitos ecossistemas", acrescentou.
 
Fonte: AFP/UOL Ambiente

sábado, 18 de maio de 2013

A ÚLTIMA ONÇA-PINTADA EM SANTA CATARINA

A morte da última pintada da serra catarinense
 
 A onça, já morta, é transportada pelas ruas de Urubici
 
A última onça-pintada (Panthera onca) do planalto serrano catarinense foi morta na tarde de 29 de janeiro de 1972, na fazenda da Pedra Branca, no interior de Urubici. Estava na mira do capataz da fazenda desde a noite anterior, quando havia desossado um cavalo a poucos metros da propriedade.
Ela morreu brigando: antes de cair dura no chão, vítima de um disparo certeiro no coração, a onça de 84 kg, um metro e meio de comprimento e 55 centímetros de cauda desferiu uma patada, na parte esquerda do rosto do capataz, que o marcou para toda a vida.
 
O destino da onça-pintada foi selado pelo padre João Alfredo Rohr, considerado o pai da arqueologia catarinense. Além dos estudos com resquícios de sambaquis ao longo do litoral do estado, pelo qual levou a fama, padre Rohr seguia o ofício, tradicional entre missionários jesuítas, de empalhar de animais silvestres.
 
Ele comprou a carcaça da onça para que, depois de empalhada, virasse objeto de pesquisa dos três mil estudantes por ano que visitam o museu de história natural que leva o nome do pároco, no sótão do Colégio Catarinense, em Florianópolis.
 
Dez anos mais tarde apareceria a última pintada em liberdade em Santa Catarina, encontrada no município de Rio Negrinho, na divisa com o Paraná, para ter destino semelhante ao da onça de Urubici: ser morta e empalhada por um caçador que, como Ermelino, não fazia idéia da importância da preservação dos maiores predadores da região até então.
 
Apesar de já terem habitado toda a região, há poucos registros no sul do Brasil de onças-pintadas, felino imortalizado em contos de Guimarães Rosa, como Meu Tio, O Iuauretê. Até os anos 40, as pintadas eram alvo fácil de caçadores contratados por fazendeiros para "desonçar" a região, assim como Preto Tiodoro na história de Guimarães Rosa, e Ermelino, em Urubici.
 
A caça e a derrubada das matas nativas aceleraram sua extinção nas décadas seguintes. Desde os anos 1990, as pintadas em liberdade são vistas circulando por regiões da serra do Mar e do Parque do Iguaçu, ambos no Paraná, e pelo Parque do Turvo, no noroeste do Rio Grande do Sul, apenas em fotografias tiradas no meio do mato.
 
Há um corredor ecológico ligando as onças gaúchas e paranaenses, que viajam pela Argentina, ao largo do território catarinense, em busca de novos territórios. As pintadas não entram mais em Santa Catarina devido ao grau de devastação das florestas originais de Mata Atlântica no oeste do estado, que deram espaço para a exploração agrária da região, conhecido celeiro agrícola devido à produção de cereais e suínos.


Fonte: Matéria publicada em setembro de 2008 / ClicRBS
Foto: Orquiso Rei de Oliveira, Divulgação

quinta-feira, 11 de abril de 2013

GATOS EXTERMINADORES

O que fazer com cães e gatos que dizimam espécies nativas em reservas naturais?

Em muitos países, a solução adotada é o extermínio

Fonte: ÉPOCA


BOM CAÇADOR
Flagrante de um gato no ato de atacar uma ave. Estima-se que um felino desses mate 80 animais por ano (Foto: Claudius Thiriet/Gamma-Rapho/Getty Images)


Diante de um cãozinho simpático ou um gato dengoso, quem ama os animais em geral só tem bons sentimentos. É difícil imaginar que esses bichinhos, especialmente se fazem parte de nosso convívio, representam algum perigo ambiental. Se entrarem indevidamente em áreas naturais, porém, tanto cães quanto gatos se transformam em perigosos predadores da vida selvagem. É o que ocorre hoje nas unidades de conservação em várias partes do mundo, principalmente no Brasil. Dentro de parques nacionais ou de reservas biológicas, bichos que contam com nossa simpatia exterminam populações inteiras de espécies nativas de aves, lagartos ou pequenos mamíferos. Predadores trazidos por mãos humanas são a segunda maior causa de extinção de espécies nativas no mundo. Perdem apenas para a supressão dos hábitats.

Diante de um cãozinho simpático ou um gato dengoso, quem ama os animais em geral só tem bons sentimentos. É difícil imaginar que esses bichinhos, especialmente se fazem parte de nosso convívio, representam algum perigo ambiental. Se entrarem indevidamente em áreas naturais, porém, tanto cães quanto gatos se transformam em perigosos predadores da vida selvagem. É o que ocorre hoje nas unidades de conservação em várias partes do mundo, principalmente no Brasil. Dentro de parques nacionais ou de reservas biológicas, bichos que contam com nossa simpatia exterminam populações inteiras de espécies nativas de aves, lagartos ou pequenos mamíferos. Predadores trazidos por mãos humanas são a segunda maior causa de extinção de espécies nativas no mundo. Perdem apenas para a supressão dos hábitats.

Um estudo recente realizado pelo Instituto Smithsonian e pelo Departamento de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos mostra o tamanho da ameaça. Segundo o levantamento, os gatos matam de 1,4 bilhão a 3,7 bilhões de pássaros e entre 6,9 bilhões e 20,7 bilhões de mamíferos todo ano. Embora os gatos de rua representem a maior ameaça, gatos domésticos também saem para passear e caçar. “Esperamos que essa mortalidade incentive as pessoas a manter seus gatos dentro de casa e sirva de alerta para as autoridades”, diz Pete Marra, do Smithsonian.

 O impacto dos gatos e cães faz parte dos danos provocados por espécies estranhas aos ambientes naturais. Elas chegam a áreas onde não enfrentam grandes predadores e caçam outros animais que não estão acostumados a lidar com elas. No linguajar dos biólogos, essas espécies não nativas são chamadas de exóticas. No caso de cães e gatos, os mais problemáticos são os que deixaram a vida doméstica e se reintegraram ao ambiente selvagem. São chamados de cães ou gatos ferais.

“O problema das espécies invasoras é seriíssimo. Há casos de animais competindo ou caçando espécies nativas em quase todas as unidades de preservação do Brasil”, diz Pedro Menezes, diretor de criação e manejo de unidades de conservação do Instituto Chico Mendes (ICMBio), órgão federal responsável pelas áreas protegidas do país. Os cães de quem tem sítio perto de um parque entram na área da reserva, mas em geral só caçam nas bordas. Os cães ferais vivem dentro da unidade e caçam mesmo no miolo da reserva, que deveria ser um refúgio para as espécies nativas. Segundo Menezes, no Parque Nacional de Brasília, matilhas de cães ferais caçam veados e catetos (porco-do-mato). No Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, gatos ferais atacam a fauna nativa. “Um estudo no Reino Unido mostrou que cada gato mata cerca de 80 indivíduos de outras espécies por ano, como aves, lagartos ou esquilos. Imagine o estrago feito por uma população de gatos numa área com espécies que só ocorrem ali”, diz Menezes.


CONSERVAÇÃO
Iguana numa ilha de Galápagos. Para proteger a espécie, foram criados projetos de erradicação de cães, gatos e outros animais (Foto: Stuart Westmorland/Getty Images)


Outras espécies exóticas também ameaçam os ambientes naturais. Os búfalos, trazidos da Ásia para a Amazônia, sustentam milhares de famílias na região. Algumas manadas interferem na reprodução de peixes, aves e tartarugas na Reserva Biológica do Vale do Guaporé, em Rondônia. O ICMBio estuda como abater os animais “de forma sustentável”. Um projeto da Embrapa prevê o abate de 540 búfalos por ano. O javali, espécie de origem europeia, se espalhou pelo Brasil e readquiriu hábitos selvagens. Hoje, expulsa os porcos-do-mato nativos do Brasil. É também agressivo com o ser humano. Quando chegou ao arquipélago de Fernando de Noronha, o navegador Américo Vespúcio relatou ter visto suas ilhas cobertas por ninhos de aves marinhas.

Ratos europeus trazidos por acidente pelos navios dos exploradores adaptaram-se bem às ilhas. Tão bem que exterminaram as espécies locais de ratos e passaram a devorar animais nativos. Aos ratos se somaram gatos, cães e outros bichos domésticos, além de tejos, lagartos que comem ovos e pequenos animais. Os ninhos nativos sumiram de Fernando de Noronha.

Em outros países, é comum controlar espécies invasoras. Um cervo da Malásia foi levado para a África do Sul e começou a competir com as espécies nativas. Em alguns parques nacionais, o cervo malaio passou a ser caçado a tiros, de helicóptero. Na Ilha da Ascensão, possessão britânica no Atlântico, os gatos matavam centenas de milhares de aves marinhas por ano. Os pássaros só prosperavam em pequenas ilhotas vizinhas, sem os felinos. Os biólogos então passaram a reduzir a população de gatos. Eliminaram cerca de 2 mil felinos, usando iscas envenenadas. As aves voltaram então a se propagar na Ilha da Ascensão. Em Galápagos, onde a maior parte das ilhas é parte de um parque nacional, há projetos para erradicar cães, gatos, porcos, cabras e outras espécies exóticas.

Na Nova Zelândia, o governo executa um projeto para salvar espécies nativas, principalmente o quivi, ave símbolo do país. Entre os predadores estão cães e gatos sem dono ou selvagens. Usando iscas envenenadas, as autoridades locais conseguiram criar pequenas ilhas livres de gatos e cães. Enquanto isso, os biólogos reduzem a população de gatos e cães soltos na ilha principal do país criando áreas cercadas para reintroduzir a fauna nativa. Na Austrália, o controle de raposas e gatos, que já extinguiram várias espécies nativas, é feito com o lançamento de iscas envenenadas de helicóptero em áreas críticas de conservação. Nas ilhas australianas de Maquarie e Marion, o extermínio dos gatos no ano 2000 permitiu que a população de aves marinhas se recuperasse.

Biólogos são, antes de mais nada, gente que ama os animais. Por isso, antes de apelar para os recursos extremos, tentaram medidas menos violentas. Nos Estados Unidos, há várias décadas se fazem pesquisas com vacinas anticoncepcionais para controlar gatos selvagens. Elas não são eficazes para controlar grandes populações em áreas naturais extensas, porque precisam ser reaplicadas várias vezes. Se ministradas por alimentos espalhados pela área, não há garantia de que todas as fêmeas ingerirão o suficiente para suspender a reprodução.


PROTEÇÃO
Quivi, a ave símbolo da Nova Zelândia. Lá, as autoridades locais criaram ilhas livres de cães e gatos para preservá-lo (Foto: John Stone/AP)


Para Menezes, do ICMBio, o problema no Brasil é cultural. “Ainda não conseguimos nem discutir isso de forma equilibrada”, afirma. “Quando é capim ou um molusco invasor, lidamos com a questão com seus problemas técnicos e econômicos. Se a espécie exótica for um mamífero que envolve sentimentos, aí entramos numa discussão emocional.” Recentemente, o Ibama publicou uma norma disciplinando o manejo de javalis. Foi um marco. As autoridades responsáveis pela administração de áreas de preservação e pela defesa de espécies ameaçadas ainda têm dificuldade para conseguir lidar com búfalos, cães ou gatos em áreas de preservação. No Brasil, a legislação proíbe a caça, sem distinção entre espécie nativa ou exótica. Nem prevê a caça dentro de um plano de manejo para conservar áreas naturais.

Na Austrália, iscas envenenadas são lançadas por helicóptero para erradicar gatos

Segundo a Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA, na sigla em inglês), não é preciso matar. “Foram os humanos que levaram indevidamente esses animais para perto das áreas naturais onde eles não deveriam estar”, diz Rosângela Ribeiro, gerente de programas veterinários da WSPA no Brasil. “Agora, cabe aos humanos resolver isso de forma humanitária.” Para ela, há alternativas menos violentas, como campanhas de conscientização dos donos de animais domésticos. “Eles devem aprender a manter os bichos dentro de casa, com coleiras com sinos (no caso de gatos).” Para controlar cães e gatos ferais, ela recomenda que os bichos sejam recolhidos e encaminhados à adoção. “O custo dessa operação é mais alto, mas não é algo impossível. É, sobretudo, uma questão ética”, diz. Para o biólogo Fábio Olmos, o discurso das entidades protetoras dos animais não ajuda a resolver a questão na prática. “Isso é medo de enfrentar o problema de frente”, afirma ele. “Cuidar do bem-estar animal é uma causa nobre. Mas não à custa da extinção de outras espécies. Por receio de lidar com esse tabu, estamos causando um dano maior à vida.”


segunda-feira, 8 de abril de 2013

JUDY McALLISTER

Faltam lideranças sustentáveis
 
Judy McAllister é escritora e especialista em sustentabilidade
 
 
por Lucas Toyama
 
Judy McAllister utiliza sua vasta experiência em assuntos relacionados à preservação do meio ambiente para afirmar categoricamente que o ser humano, a despeito de todo o blá-blá-blá que elaborou, ainda está muito aquém de fazer o que seria necessário para ser sustentável. Resultado disso é que as companhias, que “detêm um poder incrível para ditar tendências para a sociedade como um todo”, como ela mesma afirma, também fazem pouco, alimentando um círculo vicioso baseado na profusão de discurso e na carência de ações efetivas.
 
Canadense, ela se mudou em 1977 para a Escócia, quando se tornou membro da comunidade da Fundação Findhorn, da qual foi coordenadora geral por cinco anos. Lá, usou sua paixão por gente e natureza para estimular o desenvolvimento – pessoal e espiritual – dos membros da organização - uma comunidade, uma ecovila e um centro internacional de educação holística, cuja finalidade principal é despertar uma nova consciência no homem e criar um futuro mais positivo e sustentável.
 
Em recente passagem pelo Brasil, Judy conversou com o CanalRh e discorreu sobre suas visões em relação ao tema sustentabilidade, falou sobre a pouca atenção que o assunto ainda recebe e apontou um agente com grande força para reverter a situação: as empresas. Confira.
 
"A arrogância do homem em sua visão em relação à natureza é apavorante"
 
CanalRh - Quando despertou para a importância da preservação do planeta?
Judy McAllister: Eu sempre me interessei pela natureza. No final dos anos 70 visitei a Findhorn Foundation, da Escócia, e tomei consciência do instigante mundo natural. Daí foi um pulo para eu entender a condição do planeta e os efeitos das ações dos humanos sobre ele. Eu tenho tido oportunidade de viajar muito. Isso tem me permitido ver um extenso espectro dos mundos natural e humano, o que é bastante rico. Eu testemunhei o desaparecimento de habitats e vi criaturas magníficas em seus próprios ambientes. A escala e o escopo da degradação que nós humanos temos causado são assustadores para mim. A arrogância do homem em sua visão em relação à natureza é apavorante. Parece que a gente pensa que é isento das leis universais que regem o mundo natural. Mas nós não somos.
 
CanalRh - Por que veio ao Brasil?
Judy: Eu vim a primeira vez no final dos anos 90 para dar aulas num programa de treinamento de duas semanas. Eu me apaixonei pelas pessoas e pela natureza. Voltei em 2008 como assistente de Dorothy Maclean (escritora e educadora canadense e uma das fundadoras da Findhorn Foundation, na Escócia), quando ela veio lançar uma edição em português de um de seus livros. Desde então, voltei algumas vezes, por diversos motivos. Algumas de minhas atividades criaram raízes e se desenvolveram de forma que eu jamais poderia imaginar. Eu descobri que a vida tem formas de se revelar se eu simplesmente seguir os sinais. É bem isso o que acontece na minha relação com o Brasil.
 
"Acho que as companhias têm um papel vital. Elas detêm um poder incrível para ditar tendências para a sociedade"
 
CanalRh - Como funciona a Findhorn Foundation?
Judy: A Findhorn Foundation é uma instituição de caridade focada no trabalho educacional. Sua principal fonte de renda são workshops, seminários e conferências que acontecem o ano todo. Cerca de 125 pessoas de 40 países moram e trabalham na Fundação. Nós hospedamos, por ano, mais de 4 mil pessoas de aproximadamente 60 países, com milhares de outros visitantes que passam algumas horas ou dias com a gente. Ao redor da Fundação cresceu uma comunidade de pessoas que trabalham para si mesmas, em negócios pequenos e independentes. É um lugar inacreditavelmente diverso e dinâmico que está completando 50 anos.
 
CanalRh - Dinamismo, abundância de informação e desenvolvimento rápido da tecnologia são fatores que facilitam ou dificultam o pensamento sustentável?
Judy: As duas coisas. Esses fatores permitem que mais e mais pessoas se tornem conscientes da necessidade de ser sustentável em todos os níveis. A disponibilidade da informação e o fato de a tecnologia se tornar mais acessível tornam possível que pessoas vivam e trabalhem de maneira sustentável. Infelizmente, o exagero de informação leva a uma saturação que pode ser perigosa, sobretudo no que diz respeito ao excesso de possibilidades. Como a gente escolhe um caminho entre tantos? Para cada teoria há outra que a refuta de forma consistente. Como decidimos em quem acreditar? Isso tudo pode fazer com que as pessoas desistam e deleguem a questão para os “especialistas”.

CanalRh - Pegam um atalho mais fácil...
Judy: Muitas vezes, sim. Esse excesso de possibilidades leva as pessoas a fazerem escolhas mais confortáveis para elas e deixarem para trás outras tantas. No entanto, sustentabilidade é multidimensional. Ela envolve diversas áreas e precisa olhar para questões como comida, cultura, educação, trabalho, espiritualidade, recursos naturais, energia, gerenciamento de lixo, transporte, saúde, moradia. Não tem, portanto, como isolar um assunto.
 
CanalRh - Você acredita que as pessoas estão conscientes da importância de ser sustentável?
Judy: Não. As pessoas ainda não entenderam. Sustentabilidade se tornou uma palavra muito falada, mas pouco praticada. Ainda existe muita ignorância em relação à profundidade que o tema exige. Se as pessoas realmente têm acesso à informação, elas têm medo de agir ou negam a verdade de nossa coletividade, o que significa que a maioria prefere não enxergar a verdade das mudanças de clima, por exemplo, e dos níveis de crescimento não sustentáveis.
 
"O fato é simples: o planeta não é grande o suficiente para todos nós continuarmos vivendo da forma que vivemos"
 
 
CanalRh - Qual o principal erro das pessoas em relação à sustentabilidade?
Judy: Eu diria que são dois. O primeiro é o pensamento de que não podemos lidar com o assunto. O segundo é a ideia de que sustentabilidade, de alguma maneira, significa mudar para um estilo de vida que parece ser caduco. A gente peca em não entrar de vez no assunto. Sustentabilidade de fato significa uma simplificação de nosso estilo de vida – uma forma de viver com muito menos consumo, o que é bem diferente de viver com um padrão mais baixo. Hoje, muitas pessoas afirmam que querem a sustentabilidade, mas não querem, realmente, encarar as mudanças que ela exige. No mundo ocidental, torna-se muito desconfortável olhar para aquilo de que temos que abrir mão para ter uma vida sustentável. O fato é simples: o planeta não é grande o suficiente para todos nós continuarmos vivendo da forma que vivemos. Mas é grande o suficiente para todos nós, se vivermos de maneira mais inteligente, com mais consciência e menos desperdício.
 
CanalRh - Do que as pessoas precisam, afinal, para agir de maneira sustentável?
Judy: Comprometimento, dedicação e vontade de andar em direção a uma batida diferente da que se toca hoje. Isso exige o desejo de reduzir alguns excessos para se ter outros ganhos. Ser sustentável frequentemente pode ser mais caro e menos conveniente no curto prazo.
 
CanalRh - Por quê?
Judy: Porque exige mudanças e concessões.
 
CanalRh - O Brasil tem se tornado mais sustentável?
Judy: Não tenho muito conhecimento para afirmar, afinal não moro aqui. Todavia, eu tenho tido o privilégio de encontrar pessoas envolvidas com a questão da sustentabilidade e elas dizem que, se por um lado o País está fazendo progressos, por outro ele tem sido lento demais. Aqui você encontra recursos em abundância. As cores, a vibração, a diversidade e a autenticidade de muitas coisas que aqui se encontram me fazem rir e chorar. Eu imagino o potencial que o Brasil tem para tornar a sustentabilidade num conceito de larga escala. Os brasileiros poderiam ser os líderes em boas práticas e inovação – recursos para isso não faltam.
 
CanalRh - Quais as principais atribuições das empresas em questões ligadas à sustentabilidade?
Judy: Acho que as companhias têm um papel vital. Elas detêm um poder incrível para ditar tendências para a sociedade como um todo. Elas têm as estruturas e os recursos para promover mudanças e reeducar os corações e mentes que podem alimentar o comprometimento com a sustentabilidade.
 
CanalRh - Os projetos de sustentabilidade que muitas empresas criam são de fato funcionais ou ainda pertencem a uma esfera de marketing objetivando assegurar boas imagem e reputação?
Judy: Com o risco de me tornar impopular, eu acho que muitas iniciativas caem na segunda categoria. É claro que existem algumas companhias que estão genuinamente aprofundando a questão e fazendo mudanças que vão ao encontro da sustentabilidade. Ser sustentável exige que a gente olhe não apenas para algo específico, mas para um contexto. Se uma empresa fabrica produtos ou utiliza processos que são nocivos ao ar, à água ou ao solo, mas usa papel reciclado e tem um projeto de redução do consumo de energia, ela não é exatamente sustentável. Do outro lado da equação, há companhias que produzem produtos “eco-amigáveis” e que tampouco são sustentáveis. Nós precisamos olhar além dos produtos e avaliar suas cadeias de suprimentos e de distribuição, suas políticas de contratação e seus processos produtivos. Sustentabilidade não é simples, mas é essencial para o futuro do planeta.
 
CanalRh - Qual a importância das lideranças no mundo corporativo para pensamentos e ações sustentáveis?
Judy: Total. Se os líderes das empresas colocassem a sustentabilidade no maior senso de prioridade em seus planejamentos estratégicos, o progresso em relação ao tema como um todo se moveria a uma velocidade jamais vista. Contudo, para fazer isso, seria necessário deixar para trás alguns dos alvos mais estimados pelo universo corporativo: renunciar ao resultado financeiro a qualquer custo, aceitar reduzir as margens, repensar formas de produção, estabelecer novos critérios para a seleção de matéria prima, diminuir os bônus daqueles que estão no topo. O mundo corporativo ainda não abraçou completamente o triplo bottom line, o que me leva a crer que a sustentabilidade genuína vai demorar um tempo para ter o espaço que realmente deveria.
 
CanalRh - Se pudéssemos falar em uma liderança sustentável qual seriam suas características e responsabilidades?
Judy: Com todo o respeito, acredito que essa questão é parte do problema. Ela reflete a tendência de adicionar a palavra “sustentabilidade” a outra palavra ou termo de forma que nos faça acreditar que temos algo totalmente novo à nossa frente. Eu tenho alguns pensamentos sobre os modelos de lideranças que existem e as marcas pelos quais são reconhecidos. Para mim, liderança não é algo que você faz, mas uma postura que você tem dentro de você e que envolve um senso de responsabilidade pessoal. Liderança é essencialmente um ato de serviço. Esse tipo de liderança não é baseado no que você sabe sobre as ideias do outro, mas na sua habilidade de gerar ideias e respostas para situações que os seus recursos não permitem. Portanto, está mais relacionado ao quão bem você se conhece.

Fonte: CanalRh


terça-feira, 30 de outubro de 2012

‘É o fim da economia como a conhecemos’, diz Paul Gilding

Para ambientalista, países emergentes podem criar um modelo de desenvolvimento sem sacrificar o planeta
 
Por Simone Barreto / Jornal O Globo
 
 
Paul Gilding, autor do livro “A Grande Ruptura" (Agência O Globo / Divulgação)

 
LONDRES - Paul Gilding, o autor do livro “A Grande Ruptura”, provoca discussões em todo o mundo quando afirma que chegamos ao fim da trilha do crescimento econômico. No entanto, ele não se vê como um profeta do apocalipse. Muito pelo contrário, o ambientalista é um otimista que acredita no poder de reação da Humanidade: “Podemos ser lentos, mas não somos estúpidos”.

Gilding é um veterano ambientalista, que foi chefe do Greenpeace Internacional, e hoje é consultor de sustentabilidade e professor associado ao Programa de Sustentabilidade da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Aos 52 anos, Gilding vive numa fazenda, na Tasmânia, ilha ao sul da Austrália, com a mulher e dois de seus cinco filhos. Durante suas férias no verão australiano, Gilding falou ao GLOBO sobre o fim da economia como a conhecemos hoje.

O GLOBO: O senhor diz em seu livro que a busca por lucro e crescimento econômico chegou ao limite. A que se refere a grande ruptura do título?

PAUL GILDING: A grande ruptura é o fim da economia como a conhecemos, do consumismo desenfreado, de um estilo de vida e de um crescimento econômico que não medem o impacto nos recursos finitos do planeta.

O que podemos fazer individualmente para ajudar a retardar esse processo?

GILDING: O mais importante a fazer é aprender como podemos melhorar a qualidade de nossas vidas. No mundo moderno, estamos focados em fazer mais dinheiro, consumir mais bens materiais, ter casas maiores e por aí afora. Significa que temos mais custos, que temos de trabalhar mais para pagar um custo cada vez maior e definitivamente não é assim que melhoramos nossa qualidade de vida... Precisamos aprender a viver com menos, para termos mais tempo de fazer o que nos deixa realmente felizes. Coisas simples como viver em comunidade, ficar com a família e os amigos.

O mundo está passando por uma mudança bastante importante: enquanto os países ricos estão afundados numa enorme crise financeira, os emergentes estão indo às compras. Mas precisam zerar uma dívida social enorme, o que significa mais gente consumindo, mais gente comendo, mais gente gastando dinheiro. Como fechar essa conta?

GILDING: Eu acho que temos diferentes abordagens para diferentes países. Os ricos terão de fazer uma dramática redução nos gastos e no consumo. Primeiro, porque está muito claro que nosso planeta não sustenta esse ritmo de crescimento econômico; e segundo, porque também está claro que dessa forma não vamos melhorar a qualidade de vida dos cidadãos desses países. Mas é diferente quando falamos de pessoas vivendo em países em desenvolvimento. É como se o mundo tivesse de abrir espaço para o crescimento. E, na verdade, os países em desenvolvimento estão presos numa armadilha dos ricos, que resolvem tudo com o crescimento econômico. A verdade é que movimentos como Ocupem Wall Street nos mostram que o crescimento econômico não entrega sempre uma integridade social; ao contrário, pode criar mais conflitos e divisões na sociedade. Nós temos de criar um novo modelo de progresso, que permita o desenvolvimento sem sacrificar os processos e o planeta. E países como o Brasil, por exemplo, têm neste momento uma grande oportunidade de fazer diferente, de tentar novos meios de governar uma sociedade em equilíbrio com o mercado.

Para especialista, década terá crise grave

De quantos planetas Terra precisaríamos para sustentar a taxa de crescimento atual?

PAUL GILDING: Precisaríamos de dois planetas Terra em 2030 para sustentar o crescimento de hoje. Três ou quatro em 2050. É impossível manter este ritmo porque temos uma só. Estamos destruindo a infraestrutura sobre a qual a economia foi construída. Quanto mais danificamos a terra, os oceanos, menos o planeta poderá suportar.

O senhor já disse que acredita numa mobilização da sociedade para as mudanças que estão por vir. Estamos acelerando o passo dessa mobilização?

GILDING: Em geral, não estamos realmente mobilizados. Ainda. Mas vejo que, desde que comecei a palestrar sobre a grande ruptura de que falo no livro, há uma aceitação maior ao fato de que precisamos discutir uma nova abordagem. Tanto que hoje muitos experts adotaram a ideia e falam sobre o equilíbrio que deve haver entre o crescimento econômico e o balanço social.

O senhor é um otimista?

GILDING: Sim! Eu sou um otimista incomum. Acho que o mundo vai ficar muito instável, que vai sofrer uma crise complexa, com muitos conflitos e um grande rompimento econômico. Mas nossa sociedade reage bem às crises. Então, apesar de muitas pessoas me acharem um pessimista quando digo que essa crise é inevitável, eu discordo. Sou otimista sobre o potencial de resposta da Humanidade a momentos como este, e a sua capacidade de fazer mudanças, e muito rápidas. Basta olhar o exemplo da Segunda Guerra Mundial e de como os ingleses reagiram numa situação limite. Nós somos realmente bons, extraordinários numa crise, temos grande capacidade de transformação e mobilização. Essa reação é universal.

Quando o senhor espera que deva acontecer essa grande parada da economia?

GILDING: Nesta década. Não estamos mais falando de longo prazo, para os filhos de nossos filhos. Vai acontecer logo, pois, quando algo é insustentável, eventualmente para. Também acredito que durará bastante, porque teremos exaustão de recursos e vejo o fornecimento de comida como uma das questões de maior importância.

Segundo as projeções atuais, vamos chegar a 2050 com nove bilhões de pessoas no planeta que precisarão de comida.


GILDING: Não é com a quantidade de pessoas vivendo, mas com o estilo de vida delas que temos que nos preocupar. É possível termos nove bilhões de pessoas e alimentá-las. Na Índia, as emissões de carbono estão em duas toneladas per capita, enquanto nos Estados Unidos vemos 26 toneladas per capita. Só não será possível se vivermos como hoje nos países ricos, sem pensarmos no desperdício e em como conduzimos nosso consumo.

O que o senhor ensina para seus filhos sobre o futuro do planeta?

GILDING: Você não quer que as crianças fiquem preocupadas com o futuro. Mas eu procuro ensinar as coisas em que acredito. Eu tenho cinco filhos, quero que eles sejam felizes. Eu tento ensinar como viver bem sem precisar de muito. Quero que eles saibam como é possível ter uma boa vida num mundo de nove bilhões de pessoas.


Clique AQUI para assistir uma excelente entrevista concedida ao jornalista Jorge Pontual no último programa 'Milênio', da Globo News.
 
 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

ABELHAS SILVESTRES

 
 
Publicação do Ibama aponta efeitos dos agrotóxicos sobre as abelhas silvestres no Brasil
 
Brasília – Os estudos que o Ibama vem realizando sobre o impacto dos agrotóxicos em polinizadores visando a reavaliação de alguns produtos que se encontram registrados no mercado brasileiro, resultaram em uma primeira publicação que reúne informações relevantes sobre o tema.

A publicação consiste em um levantamento bibliográfico que destaca a importância do serviço ambiental de polinização, os principais agentes polinizadores nas diversas regiões do país e os efeitos dos agrotóxicos na sobrevivência e manutenção de colonias de abelhas silvestres, abordando os efeitos letais e subletais de produtos agrotóxicos sobre as abelhas silvestres do Brasil.

O trabalho foi desenvolvido pela pesquisadora da Universidade Federal da Bahia, Maria Cecília de Lima e Sá de Alencar Rocha, com acompanhamento e supervisão da equipe técnica da Coordenação de Controle Ambiental de Substâncias e Produtos Perigosos (CCONP) da diretoria de Qualidade Ambiental do Ibama, com apoio do Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento - PNUD.

Entre outros aspectos, a pesquisa identifica a perda da diversidade de polinizadores devido aos principais agentes estressores aos ecossistemas presentes no mundo atual, os principais efeitos subletais em abelhas relacionados à exposição aos agrotóxicos, tais como: desvios comportamentais que podem comprometer a divisão de trabalho; desorientação das abelhas, dificultando a localização do alimento e o retorno à colônia; interferência no aprendizado olfatório e percepção gustativa etc. Além desses efeitos, há ainda aqueles relacionados à reprodução e manutenção das atividades dentro da colônia, quais sejam: efeitos reprodutivos nas rainhas e efeitos subletais em larvas o que pode comprometer a sobrevivência das abelhas a longo prazo.

Ao final o trabalho é proposta uma metodologia para o acompanhamento dos efeitos tóxicos de ingredientes ativos associados a efeitos adversos sobre abelhas, por meio de um estudo de caso em que são sugeridas espécies e culturas a serem pesquisadas.

O papel fundamental dos polinizadores nas culturas agrícolas e na biodiversidade da flora em geral tem direcionado as pesquisas para esse campo do conhecimento. O recente fenômeno de Colapso das Colmeias no hemisfério norte e as consequentes perdas do serviço de polinização, tornam ainda mais importante e necessária esta área da pesquisa, que atualmente encontra-se em franco desenvolvimento. este sentido, o Brasil, pela sua diversidade biológica, ocupa um papel chave no que se refere à pesquisa entorno da importância e sobrevivência de polinizadores silvestres, uma vez que a maioria das pesquisas internacionais são realizadas com a espécie europeia Apis mellifera.

Apesar de, no Brasil, existir o híbrido africanizado, mais estudado quando em comparação às nossas espécies nativas, o conhecimento mais aprofundado sobre as relações ecológicas, fisiologia e ecotoxicologia de abelhas nativas ainda é incipiente, por isso, destaca-se a importância do estudo agora publicado.


Ascom Ibama
Colaboração Tiara Macedo
Foto: Marcelo Casimiro

sábado, 26 de maio de 2012

VIVA A MATA 2012: OFICINA RPPN RIO DAS LONTRAS

A RPPN Rio das Lontras promoveu durante o Viva a Mata 2012 - o maior evento brasileiro em prol da Mata Atlântica - realizado no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, a Oficina "Engolindo Árvores com os Olhos", com a artista Ana Teixeira*.

Ana chega com o material para o primeiro dos três dias do evento

Antes dos trabalhos um registro em frente ao banner da RPPN Rio das Lontras no estande das Áreas Protegidas

Os primeiros participantes experimentam sensações

A proposta da oficina é um olhar aguçado e curioso sobre a natureza...

...visando romper os estereótipos usados pelas crianças na hora de desenhar uma árvore

 Chris também coloca em prática a ideia

As crianças - e adultos - são convidadas a engolir árvores com os olhos, isto é, a esmiuçar de maneira visual e tátil, detalhes de suas formas, texturas e cores

...para logo formarem rodas e desenhos

Usando praticamente todo material originado de árvores:

Pranchetas;

Tinta natural de extrato de nogueira;

Palitos e...

...papel

O resultado é o rompimento com os padrões usuais dos desenhos de árvores, propiciando às crianças a oportunidade de produzir imagens mais autônomas e visualmente mais elaboradas

Ana explica que isso só é possível porque as crianças são instigadas a olhar com curiosidade e atenção estes “seres” que estão quase sempre tão perto e, talvez, por isso mesmo, são tão invisíveis: as árvores

E ainda, elas são estimuladas a confiar no que vêem e em sua capacidade de colocar no papel o resultado deste olhar

Engolir árvores com os olhos é um ato de coragem e quanto mais crianças ousarem cometê-lo, mais sua atenção estará voltada para a natureza e os dilemas todos de sua preservação

Mas adultos também participam com afinco, como o Eraldo, proprietário da RPPN El Nagual, no Rio de Janeiro

Ou o Marcos, do Geopark, de Araripe

Ecosurfi na onda

Galera antenada com arte presente

Aqui a jornalista e educadora ambiental Daniela Venturato Giori, da Associação de Proprietários de RPPN de Mato Grosso do Sul, a REPAMS

Era nítida a satisfação das pessoas com o trabalho realizado

Desenhos em família

Foram três dias muito proveitosos

Com certeza marcante para quem participou

Sensibilizando

Motivando

"Engolindo Árvores com os Olhos"

Chris e sua obra


Agradecimentos especiais:
Ana Teixeira
Fundação SOS Mata Atlântica

*Ana Teixeira é artista e mestre em Poéticas Visuais pela USP. Tem participado de exposições individuais e coletivas dentro e fora do Brasil. Ministra cursos sobre arte e promove encontros reflexivos em bienais, museus e galerias. É representada pela Baró Galeria, em São Paulo e seus trabalhos podem ser vistos no endereço eletrônico: www.anateixeira.com.

Veja AQUI matéria da TV Cultura sobre outros trabalhos seus.

domingo, 1 de janeiro de 2012

ANDORINHAS

Primeiro dia do ano. Abro a janela e vejo algum movimento no telhado.


Aliás, quatro movimentos: Lindos filhotes de andorinhas.


Logo chega a comida.


Os filhotinhos de andorinhas mostram apetite.


É um vai e vem danado dos pais.


A família inteira vem conferir. Aqui, Tom observa atento.


Troca de olhares. Respeito ao meio ambiente se começa desde cedo.


Andorinha-pequena-de-casa

A andorinha-pequena-de-casa está quase sempre presente em nosso dia-a-dia e na maior parte dos locais onde ocorre basta olhar para o céu em dias de tempo bom que elas estarão lá, dando um verdadeiro show com suas acrobacias aéreas enquanto caçam insetos voadores.

Características
As partes superiores são azul-metálicas, mas dependendo da incidência da luz parecem negras. As asas e a cauda são negras, inclusive nas partes inferiores. A região negra da parte inferior da cauda vai até a altura da cloaca, o que a distingue da andorinha-de-sobre-branco (Tachycineta leucorrhoa). A divisão das cores é bem nítida. Não há manchas brancas nas partes escuras, nem manchas escuras na parte branca, o que a diferencia das outras andorinhas brasileiras, a não ser da andorinha-doméstica-grande (Progne chalybea), que é bem maior. Mede cerca de 13 cm.

Alimentação
Sobrevoam os mais variados tipos de formações vegetais, mas são especialmente abundante em campos, especialmente na época de revoadas de formigas e cupins alados, quando formam bandos de dezenas de indivíduos nas áreas dos formigueiros e cupinzeiros.

Reprodução
Na natureza essas aves usam buracos em barrancos, escarpas e rochas tanto para nidificar quanto para pernoitar. Este hábito representou uma pré-adaptacao desta ave ao meio urbano, que se sente muito a vontade nas frestas de telhados ou qualquer outro espaço em nossas construções. O ninho é uma tigela feita de palha, as vezes cimentada com fezes de gado e recoberta por penas. Os ovos, geralmente de 3 a 5, são incubados pela fêmea enquanto o macho a alimenta. O casal se reveza na alimentação dos filhotes.

Hábitos
Passam a maior parte do dia voando, só pousando em árvores, antenas e fios de eletricidade para descansar ou quando o tempo está ruim.
É migratória, especialmente nos locais mais frios, mas ao contrário de outras espécies de andorinhas não realiza migrações muito longas.
Às vezes é vista fazendo vôos rasantes sobre lagos para beber água. Tem grande afinidade pelas habitações humanas. Muitas vezes são vistas voando dentro de grandes igrejas, e por isto são muito respeitadas. Faz seus ninhos em cavidades, próximos uns dos outros, formando colônias. Gostam de pousar em fios elétricos, em grande número. Algumas não gostam muito do frio e migram para passar o inverno em outras regiões mais ao norte. Têm um vôo um pouco irregular, já que ficam para lá e para cá procurando insetos. Algumas árvores floridas, como as tipuanas, atraem insetos e as andorinhas logo aparecem e ficam borboleteando por sobre as copas.

Distribuição Geográfica
É uma das aves com distribuição mais ampla na América Latina, ocorrendo desde a Costa Rica até a Terra do Fogo, assim como desde o nível do mar até os Andes.


Fonte: WikiAves