CanalRh - Pegam um atalho mais fácil...
Fonte: CanalRh
Fernando e Chris sempre estiveram envolvidos na defesa do meio ambiente e para contribuírem de maneira mais efetiva com a causa adquiriram uma magnífica área preservada de Mata Atlântica próxima a Florianópolis, criando ali uma Unidade de Conservação em caráter perpétuo, uma Reserva Particular do Patrimônio Natural, a RPPN Rio das Lontras.
Chris é entrevistada por Márcia Paraíso em casa - e o Tom também participou das filmagens.
Talita Alink, é membro do grupo Green Models. Foto: DivulgaçãoModelo ecológica põe sua imagem a serviço do meio ambiente
Talita Alink tem 17 anos e desde os 12 se preocupa com o planeta.
Dennis Barbosa
Do Globo Amazônia, em São Paulo
Ela tem apenas 17 anos, mas já tomou uma decisão: sua carreira será orientada a divulgar a necessidade de se proteger o meio ambiente. Por causa disso, a jovem modelo Talita Alink, natural de Petrópolis (RJ), se define como uma “eco-modelo”.
Ainda este mês, ela estará na Califórnia para participar de um evento com governadores americanos , representando o projeto Green Models, que nomeia embaixadoras para diversas bandeiras ambientalistas. Sua criação foi em janeiro de 2008 e hoje o grupo conta com Adriana Lima, Naomi Campbell, Raica Oliveira, Priscila Fantin e Natalia Anderle entre seus membros, segundo os organizadores.
Globo Amazônia: O que será a reunião de que você participará este mês na Califórnia?
Talita: Estarei em Beverly Hills para participar de um evento sobre o clima global idealizado por Arnold Schwarzenegger, governador da Califórnia, que contará com a presença dos 50 governadores americanos, além de líderes de governo e corporações. No dia 18, o governador do Amazonas, Eduardo Braga, fará uma palestra e se encontrará com Schwarzenegger para a assinatura de um acordo bilateral para a difusão da energia renovável.
Globo Amazônia: Você acompanha o desmatamento na Amazônia?
Talita: Sim, e me atualizo sempre que recebo algum alerta sobre o assunto. É incrível o efeito das ações inconseqüentes dos seres humanos. Nos EUA por exemplo, 95% das florestas ancestrais já desapareceram.
Globo Amazônia: O que define uma eco-modelo e a diferencia da modelo comum?
Talita: O que define um eco-humano é o desenvolvimento de sua consciência ambiental. Então podemos dizer que vale para qualquer segmento, como modelos, professores etc. Eu, por exemplo, sou uma pessoa comum, com uma vida comum, porém tenho hábitos diários que me diferenciam: como alimentos orgânicos, uso água de forma racional e adoro andar de bicicleta seja para onde for - para o mercado, padaria ou na orla da praia.
Globo Amazônia: Como virou uma eco-modelo?
Talita: Eu tinha 12 anos quando escolhi fazer um trabalho sobre o meio ambiente numa feira de ciências do colégio. O convite para ser modelo veio de um grande amigo, que hoje é meu agente, Pierre Thomé de Souza, que percebeu este meu lado ecológico. Ele me apresentou ao Mario Garnero, presidente da Associação das Nações Unidas-Brasil (Anubra), e do grupo Brasilinvest.
Como eles estavam criando o projeto Green Models, que tem a modelo Adriana Lima como primeira membro-fundadora, acabei sendo convidada para ser embaixadora da Anubra para o Meio Ambiente e Aquecimento Global.
Globo Amazônia: Seus pais não gostavam da idéia de você ser modelo. Agora eles já lidam bem com o fato? Utilizar seu trabalho para divulgar a conservação da natureza os ajuda a aceitar?
Talita: No começo foi bem difícil, pois venho de uma família evangélica. O fato de as modelos trabalharem com a imagem e corpo não é aceito pelo padrão de vida evangélico. Foi um processo que tivemos que explicar de forma clara, para que eles pudessem entender o que faríamos e os benefícios destas ações para o meio ambiente.
Globo Amazônia: Você usa roupas ecologicamente corretas?
Talita: Tenho algumas peças interessantes feitas por uma grande amiga e designer, Barbara Casassola. Pretendo criar uma marca especializada em moda sustentável, com coleções feitas com fibras ecológicas, tecidos orgânicos e materiais reciclados, sem utilizar recursos que afetam o meio ambiente.
Globo Amazônia: Aceitaria tirar fotos com um casaco de pele?
Talita: Definitivamente não. Por motivos pessoais e por saber que são provenientes de animais que muitas vezes são mal-tratados.
QUEM É"Em 2050, seremos todos vegetarianos"
Comer menos carne é o único meio de alimentar 10 bilhões de humanos, diz o autor de "O Fim da Comida"
Peter Moon
No Ensaio Sobre O Princípio Da População, publicado em 1798, o inglês Thomas Malthus fez uma afirmação alarmante. Como a população humana crescia em progressão geométrica e a produção de alimentos em progressão aritmética, no longo prazo o saldo desse descompasso seriam a fome e o aumento da mortalidade, ajustando o tamanho da população à oferta de alimento. Em 1800, havia 1 bilhão de humanos. Hoje, somos 6,6 bilhões. A produção agrícola superou a explosão populacional. Malthus estava errado? Para o jornalista americano Paul Roberts, de 54 anos, talvez não. A hora de Malthus pode ter chegado. Em The End of Food (O Fim da Comida, editora Houghton Mifflin), Roberts prevê que, até 2050, a demanda por comida ultrapassará a oferta. Um primeiro alerta seria a atual explosão do preço dos alimentos.
A tonelada de arroz passou de US$ 400 para US$ 1.000 em cinco meses. No Brasil, o feijão subiu 168,44% em 12 meses. A culpa, para os analistas, é de chineses e indianos, que estão ganhando mais e comendo mais. Em 2030, a China importará 200 milhões de toneladas de grãos, ou seja, todo o excedente exportável mundial. O que sobrará para os países pobres? Se nada for feito, a fome.
ENTREVISTA - PAUL ROBERTS
ÉPOCA – Malthus estava certo?
Paul Roberts – Após 200 anos, é cada vez mais difícil dizer “não” a essa pergunta. Continuamos desenvolvendo novas tecnologias para produzir mais comida, mas enfrentamos novas restrições que os fazendeiros do passado não tinham. Historicamente, a forma de aumentar a produção era expandir a área plantada. Isso é cada vez mais difícil. A maioria das terras aráveis do planeta já é usada e a maior parte do que resta são as últimas florestas. É o caso do Brasil, onde as novas áreas de plantio são obtidas à custa da derrubada de florestas.
ÉPOCA – É hora de outra Revolução Verde?
Roberts – A Primeira Revolução Verde, que transformou a agricultura entre os anos 40 e 60, multiplicou a produção de alimentos graças ao uso de fertilizantes e ao desenvolvimento de novas sementes. Ainda é possível aumentar a produtividade usando os transgênicos. Mas essa tecnologia tem seus limites. Não podemos também esquecer que o preço da energia está subindo e que a agricultura moderna foi pensada no tempo em que o barril de petróleo custava US$ 20. Caso o preço se estabilize entre US$ 125 e US$ 200, o sistema atual não se sustenta.
ÉPOCA – O que fazer?
Roberts – Há três grandes desafios para criar uma Segunda Revolução Verde. O primeiro é o aumento do preço do gás natural, o principal insumo na produção de nitrogênio sintético, que por sua vez é o maior insumo dos fertilizantes. A maior parte do excedente agrícola atual se deve à disponibilidade de nitrogênio barato. Se o preço dos fertilizantes se mantiver elevado, alimentar daqui a 50 anos outros 4 bilhões de pessoas, além dos 6,6 bilhões atuais, será um tremendo desafio. É preciso alternativas para produzir novos fertilizantes.
ÉPOCA – O segundo desafio é...
Roberts – A falta d’água. Para isso não existe alternativa. Não há continente onde não falte água. Cada país responde ao desafio de forma diferente. A China está substituindo a produção de grãos, que usa irrigação maciça, pela de frutas e verduras, que consome menos água. Em 2007, importou 30 milhões de toneladas de soja, boa parte oriunda do Brasil. Isso significa que a China está importando de vocês sua água. Está ocorrendo uma mudança no “mercado virtual” de água. Por algum tempo, isso deve contrabalançar a escassez. Mas, no fim das contas, não existe água suficiente no mundo para atender ao aumento projetado na demanda de alimentos.
ÉPOCA – E o terceiro?
Roberts – O último é o maior de todos: as mudanças climáticas. Elas vão dificultar o aumento na produção de comida e acentuar a escassez de água. A alteração do clima também será um desafio para que grandes exportadores, como os Estados Unidos e o Canadá, consigam elevar sua produção. Os desafios são complexos e as respostas para eles também. Será preciso reduzir o uso de energia e de água na agricultura, ao mesmo tempo que se elevam a eficiência e a produtividade. Porém, isso não será o bastante. Seremos obrigados a comer menos.
ÉPOCA – A Terra pode alimentar 2,5 bilhões de bocas com uma dieta ocidental, rica em carne, ou 20 bilhões de vegetarianos. Mas somos 6,6 bilhões...
Roberts – A pecuária e a avicultura consomem grande parte da produção de grãos. Tome o exemplo dos Estados Unidos, com um consumo anual per capita de 100 quilos de carne, comparado ao da Índia, com 15 quilos. É preciso elevar o consumo da Índia e desencorajar o consumo nos Estados Unidos e na Europa, para tentar atingir uma média global de consumo mais justa e sustentável.
ÉPOCA – Isso não é utopia?
Roberts – É preciso reduzir o consumo de carne. A questão é como fazê-lo. Nos Estados Unidos não se toca no assunto. Achamos que comer carne é um direito eterno. Seu consumo é considerado um índice de prosperidade – apesar dos problemas de saúde, como doenças cardíacas, que seu consumo acarreta.
ÉPOCA – No Brasil, é a mesma coisa.
Roberts – O Brasil está se desenvolvendo, e a lógica pressupõe que num país bem-sucedido come-se tanta carne quanto se deseja. Para inverter essa lógica, é preciso um líder corajoso e habilidoso. Essa não é uma prioridade dos candidatos à Presidência dos Estados Unidos. Cedo ou tarde, essa discussão terá de ser atacada.
"Como dizer a 1,3 bilhão de chineses que eles devem comer menos
carne, se isso tem sido um objetivo humano por milhares de anos?"
ÉPOCA – Barack Obama e John McCain têm opinião a respeito?
Roberts – Não sei. Não é uma questão que eles levantariam na campanha. Não soaria como algo patriótico.
ÉPOCA – O aumento do preço da comida ameaça elevar em 100 milhões o total de 862 milhões de famintos no planeta. Mas há 1 bilhão de pessoas com sobrepeso. O problema da humanidade é a fome ou o diabetes?
Roberts – Ambos são problemas. Se fosse forçado a escolher, priorizaria a subnutrição, pois ela mata as pessoas muito mais cedo, e sua solução contribuiria para a estabilidade do clima. Dito isso, se fracassarmos em lidar com a questão da obesidade, no longo prazo pagaremos um enorme preço na forma de despesas médicas. Por 200 mil anos, a espécie humana teve sua dieta restrita pela disponibilidade ou não de alimento. A invenção da agricultura, há 10 mil anos, mudou esse padrão. A obesidade é conseqüência do acesso a uma alimentação farta e barata. Para manter uma dieta saudável, é preciso disciplina, e nós não fomos biologicamente projetados para controlar nossa gula.
ÉPOCA – O Brasil será o celeiro do mundo à custa da destruição da Amazônia?
Roberts – Apesar de conhecermos as conseqüências científicas e ambientais da rápida expansão da agricultura, somos incapazes de resistir à pressão política e econômica. Na imprensa econômica americana, o Brasil é retratado como uma história de sucesso. O país será uma superpotência na produção de alimentos. No entanto, quando olhamos as publicações científicas, o Brasil é retratado em termos muito negativos. A lógica gira em torno do fato de a população chinesa ganhar hoje o suficiente para comer carne, o que leva à destruição das florestas no Brasil. A questão fundamental é: como dizer a 1,3 bilhão de chineses que eles devem comer menos carne, se comer carne tem sido um objetivo humano por milhares de anos?
ÉPOCA – Seu livro anterior se chamava O Fim do Petróleo. O atual é O Fim da Comida. Qual será o próximo, o fim da água? O fim da natureza? O fim da esperança?
Roberts – (Risos.) Vou trabalhar num livro sobre as finanças globais, outro desastre. O mercado financeiro é a chave de tudo. Nada do que conversamos, como a conversão de florestas em área de cultivo no Brasil, pode acontecer sem a ajuda dos mercados financeiros. Eles estão em crise. São uma faca de dois gumes que é preciso entender melhor.
ÉPOCA – O senhor é otimista com o futuro?
Roberts – Acho que sou. Ao dissecar a questão da escassez de recursos, aprendi como as coisas podem se tornar ruins. Eu sei qual é o pior cenário possível se não alterarmos a rota na qual caminhamos. Com isso em mente, acredito que qualquer mudança será para melhor. É muito fácil ser pessimista, mas isso não faria o menor sentido. A humanidade sempre conviveu com a escassez. Essa é a condição humana.
Fonte: Revista Época
Linha de produção de indústria de folheados a ouro em Limeira, em São Paulo
Serra do Rio do Pinheiro coberta pela luxuriante floresta que será destruída com o Projeto Anitápolis.