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segunda-feira, 8 de abril de 2013

JUDY McALLISTER

Faltam lideranças sustentáveis
 
Judy McAllister é escritora e especialista em sustentabilidade
 
 
por Lucas Toyama
 
Judy McAllister utiliza sua vasta experiência em assuntos relacionados à preservação do meio ambiente para afirmar categoricamente que o ser humano, a despeito de todo o blá-blá-blá que elaborou, ainda está muito aquém de fazer o que seria necessário para ser sustentável. Resultado disso é que as companhias, que “detêm um poder incrível para ditar tendências para a sociedade como um todo”, como ela mesma afirma, também fazem pouco, alimentando um círculo vicioso baseado na profusão de discurso e na carência de ações efetivas.
 
Canadense, ela se mudou em 1977 para a Escócia, quando se tornou membro da comunidade da Fundação Findhorn, da qual foi coordenadora geral por cinco anos. Lá, usou sua paixão por gente e natureza para estimular o desenvolvimento – pessoal e espiritual – dos membros da organização - uma comunidade, uma ecovila e um centro internacional de educação holística, cuja finalidade principal é despertar uma nova consciência no homem e criar um futuro mais positivo e sustentável.
 
Em recente passagem pelo Brasil, Judy conversou com o CanalRh e discorreu sobre suas visões em relação ao tema sustentabilidade, falou sobre a pouca atenção que o assunto ainda recebe e apontou um agente com grande força para reverter a situação: as empresas. Confira.
 
"A arrogância do homem em sua visão em relação à natureza é apavorante"
 
CanalRh - Quando despertou para a importância da preservação do planeta?
Judy McAllister: Eu sempre me interessei pela natureza. No final dos anos 70 visitei a Findhorn Foundation, da Escócia, e tomei consciência do instigante mundo natural. Daí foi um pulo para eu entender a condição do planeta e os efeitos das ações dos humanos sobre ele. Eu tenho tido oportunidade de viajar muito. Isso tem me permitido ver um extenso espectro dos mundos natural e humano, o que é bastante rico. Eu testemunhei o desaparecimento de habitats e vi criaturas magníficas em seus próprios ambientes. A escala e o escopo da degradação que nós humanos temos causado são assustadores para mim. A arrogância do homem em sua visão em relação à natureza é apavorante. Parece que a gente pensa que é isento das leis universais que regem o mundo natural. Mas nós não somos.
 
CanalRh - Por que veio ao Brasil?
Judy: Eu vim a primeira vez no final dos anos 90 para dar aulas num programa de treinamento de duas semanas. Eu me apaixonei pelas pessoas e pela natureza. Voltei em 2008 como assistente de Dorothy Maclean (escritora e educadora canadense e uma das fundadoras da Findhorn Foundation, na Escócia), quando ela veio lançar uma edição em português de um de seus livros. Desde então, voltei algumas vezes, por diversos motivos. Algumas de minhas atividades criaram raízes e se desenvolveram de forma que eu jamais poderia imaginar. Eu descobri que a vida tem formas de se revelar se eu simplesmente seguir os sinais. É bem isso o que acontece na minha relação com o Brasil.
 
"Acho que as companhias têm um papel vital. Elas detêm um poder incrível para ditar tendências para a sociedade"
 
CanalRh - Como funciona a Findhorn Foundation?
Judy: A Findhorn Foundation é uma instituição de caridade focada no trabalho educacional. Sua principal fonte de renda são workshops, seminários e conferências que acontecem o ano todo. Cerca de 125 pessoas de 40 países moram e trabalham na Fundação. Nós hospedamos, por ano, mais de 4 mil pessoas de aproximadamente 60 países, com milhares de outros visitantes que passam algumas horas ou dias com a gente. Ao redor da Fundação cresceu uma comunidade de pessoas que trabalham para si mesmas, em negócios pequenos e independentes. É um lugar inacreditavelmente diverso e dinâmico que está completando 50 anos.
 
CanalRh - Dinamismo, abundância de informação e desenvolvimento rápido da tecnologia são fatores que facilitam ou dificultam o pensamento sustentável?
Judy: As duas coisas. Esses fatores permitem que mais e mais pessoas se tornem conscientes da necessidade de ser sustentável em todos os níveis. A disponibilidade da informação e o fato de a tecnologia se tornar mais acessível tornam possível que pessoas vivam e trabalhem de maneira sustentável. Infelizmente, o exagero de informação leva a uma saturação que pode ser perigosa, sobretudo no que diz respeito ao excesso de possibilidades. Como a gente escolhe um caminho entre tantos? Para cada teoria há outra que a refuta de forma consistente. Como decidimos em quem acreditar? Isso tudo pode fazer com que as pessoas desistam e deleguem a questão para os “especialistas”.

CanalRh - Pegam um atalho mais fácil...
Judy: Muitas vezes, sim. Esse excesso de possibilidades leva as pessoas a fazerem escolhas mais confortáveis para elas e deixarem para trás outras tantas. No entanto, sustentabilidade é multidimensional. Ela envolve diversas áreas e precisa olhar para questões como comida, cultura, educação, trabalho, espiritualidade, recursos naturais, energia, gerenciamento de lixo, transporte, saúde, moradia. Não tem, portanto, como isolar um assunto.
 
CanalRh - Você acredita que as pessoas estão conscientes da importância de ser sustentável?
Judy: Não. As pessoas ainda não entenderam. Sustentabilidade se tornou uma palavra muito falada, mas pouco praticada. Ainda existe muita ignorância em relação à profundidade que o tema exige. Se as pessoas realmente têm acesso à informação, elas têm medo de agir ou negam a verdade de nossa coletividade, o que significa que a maioria prefere não enxergar a verdade das mudanças de clima, por exemplo, e dos níveis de crescimento não sustentáveis.
 
"O fato é simples: o planeta não é grande o suficiente para todos nós continuarmos vivendo da forma que vivemos"
 
 
CanalRh - Qual o principal erro das pessoas em relação à sustentabilidade?
Judy: Eu diria que são dois. O primeiro é o pensamento de que não podemos lidar com o assunto. O segundo é a ideia de que sustentabilidade, de alguma maneira, significa mudar para um estilo de vida que parece ser caduco. A gente peca em não entrar de vez no assunto. Sustentabilidade de fato significa uma simplificação de nosso estilo de vida – uma forma de viver com muito menos consumo, o que é bem diferente de viver com um padrão mais baixo. Hoje, muitas pessoas afirmam que querem a sustentabilidade, mas não querem, realmente, encarar as mudanças que ela exige. No mundo ocidental, torna-se muito desconfortável olhar para aquilo de que temos que abrir mão para ter uma vida sustentável. O fato é simples: o planeta não é grande o suficiente para todos nós continuarmos vivendo da forma que vivemos. Mas é grande o suficiente para todos nós, se vivermos de maneira mais inteligente, com mais consciência e menos desperdício.
 
CanalRh - Do que as pessoas precisam, afinal, para agir de maneira sustentável?
Judy: Comprometimento, dedicação e vontade de andar em direção a uma batida diferente da que se toca hoje. Isso exige o desejo de reduzir alguns excessos para se ter outros ganhos. Ser sustentável frequentemente pode ser mais caro e menos conveniente no curto prazo.
 
CanalRh - Por quê?
Judy: Porque exige mudanças e concessões.
 
CanalRh - O Brasil tem se tornado mais sustentável?
Judy: Não tenho muito conhecimento para afirmar, afinal não moro aqui. Todavia, eu tenho tido o privilégio de encontrar pessoas envolvidas com a questão da sustentabilidade e elas dizem que, se por um lado o País está fazendo progressos, por outro ele tem sido lento demais. Aqui você encontra recursos em abundância. As cores, a vibração, a diversidade e a autenticidade de muitas coisas que aqui se encontram me fazem rir e chorar. Eu imagino o potencial que o Brasil tem para tornar a sustentabilidade num conceito de larga escala. Os brasileiros poderiam ser os líderes em boas práticas e inovação – recursos para isso não faltam.
 
CanalRh - Quais as principais atribuições das empresas em questões ligadas à sustentabilidade?
Judy: Acho que as companhias têm um papel vital. Elas detêm um poder incrível para ditar tendências para a sociedade como um todo. Elas têm as estruturas e os recursos para promover mudanças e reeducar os corações e mentes que podem alimentar o comprometimento com a sustentabilidade.
 
CanalRh - Os projetos de sustentabilidade que muitas empresas criam são de fato funcionais ou ainda pertencem a uma esfera de marketing objetivando assegurar boas imagem e reputação?
Judy: Com o risco de me tornar impopular, eu acho que muitas iniciativas caem na segunda categoria. É claro que existem algumas companhias que estão genuinamente aprofundando a questão e fazendo mudanças que vão ao encontro da sustentabilidade. Ser sustentável exige que a gente olhe não apenas para algo específico, mas para um contexto. Se uma empresa fabrica produtos ou utiliza processos que são nocivos ao ar, à água ou ao solo, mas usa papel reciclado e tem um projeto de redução do consumo de energia, ela não é exatamente sustentável. Do outro lado da equação, há companhias que produzem produtos “eco-amigáveis” e que tampouco são sustentáveis. Nós precisamos olhar além dos produtos e avaliar suas cadeias de suprimentos e de distribuição, suas políticas de contratação e seus processos produtivos. Sustentabilidade não é simples, mas é essencial para o futuro do planeta.
 
CanalRh - Qual a importância das lideranças no mundo corporativo para pensamentos e ações sustentáveis?
Judy: Total. Se os líderes das empresas colocassem a sustentabilidade no maior senso de prioridade em seus planejamentos estratégicos, o progresso em relação ao tema como um todo se moveria a uma velocidade jamais vista. Contudo, para fazer isso, seria necessário deixar para trás alguns dos alvos mais estimados pelo universo corporativo: renunciar ao resultado financeiro a qualquer custo, aceitar reduzir as margens, repensar formas de produção, estabelecer novos critérios para a seleção de matéria prima, diminuir os bônus daqueles que estão no topo. O mundo corporativo ainda não abraçou completamente o triplo bottom line, o que me leva a crer que a sustentabilidade genuína vai demorar um tempo para ter o espaço que realmente deveria.
 
CanalRh - Se pudéssemos falar em uma liderança sustentável qual seriam suas características e responsabilidades?
Judy: Com todo o respeito, acredito que essa questão é parte do problema. Ela reflete a tendência de adicionar a palavra “sustentabilidade” a outra palavra ou termo de forma que nos faça acreditar que temos algo totalmente novo à nossa frente. Eu tenho alguns pensamentos sobre os modelos de lideranças que existem e as marcas pelos quais são reconhecidos. Para mim, liderança não é algo que você faz, mas uma postura que você tem dentro de você e que envolve um senso de responsabilidade pessoal. Liderança é essencialmente um ato de serviço. Esse tipo de liderança não é baseado no que você sabe sobre as ideias do outro, mas na sua habilidade de gerar ideias e respostas para situações que os seus recursos não permitem. Portanto, está mais relacionado ao quão bem você se conhece.

Fonte: CanalRh


terça-feira, 30 de outubro de 2012

‘É o fim da economia como a conhecemos’, diz Paul Gilding

Para ambientalista, países emergentes podem criar um modelo de desenvolvimento sem sacrificar o planeta
 
Por Simone Barreto / Jornal O Globo
 
 
Paul Gilding, autor do livro “A Grande Ruptura" (Agência O Globo / Divulgação)

 
LONDRES - Paul Gilding, o autor do livro “A Grande Ruptura”, provoca discussões em todo o mundo quando afirma que chegamos ao fim da trilha do crescimento econômico. No entanto, ele não se vê como um profeta do apocalipse. Muito pelo contrário, o ambientalista é um otimista que acredita no poder de reação da Humanidade: “Podemos ser lentos, mas não somos estúpidos”.

Gilding é um veterano ambientalista, que foi chefe do Greenpeace Internacional, e hoje é consultor de sustentabilidade e professor associado ao Programa de Sustentabilidade da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Aos 52 anos, Gilding vive numa fazenda, na Tasmânia, ilha ao sul da Austrália, com a mulher e dois de seus cinco filhos. Durante suas férias no verão australiano, Gilding falou ao GLOBO sobre o fim da economia como a conhecemos hoje.

O GLOBO: O senhor diz em seu livro que a busca por lucro e crescimento econômico chegou ao limite. A que se refere a grande ruptura do título?

PAUL GILDING: A grande ruptura é o fim da economia como a conhecemos, do consumismo desenfreado, de um estilo de vida e de um crescimento econômico que não medem o impacto nos recursos finitos do planeta.

O que podemos fazer individualmente para ajudar a retardar esse processo?

GILDING: O mais importante a fazer é aprender como podemos melhorar a qualidade de nossas vidas. No mundo moderno, estamos focados em fazer mais dinheiro, consumir mais bens materiais, ter casas maiores e por aí afora. Significa que temos mais custos, que temos de trabalhar mais para pagar um custo cada vez maior e definitivamente não é assim que melhoramos nossa qualidade de vida... Precisamos aprender a viver com menos, para termos mais tempo de fazer o que nos deixa realmente felizes. Coisas simples como viver em comunidade, ficar com a família e os amigos.

O mundo está passando por uma mudança bastante importante: enquanto os países ricos estão afundados numa enorme crise financeira, os emergentes estão indo às compras. Mas precisam zerar uma dívida social enorme, o que significa mais gente consumindo, mais gente comendo, mais gente gastando dinheiro. Como fechar essa conta?

GILDING: Eu acho que temos diferentes abordagens para diferentes países. Os ricos terão de fazer uma dramática redução nos gastos e no consumo. Primeiro, porque está muito claro que nosso planeta não sustenta esse ritmo de crescimento econômico; e segundo, porque também está claro que dessa forma não vamos melhorar a qualidade de vida dos cidadãos desses países. Mas é diferente quando falamos de pessoas vivendo em países em desenvolvimento. É como se o mundo tivesse de abrir espaço para o crescimento. E, na verdade, os países em desenvolvimento estão presos numa armadilha dos ricos, que resolvem tudo com o crescimento econômico. A verdade é que movimentos como Ocupem Wall Street nos mostram que o crescimento econômico não entrega sempre uma integridade social; ao contrário, pode criar mais conflitos e divisões na sociedade. Nós temos de criar um novo modelo de progresso, que permita o desenvolvimento sem sacrificar os processos e o planeta. E países como o Brasil, por exemplo, têm neste momento uma grande oportunidade de fazer diferente, de tentar novos meios de governar uma sociedade em equilíbrio com o mercado.

Para especialista, década terá crise grave

De quantos planetas Terra precisaríamos para sustentar a taxa de crescimento atual?

PAUL GILDING: Precisaríamos de dois planetas Terra em 2030 para sustentar o crescimento de hoje. Três ou quatro em 2050. É impossível manter este ritmo porque temos uma só. Estamos destruindo a infraestrutura sobre a qual a economia foi construída. Quanto mais danificamos a terra, os oceanos, menos o planeta poderá suportar.

O senhor já disse que acredita numa mobilização da sociedade para as mudanças que estão por vir. Estamos acelerando o passo dessa mobilização?

GILDING: Em geral, não estamos realmente mobilizados. Ainda. Mas vejo que, desde que comecei a palestrar sobre a grande ruptura de que falo no livro, há uma aceitação maior ao fato de que precisamos discutir uma nova abordagem. Tanto que hoje muitos experts adotaram a ideia e falam sobre o equilíbrio que deve haver entre o crescimento econômico e o balanço social.

O senhor é um otimista?

GILDING: Sim! Eu sou um otimista incomum. Acho que o mundo vai ficar muito instável, que vai sofrer uma crise complexa, com muitos conflitos e um grande rompimento econômico. Mas nossa sociedade reage bem às crises. Então, apesar de muitas pessoas me acharem um pessimista quando digo que essa crise é inevitável, eu discordo. Sou otimista sobre o potencial de resposta da Humanidade a momentos como este, e a sua capacidade de fazer mudanças, e muito rápidas. Basta olhar o exemplo da Segunda Guerra Mundial e de como os ingleses reagiram numa situação limite. Nós somos realmente bons, extraordinários numa crise, temos grande capacidade de transformação e mobilização. Essa reação é universal.

Quando o senhor espera que deva acontecer essa grande parada da economia?

GILDING: Nesta década. Não estamos mais falando de longo prazo, para os filhos de nossos filhos. Vai acontecer logo, pois, quando algo é insustentável, eventualmente para. Também acredito que durará bastante, porque teremos exaustão de recursos e vejo o fornecimento de comida como uma das questões de maior importância.

Segundo as projeções atuais, vamos chegar a 2050 com nove bilhões de pessoas no planeta que precisarão de comida.


GILDING: Não é com a quantidade de pessoas vivendo, mas com o estilo de vida delas que temos que nos preocupar. É possível termos nove bilhões de pessoas e alimentá-las. Na Índia, as emissões de carbono estão em duas toneladas per capita, enquanto nos Estados Unidos vemos 26 toneladas per capita. Só não será possível se vivermos como hoje nos países ricos, sem pensarmos no desperdício e em como conduzimos nosso consumo.

O que o senhor ensina para seus filhos sobre o futuro do planeta?

GILDING: Você não quer que as crianças fiquem preocupadas com o futuro. Mas eu procuro ensinar as coisas em que acredito. Eu tenho cinco filhos, quero que eles sejam felizes. Eu tento ensinar como viver bem sem precisar de muito. Quero que eles saibam como é possível ter uma boa vida num mundo de nove bilhões de pessoas.


Clique AQUI para assistir uma excelente entrevista concedida ao jornalista Jorge Pontual no último programa 'Milênio', da Globo News.
 
 

sábado, 10 de abril de 2010

AÇÃO

Serginho Groisman entrevista Beto Mesquita no Programa Ação, da Rede Globo



Preservação da Mata Atlântica:

A Mata Atlântica é um dos biomas mais ameaçados do planeta. No Brasil restam menos de 10% de cobertura original. O instituto Bioatlântica mantém projetos para desacelerar essa triste estatística.
“A missão principal é a conservação e restauração de Mata Atlântica. Nós temos o programa de Corredor Central de Mata Atlântica, o programa na região onde nós estamos, o programa da Serra do Mar, o programa Marinho e o programa na Bacia do Rio Doce”, conta Christiane Holvorcem, coordenadora do programa Corredor Central da Mata Atlântica do Ibio.

A Mata Atlântica se estende do Rio Grande do Sul ao sul da Bahia. Essa área fica no corredor central, na Bahia. A recuperação da floresta recebe a ajuda de vários parceiros.

“Desde que foi fundado, o grupo ambiental Natureza é Bela, a gente passou a ter uma parceria com o Ibio, com a Cooplantar e outras organizações, e começamos a desenvolver esse projeto de fazer mudas nativas para reflorestar principalmente o rio Caraíva, que é aqui próximo e estava sendo devastado”, diz Claudio Ambrosini, viveirista.

A criação de uma cooperativa em Nova Caraíva garantiu trabalho aos moradores e reforçou o time de restauradores da floresta: “São 40 e poucos cooperados, hoje não são todos que estão na função porque Caraíva tem outras atividades na época de temporada”, conta José Dilson Dias, presidente da Cooplantar.

O viveiro fica na cidade de Itabela. São produzidas 100 mil mudas de 80 espécies.

“Eu vou na mata, observo onde está a semente na árvore, subo na árvore, retiro a semente e trago até o viveiro. No viveiro ela é beneficiada e depois enviveirada pra ir para as sacolas”, diz Davi Sousa, jardineiro.

As mudas são separadas em dois grupos antes de seguir para o campo. “É um método onde a gente separa as espécies entre preenchimento e diversidade, são grupos de plantio. As espécies de preenchimento têm o crescimento mais rápido e protegem as espécies de diversidade. O plantio é feito de forma intercalada. A floresta cresce equilibrada”, explica Alessandro Moraes, técnico ambiental do instituto Bioatlântica.

Dílson Sena, técnico ambiental do Ibio explica as orientações dos técnicos sobre as espécies de diversidade e de preenchimento: “O espaçamento que a gente vem utilizando é um espaçamento três por dois e dão 1.667 mudas por hectar”.

“As propriedades particulares precisam por lei ter sua reserva legal averbada. No caso da Mata Atlântica são 20%. Elas precisam ter suas áreas de APP, ou seja, as áreas ao longo dos córregos da água dos rios, das suas nascentes preservadas, então essas propriedade são nosso foco de ação”, diz Christiane.

“Primeiro lugar é um meio de trabalho pra gente e também só está recuperando o meio ambiente novamente, recuperando as matas. É um grande prazer fazer parceria desse trabalho”, diz Ananias Costa Filho, associado da Cooplantar.

“Então aqui a gente está vendo uma área com um ano de plantio, que foi feito o plantio em fevereiro de 2009 e já foram feitas três manutenções para limpar a área do mato e favorecer o crescimento das plantas. Foi feito a adubação, roçada, aplicação de herbicida”, acrescenta Alessandro.

Seu Nivaldo Pianizoli é um proprietário rural consciente: “Eu cheguei aqui em 1985. Era tudo floresta, não tinha onde fazer uma casa para se morar, então fui ao meio ambiente, ao Eunps, fiz o desmate e consegui a licença pra tirar a madeira de toras, só na chapada. Sabia que tinha que preservar as nossas nascentes dos nossos rios, já deixei até mais de 20% em floresta que é essa que nós estamos aqui dentro dela agora e as áreas de APP nas beiras dos rios também estão protegidas”.

“O projeto Mosaicos Sustentáveis visa manter as propriedades regularizadas do ponto de vista legal, ou seja, preservando a APP e também as áreas de reserva legal visando conexão corredores. Mas também permitir as propriedades ao uso múltiplo dessas suas terras", finaliza Christiane.

“Eu tenho café, tenho um pouco de gado, banana da terra e mamão”, conta seu Nivaldo. “Essa propriedade é tida como um exemplo de propriedade. Tem todas as questões legais regularizadas e os diferentes cultivos na propriedade. Então nós temos uma parceria com esse proprietário nos sentido de que ele nos ajude como multiplicador desse exemplo mantendo as suas áreas”.


domingo, 14 de fevereiro de 2010

MAIS VOCÊ


Engenheiro Florestal, ambientalista, um dos maiores incentivadores das Reservas Particulares no Brasil e autor de vários trabalhos com o tema RPPN, Carlos Alberto Bernardo Mesquita - o Beto Mesquita - bate um papo com a apresentadora e bióloga Ana Maria Braga, no programa Mais Você, da Rede Globo:

Chuvas trazem o perigo da queda de árvores

O tempo quente e as chuvas são assuntos que não saem dos jornais .
Somente em São Paulo foram 48 dias seguidos de temporais.
Setenta e duas pessoas morreram por causa das chuvas. Milhares ficaram desabrigadas. Sem falar na falta de luz que atingiu várias regiões das cidades por horas. Mas existe outro grande problema: a queda de árvores.

Muita gente tem dúvidas sobre como perceber os perigos que as árvores podem trazer. A cidade de São Paulo tem, aproximadamente, dois milhões de árvores e apenas 70 engenheiros agrônomos, espalhados nas 31 subprefeituras, para vistoriá-las.

Para falar sobre o assunto, Ana Maria conversou com o presidente da Associação Profissional dos Engenheiros Florestais do Estado do Rio de Janeiro e diretor executivo do Instituto Bioatlântica, Beto Mesquita. “Não é porque temos quedas de árvores que devemos querer tirá-las das nossas cidades. São fatalidades”, disse.



sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

PITACOS DAS LONTRAS

Lontras na cachoeira da divisa entre as cidades de Angelina e Rancho Queimado. Bem na hora do clique programado caiu uma gostosa chuva de verão.

ENTREVISTA QUE CONCEDEMOS AO SITE RPPN WEB DO INSTITUTO CHICO MENDES:

Como você conheceu as RPPN?
Assistindo um programa de tv que falava sobre a proteção da biodiversidade. Foi daí que nasceu a vontade de vendermos nossa casa em Floripa, comprarmos uma área preservada e transformá-la em RPPN.

Ao criar a RPPN, quais eram seus principais objetivos?
Contribuirmos para a preservação do meio ambiente e com as gerações futuras. Fazermos nossa parte, mesmo sabendo que é uma gota no oceano, para que nossos filhos e herdeiros do planeta Fernanda e Tom possam ter a oportunidade de uma proximidade maior com a natureza.

Quais foram os incentivos que levaram você a criar uma RPPN?
A convicção de ser uma proteção prevista em Lei, em caráter perpétuo.

São desenvolvidas atividades econômicas na sua RPPN? Quais?
É sabido que toda Unidade de Conservação precisa ter seu Plano de Manejo para nortear suas atividades. O nosso Plano de Manejo acaba de ser aprovado pelo Instituto Chico Mendes e a meta é a partir de agora buscar recursos para sua implementação, assim como para a construção de uma sede e das primeiras benfeitorias na área. No momento, a única receita proveniente da RPPN Rio das Lontras é externa, com a venda de camisetas feitas com tecido ecológico, de garrafas pet recicladas e estampada com a já famosa logomarca criada e desenhada pelo genial cartunista e escritor Ziraldo.

...vale citar uma famosa frase da Dra. Sonia Wiedmann: “É muito mais fácil encontrar Deus numa RPPN do que num templo erguido pelo homem...”

Que atividades você gostaria de realizar em sua RPPN?
Educação ambiental consideramos algo essencial. Temos uma paixão especial por pesquisas, que especialmente nos motiva muito.

Sua RPPN possui plano de manejo?
Sim, o realizamos em 2009. Foi devidamente aprovado e aguardamos para os próximos dias a publicação no Diário Oficial da União. É a primeira RPPN de Santa Catarina com Plano de Manejo. Aliás, segundo informações do Instituto Chico Mendes, apenas três RPPNs da Mata Atlântica já tiveram seus Planos de Manejo aprovados depois da criação do Roteiro Metodológico. Então, cremos, é algo para comemorarmos com entusiasmo.

Existe algum levantamento ou estudo realizado em sua RPPN? Quais?
Realizamos estudos da fauna: biota aquática; ictiofauna; herptofauna; avifauna e mastofauna.
Na área da vegetação foi feito o Inventário Florístico e Florestal.
E ainda foi pesquisado o sócio-econômico da região para a caracterização da área do entorno.
Também houve levantamento dos aspectos históricos e culturais, hidrografia, geologia, etc.

A sua RPPN recebe apoio de alguma instituição? Como você conseguiu tal apoio?
Para o Plano de Manejo concorremos e obtivemos apoio do Programa de Incentivo às RPPNs da Mata Atlântica (da ONG Aliança para Conservação da Mata Atlântica, uma parceria entre as ONGs Conservação Internacional, Fundação SOS Mata Atlântica e The Nature Conservancy). Também batalhamos e conseguimos firmar parcerias e cooperação técnica com as empresas Prosul e Tigrinus Equipamentos para Pesquisa e ainda com o Parque Nacional da Serra do Itajaí e com a Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI.
Tem que ser insistente, ter qualidade e embasamento nos projetos. Em se tratando da importância da criação de uma RPPN, um Patrimônio Natural que gera inúmeros benefícios para a sociedade, deveria haver mais facilidade aos proprietários. A atuação voluntária e a garra dos proprietários de RPPNs não podem ser justificativas para caminharem solitários, sem ajuda do estado e da iniciativa privada, ficando por sua própria conta – e risco!

“No dia 21 de setembro de 2007, Dia da Árvore, lançamos no blog da RPPN Rio das Lontras a idéia da criação do Dia da RPPN!”

Que tipo de apoio você gostaria de receber para garantir a implementação e manutenção de sua RPPN?
Muito provavelmente o Brasil terá a milésima RPPN ainda em 2010. Para esse universo multifacetado, de áreas protegidas por iniciativa de proprietários distintos, cada um com sua história própria, recursos e intenções, nos mais diversos biomas e características regionais, é necessário haver muito, mas muito mais mecanismos de apoio.
Obviamente o ideal é que esse apoio case com os objetivos da RPPN e que a fonte tenha a consciência da real necessidade das áreas protegidas, das ações que garantam um planeta mais justo e equilibrado, social e ambientalmente.
Precisa haver mais e melhores mecanismos de apoio às RPPNs, menos burocracia, menos cobrança e mais facilidade de acesso aos recursos.
E como diz a própria pergunta, garantir a implementação e manutenção da RPPN.

Qual a principal dificuldade em manter a sua RPPN?
Levando-se em conta que a RPPN é uma “pessoa física” e não uma instituição jurídica, é muito complicado buscar recursos. A RPPN não sendo empresa e não tendo uma ONG atuando em conjunto, tem que tirar leite de pedra para sobreviver. É desejável que a RPPN, no nosso entender, deva ter a opção de ser uma instituição mais eficiente e independente e assim caminhar com as próprias pernas.
Um problema muito comum as RPPNs e que também nos atinge é a manutenção da estrada de acesso para a RPPN, um caso sério! A prefeitura promete faz anos arrumá-la e já gastamos uma pequena fortuna em sua manutenção. E atualmente só se chega com um carro 4x4 e olhe lá!
Por isso a importância da RPPN ser cada vez mais forte como instituição, para que as prefeituras sejam verdadeiras parceiras e tenham a noção da significância de ter uma RPPN em seu território. Uma empresa que se instala no município vai gerar empregos e renda até quando ela existir ou se mudar dali. Por sua vez, uma RPPN é para sempre!
Vale citar aos prefeitos uma frase sempre falada pela presidenciável Marina Silva: “...que entendam que o Meio Ambiente não pode ser visto como algo separado das demais atividades!”.

Quais as principais ameaças à integridade da RPPN? Na sua opinião, porque isso ocorre?
Vários: O projeto de seis Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) na nossa bacia hidrográfica, sendo que um deles ameaça secar todo o trecho de rio que passa pela nossa RPPN, comprometendo mais de 85 metros de quedas e a cachoeira que é uma das nossas maiores belezas cênicas e que certamente influencia toda a dinâmica do ecossistema local, criando um micro-clima e lar das Lontras, nosso animal símbolo.
Há também a atual “febre” entre os colonos da região – conhecida historicamente como a “primeira colônia alemã de Santa Catarina” – a construção de enormes Granjas de frangos para corte. Mas o “resumo da ópera” é a total falta de uma consciência ecológica da maior parte da sociedade, gerando um comportamento irresponsável, consumidor, predador, com desmatamentos, uso indiscriminado de agrotóxicos, caça, poluição, políticas equivocadas e de cunho imediatista.
A fiscalização ineficiente e o não cumprimento das Leis é algo que compromete muito. Temos na maior parte das vezes em pensar nos nossos problemas e mais ainda no que acontece a nossa volta. A natureza não se restringe à área da RPPN. Acabamos tendo que nos mobilizar por ações que, em tese, deveria ser feita pelo Poder Público. Muitas vezes o caminho é recorrer sempre à última instância, o Ministério Público.

Você criaria outra RPPN? Porque?
Acreditamos que sim (risadas). Certamente de maneira mais tranqüila por sabermos os caminhos a serem percorridos, já que depois que a picada foi aberta fica mais fácil seguir a trilha. E vale citar uma já famosa frase da Dra. Sonia Wiedmann, que foi Procuradora do Ibama por 32 anos e é conhecida como a “Mãe das RPPNs”: “É muito mais fácil encontrar Deus numa RPPN do que num templo erguido pelo homem...”

“...como sempre diz o Beto Mesquita: “RPPN é uma só!””

Você atua em alguma entidade ou associação ligada as RPPN?
Muitos pensam que a “marca” RPPN Rio das Lontras é uma ONG. Mandam até currículos pedindo emprego. Mas não, somos pessoa física. E só!

Alguma observação que gostaria de comentar?
No dia 21 de setembro de 2007, Dia da Árvore, lançamos no blog da RPPN Rio das Lontras a idéia da criação do "Dia da RPPN"! O tema foi colocado em pauta novamente, tomara logo possamos dar esse grande passo, que vai ser um marco para o movimento.
O objetivo é que a data comemorativa possa representar todo o esforço empregado por todas as pessoas - na sua maioria heróis anônimos - que se dedicam à causa das Reservas Particulares e na busca da preservação da biodiversidade e de um planeta minimamente mais equilibrado. E ainda uma forma de divulgação e fortalecimento institucional das RPPNs.
Também vai ser interessante ter uma logomarca própria, um design que crie uma identificação imediata das RPPNs, sejam as criadas na esfera federal, estadual ou municipal – pois, como sempre diz o sensato ambientalista Beto Mesquita: “RPPN é uma só!”.
Quanto mais conhecido for o nome RPPN, mais portas serão abertas! A iniciativa privada e as Instituições Públicas - em especial as Prefeituras Municipais - poderão ser mais conscientes da importância de uma Unidade de Conservação no município e terem mais cumplicidade, que sejam parceiras fieis, cooperadoras íntimas e comprometidas com a RPPN e com a questão ambiental. O nome RPPN vai ficar mais em evidência e isso é bom e desejável.
Outro projeto que torcermos para ser implantado no Brasil é o “Herdeiros do Planeta”, um lindo programa de conscientização das futuras gerações, um melhor rumo para a nau humana.
Para terminar, citamos o maestro maior Tom Jobim: “...escuta o mato crescer”!

O que você achou sobre a implantação do site?
Uma bela e necessária iniciativa para divulgar, informar e incentivar a criação de novas RPPNs nos mais variados biomas Brasil afora. RPPN não é para todos, tem que ter um perfil próprio para isso. Quanto mais disponibilizar informações, melhor será!
Longa vida ao site, que seja tão perpétuo quanto as RPPNs!


domingo, 5 de abril de 2009

SANTA CATARINA EM CENA

Dias 11 e 18 de abril o programa Santa Catarina em Cena, da RBS TV, retransmissora da GLOBO em SC, vai mostrar o documentário Vida Selvagem, produção da PLURAL FILMES, direção de Márcia Paraíso.

Chris é entrevistada por Márcia Paraíso em casa - e o Tom também participou das filmagens.

Márcia contou com o apoio do Grillo e da Kiki, ambos da Plural Filmes.

Tom ficou bem a vontade, brincou, colocou o pezinho na boca, deu gritinhos...

... e o legal é que, apesar dessa filmagem ter sido realizada no centro de Angelina, ao fundo ouvimos Tucanos, sábias-do-campo e outros cantos de pássaros que fizeram o fundo do bate-papo.

VIDA SELVAGEM: Dias 11 e 18 ao meio-dia, na RBS TV

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

PLANO DE MANEJO - BOLETIM ECOS DA MATA

A Fundação SOS Mata Atlântica criou uma nova mídia para informar as iniciativas e resultados em prol da Mata Atlântica.

Nesta quarta-feira (04 de fevereiro) estreiou o Boletim de Rádio Ecos da Mata que terá periodicidade semanal e será distribuído pela Agência RádioWeb. O programa já está sendo divulgado em centenas de rádios Brasil afora.

As emissoras interessadas podem transmitir os informativos gratuitamente, basta se cadastrar no site da agência que já conta com mais de 1700 rádios de todo o Brasil. O primeiro programa fala sobre o Programa de Incentivo às Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) e está disponibilizado no vídeo abaixo.

Com grande satisfação a RPPN Rio das Lontras foi citada no primeiro programa. Belas notícias e longa vida ao Boletim de Rádio Ecos da Mata!





sábado, 8 de novembro de 2008

MODELO ECOLÓGICA

Talita Alink, é membro do grupo Green Models. Foto: Divulgação


Modelo ecológica põe sua imagem a serviço do meio ambiente
Talita Alink tem 17 anos e desde os 12 se preocupa com o planeta.

Dennis Barbosa
Do Globo Amazônia, em São Paulo


Ela tem apenas 17 anos, mas já tomou uma decisão: sua carreira será orientada a divulgar a necessidade de se proteger o meio ambiente. Por causa disso, a jovem modelo Talita Alink, natural de Petrópolis (RJ), se define como uma “eco-modelo”.


Ainda este mês, ela estará na Califórnia para participar de um evento com governadores americanos , representando o projeto Green Models, que nomeia embaixadoras para diversas bandeiras ambientalistas. Sua criação foi em janeiro de 2008 e hoje o grupo conta com Adriana Lima, Naomi Campbell, Raica Oliveira, Priscila Fantin e Natalia Anderle entre seus membros, segundo os organizadores.

Globo Amazônia: O que será a reunião de que você participará este mês na Califórnia?
Talita: Estarei em Beverly Hills para participar de um evento sobre o clima global idealizado por Arnold Schwarzenegger, governador da Califórnia, que contará com a presença dos 50 governadores americanos, além de líderes de governo e corporações. No dia 18, o governador do Amazonas, Eduardo Braga, fará uma palestra e se encontrará com Schwarzenegger para a assinatura de um acordo bilateral para a difusão da energia renovável.

Globo Amazônia: Você acompanha o desmatamento na Amazônia?
Talita: Sim, e me atualizo sempre que recebo algum alerta sobre o assunto. É incrível o efeito das ações inconseqüentes dos seres humanos. Nos EUA por exemplo, 95% das florestas ancestrais já desapareceram.

Globo Amazônia: O que define uma eco-modelo e a diferencia da modelo comum?
Talita: O que define um eco-humano é o desenvolvimento de sua consciência ambiental. Então podemos dizer que vale para qualquer segmento, como modelos, professores etc. Eu, por exemplo, sou uma pessoa comum, com uma vida comum, porém tenho hábitos diários que me diferenciam: como alimentos orgânicos, uso água de forma racional e adoro andar de bicicleta seja para onde for - para o mercado, padaria ou na orla da praia.

Globo Amazônia: Como virou uma eco-modelo?
Talita: Eu tinha 12 anos quando escolhi fazer um trabalho sobre o meio ambiente numa feira de ciências do colégio. O convite para ser modelo veio de um grande amigo, que hoje é meu agente, Pierre Thomé de Souza, que percebeu este meu lado ecológico. Ele me apresentou ao Mario Garnero, presidente da Associação das Nações Unidas-Brasil (Anubra), e do grupo Brasilinvest.

Como eles estavam criando o projeto Green Models, que tem a modelo Adriana Lima como primeira membro-fundadora, acabei sendo convidada para ser embaixadora da Anubra para o Meio Ambiente e Aquecimento Global.



Globo Amazônia: Seus pais não gostavam da idéia de você ser modelo. Agora eles já lidam bem com o fato? Utilizar seu trabalho para divulgar a conservação da natureza os ajuda a aceitar?
Talita: No começo foi bem difícil, pois venho de uma família evangélica. O fato de as modelos trabalharem com a imagem e corpo não é aceito pelo padrão de vida evangélico. Foi um processo que tivemos que explicar de forma clara, para que eles pudessem entender o que faríamos e os benefícios destas ações para o meio ambiente.

Globo Amazônia: Você usa roupas ecologicamente corretas?
Talita: Tenho algumas peças interessantes feitas por uma grande amiga e designer, Barbara Casassola. Pretendo criar uma marca especializada em moda sustentável, com coleções feitas com fibras ecológicas, tecidos orgânicos e materiais reciclados, sem utilizar recursos que afetam o meio ambiente.

Globo Amazônia: Aceitaria tirar fotos com um casaco de pele?
Talita: Definitivamente não. Por motivos pessoais e por saber que são provenientes de animais que muitas vezes são mal-tratados.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Em 2050 seremos todos vegetarianos?

QUEM É
Jornalista especializado em economia, tecnologia e meio ambiente. Tem 54 anos

O QUE FEZ
Colaborou com a revista Harper’s Magazine e com os jornais Los Angeles Times, The Washington Post e The Guardian (de Londres), entre outros

O QUE PUBLICOU
The End of Oil (O Fim do Petróleo, 2004);
The End of Food (O Fim da Comida, 2008)



"Em 2050, seremos todos vegetarianos"


Comer menos carne é o único meio de alimentar 10 bilhões de humanos, diz o autor de "O Fim da Comida"
Peter Moon


No Ensaio Sobre O Princípio Da População, publicado em 1798, o inglês Thomas Malthus fez uma afirmação alarmante. Como a população humana crescia em progressão geométrica e a produção de alimentos em progressão aritmética, no longo prazo o saldo desse descompasso seriam a fome e o aumento da mortalidade, ajustando o tamanho da população à oferta de alimento. Em 1800, havia 1 bilhão de humanos. Hoje, somos 6,6 bilhões. A produção agrícola superou a explosão populacional. Malthus estava errado? Para o jornalista americano Paul Roberts, de 54 anos, talvez não. A hora de Malthus pode ter chegado. Em The End of Food (O Fim da Comida, editora Houghton Mifflin), Roberts prevê que, até 2050, a demanda por comida ultrapassará a oferta. Um primeiro alerta seria a atual explosão do preço dos alimentos.
A tonelada de arroz passou de US$ 400 para US$ 1.000 em cinco meses. No Brasil, o feijão subiu 168,44% em 12 meses. A culpa, para os analistas, é de chineses e indianos, que estão ganhando mais e comendo mais. Em 2030, a China importará 200 milhões de toneladas de grãos, ou seja, todo o excedente exportável mundial. O que sobrará para os países pobres? Se nada for feito, a fome.



ENTREVISTA - PAUL ROBERTS



ÉPOCA – Malthus estava certo?
Paul Roberts – Após 200 anos, é cada vez mais difícil dizer “não” a essa pergunta. Continuamos desenvolvendo novas tecnologias para produzir mais comida, mas enfrentamos novas restrições que os fazendeiros do passado não tinham. Historicamente, a forma de aumentar a produção era expandir a área plantada. Isso é cada vez mais difícil. A maioria das terras aráveis do planeta já é usada e a maior parte do que resta são as últimas florestas. É o caso do Brasil, onde as novas áreas de plantio são obtidas à custa da derrubada de florestas.

ÉPOCA – É hora de outra Revolução Verde?
Roberts – A Primeira Revolução Verde, que transformou a agricultura entre os anos 40 e 60, multiplicou a produção de alimentos graças ao uso de fertilizantes e ao desenvolvimento de novas sementes. Ainda é possível aumentar a produtividade usando os transgênicos. Mas essa tecnologia tem seus limites. Não podemos também esquecer que o preço da energia está subindo e que a agricultura moderna foi pensada no tempo em que o barril de petróleo custava US$ 20. Caso o preço se estabilize entre US$ 125 e US$ 200, o sistema atual não se sustenta.

ÉPOCA – O que fazer?
Roberts – Há três grandes desafios para criar uma Segunda Revolução Verde. O primeiro é o aumento do preço do gás natural, o principal insumo na produção de nitrogênio sintético, que por sua vez é o maior insumo dos fertilizantes. A maior parte do excedente agrícola atual se deve à disponibilidade de nitrogênio barato. Se o preço dos fertilizantes se mantiver elevado, alimentar daqui a 50 anos outros 4 bilhões de pessoas, além dos 6,6 bilhões atuais, será um tremendo desafio. É preciso alternativas para produzir novos fertilizantes.

ÉPOCA – O segundo desafio é...
Roberts – A falta d’água. Para isso não existe alternativa. Não há continente onde não falte água. Cada país responde ao desafio de forma diferente. A China está substituindo a produção de grãos, que usa irrigação maciça, pela de frutas e verduras, que consome menos água. Em 2007, importou 30 milhões de toneladas de soja, boa parte oriunda do Brasil. Isso significa que a China está importando de vocês sua água. Está ocorrendo uma mudança no “mercado virtual” de água. Por algum tempo, isso deve contrabalançar a escassez. Mas, no fim das contas, não existe água suficiente no mundo para atender ao aumento projetado na demanda de alimentos.

ÉPOCA – E o terceiro?
Roberts – O último é o maior de todos: as mudanças climáticas. Elas vão dificultar o aumento na produção de comida e acentuar a escassez de água. A alteração do clima também será um desafio para que grandes exportadores, como os Estados Unidos e o Canadá, consigam elevar sua produção. Os desafios são complexos e as respostas para eles também. Será preciso reduzir o uso de energia e de água na agricultura, ao mesmo tempo que se elevam a eficiência e a produtividade. Porém, isso não será o bastante. Seremos obrigados a comer menos.

ÉPOCA – A Terra pode alimentar 2,5 bilhões de bocas com uma dieta ocidental, rica em carne, ou 20 bilhões de vegetarianos. Mas somos 6,6 bilhões...
Roberts – A pecuária e a avicultura consomem grande parte da produção de grãos. Tome o exemplo dos Estados Unidos, com um consumo anual per capita de 100 quilos de carne, comparado ao da Índia, com 15 quilos. É preciso elevar o consumo da Índia e desencorajar o consumo nos Estados Unidos e na Europa, para tentar atingir uma média global de consumo mais justa e sustentável.

ÉPOCA – Isso não é utopia?
Roberts – É preciso reduzir o consumo de carne. A questão é como fazê-lo. Nos Estados Unidos não se toca no assunto. Achamos que comer carne é um direito eterno. Seu consumo é considerado um índice de prosperidade – apesar dos problemas de saúde, como doenças cardíacas, que seu consumo acarreta.

ÉPOCA – No Brasil, é a mesma coisa.
Roberts – O Brasil está se desenvolvendo, e a lógica pressupõe que num país bem-sucedido come-se tanta carne quanto se deseja. Para inverter essa lógica, é preciso um líder corajoso e habilidoso. Essa não é uma prioridade dos candidatos à Presidência dos Estados Unidos. Cedo ou tarde, essa discussão terá de ser atacada.

"Como dizer a 1,3 bilhão de chineses que eles devem comer menos
carne, se isso tem sido um objetivo humano por milhares de anos?"


ÉPOCA – Barack Obama e John McCain têm opinião a respeito?
Roberts – Não sei. Não é uma questão que eles levantariam na campanha. Não soaria como algo patriótico.

ÉPOCA – O aumento do preço da comida ameaça elevar em 100 milhões o total de 862 milhões de famintos no planeta. Mas há 1 bilhão de pessoas com sobrepeso. O problema da humanidade é a fome ou o diabetes?
Roberts – Ambos são problemas. Se fosse forçado a escolher, priorizaria a subnutrição, pois ela mata as pessoas muito mais cedo, e sua solução contribuiria para a estabilidade do clima. Dito isso, se fracassarmos em lidar com a questão da obesidade, no longo prazo pagaremos um enorme preço na forma de despesas médicas. Por 200 mil anos, a espécie humana teve sua dieta restrita pela disponibilidade ou não de alimento. A invenção da agricultura, há 10 mil anos, mudou esse padrão. A obesidade é conseqüência do acesso a uma alimentação farta e barata. Para manter uma dieta saudável, é preciso disciplina, e nós não fomos biologicamente projetados para controlar nossa gula.

ÉPOCA – O Brasil será o celeiro do mundo à custa da destruição da Amazônia?
Roberts – Apesar de conhecermos as conseqüências científicas e ambientais da rápida expansão da agricultura, somos incapazes de resistir à pressão política e econômica. Na imprensa econômica americana, o Brasil é retratado como uma história de sucesso. O país será uma superpotência na produção de alimentos. No entanto, quando olhamos as publicações científicas, o Brasil é retratado em termos muito negativos. A lógica gira em torno do fato de a população chinesa ganhar hoje o suficiente para comer carne, o que leva à destruição das florestas no Brasil. A questão fundamental é: como dizer a 1,3 bilhão de chineses que eles devem comer menos carne, se comer carne tem sido um objetivo humano por milhares de anos?

ÉPOCA – Seu livro anterior se chamava O Fim do Petróleo. O atual é O Fim da Comida. Qual será o próximo, o fim da água? O fim da natureza? O fim da esperança?
Roberts – (Risos.) Vou trabalhar num livro sobre as finanças globais, outro desastre. O mercado financeiro é a chave de tudo. Nada do que conversamos, como a conversão de florestas em área de cultivo no Brasil, pode acontecer sem a ajuda dos mercados financeiros. Eles estão em crise. São uma faca de dois gumes que é preciso entender melhor.

ÉPOCA – O senhor é otimista com o futuro?
Roberts – Acho que sou. Ao dissecar a questão da escassez de recursos, aprendi como as coisas podem se tornar ruins. Eu sei qual é o pior cenário possível se não alterarmos a rota na qual caminhamos. Com isso em mente, acredito que qualquer mudança será para melhor. É muito fácil ser pessimista, mas isso não faria o menor sentido. A humanidade sempre conviveu com a escassez. Essa é a condição humana.



Fonte: Revista Época

terça-feira, 3 de junho de 2008

Miriam Leitão entrevista Blairo Maggi

Ela é está se especializando em entrevistar os maiores inimigos do meio ambiente no Brasil e deixá-los numa saia justa com suas perguntas diretas, francas e extremamente pertinentes.
Miriam Leitão coloca o Governador de Mato Grosso, plantador de soja e campeão de desmatamento, o ganhador do prêmio Moto serra de Ouro Blairo Maggi.
Vale assistir e ver o encurralado Maggi e suas respostas cínicas.





Para assistir entrevista da Miriam Leitão com Eike Batista CLIQUE AQUI!

quinta-feira, 27 de março de 2008

Casamento produz 20 toneladas de resíduos

Linha de produção de indústria de folheados a ouro em Limeira, em São Paulo

'Um anel de casamento produz 20 toneladas de resíduos'
O alto preço em dólar do ouro não é o único custo: a mineração do metal precioso ao redor do mundo causa uma perda significativa de terras, contaminação das águas e deixa resíduos tóxicos que freqüentemente vão parar no oceano. O especialista Keith Slack exige métodos mais limpos de mineração

Cordula Meyer

Spiegel - Qual é o impacto do alto preço do ouro sobre a mineração deste metal precioso?
Slack - Ele levou a uma situação onde há mais e mais minas ao redor do mundo, também em regiões da África, América Latina e Ásia que não eram afetadas até agora. E o governo destes países e regiões em geral não lidam de forma particularmente eficaz com as empresas mineradoras.

Spiegel - O que você quer dizer com isso?
Slack - Não há padrões ambientais apropriados, não há leis suficientes capazes de proteger os direitos dos moradores locais. Veja a Guatemala, por exemplo, onde os direitos dos povos indígenas, que vivem nas áreas de mineração, não são levados em consideração. As minas se espalham por vastas áreas, assim como por locais sagrados destes povos. Elas podem chegar a dois quilômetros de largura e um quilômetro de extensão, sendo possível até mesmo vê-las do espaço. Mas assim que a terra é perdida, ela está destruída para sempre.

Spiegel - Ela nunca mais pode ser usada depois que o ouro é extraído?
Slack - Quantidades enormes de substâncias químicas venenosas são usadas, particularmente o cianeto, que separa o ouro da pedra. Estima-se que as minas de ouro em todo mundo usem 182 mil toneladas de cianeto por ano -uma quantidade gigantesca.

Spiegel - O cianeto é altamente tóxico. Quais são as conseqüências para o meio ambiente?
Slack - Ele vai parar nos rios assim como nas águas subterrâneas e pode matar os peixes. A água deixa de ser potável ou utilizável para irrigação agrícola. Às vezes faltam até mesmo padrões mínimos. Na Indonésia, os resíduos tóxicos da mineração são simplesmente despejados no oceano.

Spiegel - O que você está tentando fazer a respeito?
Slack - Nós queremos que as empresas de mineração obtenham a aprovação dos moradores locais antes de abrirem uma mina. Não é preciso dizer, as empresas não estão particularmente dispostas a fazê-lo.

Spiegel - Isso não soa particularmente eficaz.
Slack - Provavelmente é o meio mais eficaz que dispomos. Atualmente há uma disputa ocorrendo em Nevada, onde uma empresa deseja transformar o monte sagrado dos índios Shoshoni em uma mina, e eles estão resistindo. Logo, isto não acontece apenas nos países em desenvolvimento.

Spiegel - Onde os problemas com minas estão particularmente concentrados?
Slack - Em Gana, uma única mina deslocou permanentemente 10 mil pessoas de suas terras. Outro exemplo é o Peru, um dos mais importantes países exportadores do metal. O governo dali não é muito eficaz na regulação das minas. Freqüentemente os moradores locais ficam completamente por conta própria.

Spiegel - Mas o que é possível esperar se até os governos fracassam em conseguir algo?
Slack - As pessoas sabem quais os efeitos que as minas causam, elas trocam experiências com outras em situações semelhantes em todo o mundo e oferecem resistência. Quando a mineradora Numont quis expandir a maior mina de ouro do mundo, no norte do Peru, em 2004, mais de 10 mil pessoas protestaram e bloquearam as estradas de acesso, forçando o fechamento temporário da mina.

Spiegel - Também não é possível que as minas possam trazer os empregos necessários para as regiões rurais pobres?
Slack - A maioria das grandes minas modernas fica na superfície e emprega apenas poucas pessoas. As minas podem ser altamente lucrativas, mas os moradores locais raramente vêem quaisquer benefícios. E, é claro, também há os problemas com as condições de trabalho e os baixos salários nas minas.

Spiegel - As minas operam de forma semelhante em todo o mundo?
Slack - Nós estamos particularmente preocupados porque há claramente dois pesos e duas medidas. Na Europa e nos Estados Unidos, as empresas nunca exibiriam o comportamento com que escapam impunes nos países em desenvolvimento.

Spiegel - Quanto resíduo é produzido para extrair ouro suficiente para um anel de casamento?
Slack - Isto produz 20 toneladas de resíduos.

Spiegel - Isto é apenas rocha solta que pode ser removida para outro lugar, ou é resíduo tóxico?
Slack - O problema é que a rocha tratada com cianeto, quando exposta ao ar, produzirá ácidos sulfúricos, como aqueles contidos nas baterias dos automóveis. Este processo continua para sempre e pode contaminar permanentemente a água subterrânea. Até mesmo as minas operadas pelos romanos onde atualmente é a França ainda emanam estas substâncias.

Spiegel - Isto soa tão problemático quanto o próprio cianeto.
Slack - É um problema ainda maior.

Spiegel - E que conselho você dá aos consumidores, que não estão necessariamente cientes dos danos ambientais e sociais causados pelo ouro que compram?
Slack - Nós estamos tentando cooperar com grande joalheiros e mineradoras para introduzir um ouro certificado que é produzido segundo padrões ambientais e de direitos humanos mais elevados. que poderiam ser semelhantes aos padrões aplicados a alimentos orgânicos e produtos de "fair trade" (comércio justo). Até o momento, nada assim existe para o ouro.

Tradução: George El Khouri Andolfato
Visite o site do Der Spiegel

domingo, 13 de janeiro de 2008

SUPER PAPO: Adam Werbach


A revista Superinteressante deste mês traz uma entrevista com o ambientalista Adam Werbach, que merece ser lida:


Adam Werbach, ex-presidente da Sierra Club, a organização de defesa do ambiente mais antiga nos Estados Unidos, declarou guerra, desde 2004, ao modo de actuação das organizações ambientais. Apesar das acções imaginativas produzirem bons resultados mediáticos, o ambientalista acredita que essa estratégia é curta para alterar as mentalidades e os modos de vida das populações. É preciso maior aproximação e maior compromisso.

Super Papo
Conversas Bacanas

Ecologia como auto-ajuda
O ambientalista Adam Werbach conta por que foi trabalhar para grandes empresas e afirma: Lutar pelo planeta é lutar para melhorar a própria vida.
Por Pedro Burgos

Até comparecer a um jantar no fim de 2004, Adam Werbach era o rosto mais emblemático do movimento ambientalista americano: jovem, cheio de energia e radical. Até que, diante de 250 dos mais importantes ambientalistas dos EUA, ele fez um discurso de 31 páginas que deixou a platéia boquiaberta. “Quem acha que nosso trabalho é proteger ‘coisas’, como parques e árvores não entende nada”, disse. “Que tal pararmos de tratar o aquecimento global como problema ambiental e falarmos de suas oportunidades econômicas?”.
Werbach considera que o discurso foi um marco do amadurecimento de Werbach – para a maioria da audiência, porém, foi o dia em que ele virou a casaca. Não que tenha se distanciado demais dos amigos – ainda é um dos 6 conselheiros mundiais do Greenpeace. Mas agora prefere agir a seu modo: trabalha junto de megacorporações, justamente as mais poluidoras, como o Wal-Mart. Para ele, em vez de propor taxas e multas pela emissão de carbono, o melhor é tentar mudar hábitos de quem trabalha nessas empresas. Em entrevista á Super, ele afirma que o caminho para a felicidade pessoal passa pelo cuidado ecológico. Uma espécie de auto-ajuda ambiental.


Por que você resolveu sair do ambientalismo tradicional para trabalhar em uma megacorporação como a Wal-Mart?
O Wal-Mart colocou para si mesmo ambiciosos objetivos sustentáveis – usar 100% de energia renovável, tratar todo o lixo, vender mais produtos verdes. A única maneira de tornar isso realidade é fazer com que todas as pessoas que trabalham na empresa se sintam parte da missão. Eu achei que poderia ajudá-los. O que fazermos é desenvolver para cada funcionário um “Projeto de Sustentabilidade Pessoal” (PSP) onde cada um, se quiser, tem uma chance de realizar práticas mais sustentáveis.

Entre esses objetivos pessoais a que você se refere estão fumar, reduzir peso...O que isso tem a ver com o ambiente?
Para a maioria das pessoas, quando você fala de sustentabilidade pessoal, elas vão primeiro pensar em si próprias. Essa é a base do nosso pensamento. A partir de pequenas ações do dia-a-dia, elas vão procurar formas de resolver os grandes problemas do planeta. Faz sentido, por exemplo, começar a pensar em passar mais tempo com sua família seguindo o raciocínio “eu não posso pensar em aquecimento global enquanto não passar mais tempo com meu filho”. Precisamos prestar a atenção nessas prioridades.

Uma espécie de auto-ajuda ecológica?
O movimento que estou envolvido é o da sustentabilidade, onde as pessoas estão no centro. É um conceito mais amplo que o de ambiente. A sustentabilidade é uma boa moldura para pensarmos como lidar com os desafios da nossa vida. Uma vez que começa a, por exemplo, desligar luzes e aparelhos eletrônicos de sua casa antes de sair, começa a estabelecer ordem na sua vida, nos problemas que tem. Se eu conseguir me disciplinar para reciclar uma lata toda vez que eu bebo, vou prestar mais atenção no que como. Parar de fumar ou perder peso são ótimos jeitos de lutar por um mundo sustentável. Nós estamos destruindo o planeta, e esse tipo de comportamento nem ao menos nos faz felizes. É só você ver quanto mais feliz você está ficando por quilo de carbono consumido.

É possível fazer essa conta?
Sim. Governos ou ativistas não podem fazer essa conta, mas cada indivíduo sim. Veja o caso dos países historicamente poluidores, como os da Europa. Há um bocado de gente rica e descontente. A questão não é se vamos piorar nossa qualidade de vida, mas como melhorá-la sem usar a desculpa do carbono como razão disso.

Você começou a se diferenciar do movimento quando criticou os ambientalistas por chamarem o aquecimento global de um “problema de poluição”. O que a de errado nisso?
Para combater a poluição, você faz pressão para que sejam aprovadas as leis que proíbem algum tipo de emissão, e as pessoas e empresas são obrigadas a parar de emitir. A questão do aquecimento global é outra história, é onipresente, está em todas as partes da economia, em tudo que fazemos, no transporte, nas construções, na agricultura... Quando se fala de poluição, há tipos específicos de táticas e ferramentas que não são usadas de maneira efetiva. Precisamos pensar o problema como um todo, já que é necessário reescrever totalmente a economia, “descarbonizar” o mundo.

Alguns de seus companheiros antigos dizem que você mudou de lado, indo trabalhar em uma empresa grande. O que você acha disso?
Trocar de lado é forte. Eu não o fiz. É uma visão muito pequena pensar no mundo como uma luta do bem contra o mal. A questão mais importante é saber como fazer as mudanças e como colocar as grandes instituições, mais influentes, trabalhando na mesma direção.

As empresas também estão enxergando o aquecimento global como uma oportunidade comercial?
Sim, há uma enorme variedade de oportunidades. Um emergente mercado de produtos que vão de orgânicos a qualquer um que tenha a etiqueta de “verde”. Os empresários começaram a perceber também que podem diminuir seus custos adotando práticas sustentáveis, como reduzir a conta de luz, aumentar a eficiência dos carros, diminuir o lixo que produzem. E há, é claro, a questão da produtividade: as pessoas mais felizes produzem mais.

Um discurso comum entre os chamados “ecochatos” é que as grandes empresas são “do mal”. O movimento ambientalista poderia tentar dialogar com elas?
Sim, é claro. Mas você precisa de organizações fiscalizadoras, que fiquem de fora. O Greenpeace, por exemplo, tem conseguido sucesso em vários campos. Eles usam táticas diferentes – com quem nem sempre concordo. O Greenpeace trabalha necessariamente fora das empresas; eu trabalho para elas. Mesmo assim, é uma organização que não recebe dinheiro de outras companhias ou de governos, não se envolve em política. Essa credibilidade é bastante útil.

O que você achou da premiação de Al Gore com o Prêmio Nobel e o Oscar?
Achei ótimo, merecida. Não teremos um vice-presidente assim em um bom tempo. Ele é uma pessoa fundamental nessa mudança de ânimos agora. Al Gore não trouxe nenhuma informação nova e radical para as pessoas, mas produziu um efeito catalizador muito forte. Ele pinta cenários assustadores, mas, para resolvermos os problemas, temos que nos concentrar neles. Se ignorarmos e ficarmos com medo, não vamos resolver nada.

Você já disse que o movimento ambientalista, em geral, fracassa ao tentar assustar as pessoas com o futuro da terra.
Os ecologistas não fazem só isso. Estive no Brasil dois meses atrás com o Greenpeace. Estávamos trabalhando com comunidades do Tapajós, onde a organização está ajudando as comunidades a serem auto-sustentáveis. Não estamos assustando ninguém, só dizendo que é preciso preservar a floresta Amazônica, e ajudando-os a fazer isso. É uma oportunidade, não uma ameaça.

Foi a primeira vez no Brasil?
Sim, a experiência foi incrível. Apesar de ter lidado com a natureza a minha vida toda, o encontro com a imensidão da floresta Amazônica foi algo espiritual para mim. Um momento que pude aprender muito para a minha vida.

De fora, como você avalia a atuação do Brasil na proteção do ambiente?
O mundo está observando o Brasil. A ministra [Marina Silva, ministra do Meio Ambiente] é muito respeitada por aqui. Mas o país ainda tem muitos desafios. Do ponto de vista da sustentabilidade, a pontos bons e ruins. O Brasil é uma nação que ainda está em desenvolvimento, com milhões de pessoas sem uma condição econômica básica. Ao mesmo tempo, a áreas superdesenvolvidas, mas desenvolvidas que cidades americanas.

Carl Pop, do Sierra Club [organização conservacionista americana com 600 mil membros], disse que o movimento ambiental usa soluções do século 20 para problemas do século 21. O que isso quer dizer?
É engraçado ele dizer isso, já que o Carl Pop é um dos mais importantes líderes do movimento tradicional. Mas eu concordo. O ambientalismo tradicional – do qual eu tento me distanciar – falha em alcançar uma parcela imensa da população mundial que ainda aspira a ser de classe média, a maior parte do globo. Ainda não temos resposta para as pessoas que têm o consumo como maior necessidade.

Você lida com essas questões desde os 7 anos de idade. Como inspirar pessoas jovens?
Inspirar as pessoas é ouvir quais são as suas idéias e colocá-las no centro. Muitos adultos acham que estão ajudando os jovens dizendo que eles devem pensar. Besteira. O melhor é só ouvir a molecada. Os jovens tem inspiração, o que não têm, freqüentemente, é a auto confiança.

Você é otimista quanto ao futuro do planeta?
Sim, muitíssimo otimista. Na verdade sou mais hoje que em toda a minha vida. Estou nesse trabalho a muito tempo e a agora vejo as coisas mudando. Isso tem a ver com uma nova mentalidade. Antes, pensávamos só em proteger a floresta Amazônica. Hoje, já vemos oportunidades em trabalhar nela. É um entendimento bem mais sofisticado.

"Parar de fumar ou perder peso são ótimos jeitos de lutar por um mundo mais verde"

TRABALHANDO PARA O INIMIGO:
Em seus primeiros 30 anos de vida, Adam Werbach foi só uma vez a Wal-Mart. Tinha ódio da gigante que definiu, em um livro escrito em 1997 (Act Now, Apologize Later, “Aja Agora, Desculpe-se Depois”, sem edição brasileira) como um “vírus infeccionando e destruindo a cultura americana”. A gigante mundial de supermercados é a maior companhia do mundo em faturamento: US$ 351 bilhões, mais de um terço do PIB Brasileiro, e é constantemente acusada de maltratar fornecedores, empregados e emitir 250 milhões de toneladas de gases do efeito estufa por ano. Por ironia, o Wal-Mart virou o maior cliente da Act Now, consultoria de Adam, e a bandeira para sua nova forma de trabalhar. A decisão de aceitar o trabalho não foi fácil – ele diz que ficou quase um ano pensando até topar. Foi bastante criticado por ambientalistas, dizendo que estava vendendo seu prestígio para dar uma cara melhor à empresa. Ele não deu ouvidos e começou o trabalho. O plano é simples: Adam reúne grupos de funcionários de cada uma das lojas (o Wal-Mart tem cerca de 1,3 milhão de funcionários diretos) e ajuda a desenvolver planos (voluntários) para melhorar a vida. Cerca de metade dos participantes está seguindo a sua cartilha – e 12 mil trabalhadores já pararam de fumar – iniciativa-padrão da revolução ecológica de Adam.

ADAM WERBACH:
*Mora em São Francisco (EUA) com sua mulher e duas filhas.
*Quando tinha 7 anos, checava a qualidade do ar antes de ir para os treinos de beisebol. Entrou no Greenpeace aos 13.
*Em 1995, fundou a Sierra Student Coalition, hoje com 30 mil membros. Dois anos depois virou presidente presidente do próprio Sierra Club, maior organização ambiental dos EUA.
*Foi vegetariano por 20 anos. Voltou a comer carne, coincidentemente ao trabalhar para o Wal-Mart.*Acha a cidade de Curitiba um exemplo mundial de Sustentabilidade.
Fonte: Revista Superinteressante
Digitalização: Fernanda de Souza Pimentel Teixeira

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Fatos e fosfatos

Serra do Rio do Pinheiro coberta pela luxuriante floresta que será destruída com o Projeto Anitápolis.

Dia 24 de outubro passado houve, segundo matéria de uma publicação local, uma “reunião” da “Indústria de Fosfatos Catarinense Ltda.” para prestação de esclarecimentos à comunidade da cidade de Rancho Queimado sobre a mina de fosfato que eles querem implantar na cidade vizinha de Anitápolis.
Segundo essa mesma nota, os moradores de Rancho Queimado “não tinha muitas informações sobre o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), que teve entrada na Fundação Estadual de Meio Ambiente (FATMA) em maio de 2006”.
Para apresentar o Projeto e prestar esclarecimentos a IFC designou um representante jurídico, um engenheiro de minas (da empresa paulista que elaborou o EIA/RIMA) e o engenheiro civil gerente do projeto. Também estavam presentes os prefeitos das duas cidades, vereadores, comerciantes e estudantes.


Houve certamente a apresentação do projeto e as devidas explicações pela ótica empresarial, na visão capitalista do uso dos recursos naturais a qualquer custo, sem nenhuma preocupação concreta com os moradores da linda região e as conseqüências preocupantes e desastrosas que um empreendimento desse porte deverá ocasionar para o meio ambiente.

Mas segundo informações de pessoas que presenciaram a reunião, os apresentadores foram deselegantes e até grosseiros com agricultores locais que se mostraram contrários ao projeto. Também houve pressão política junto às comunidades para que não se pronunciassem desfavoravelmente.

Veja a entrevista que fizemos com o biólogo PHD Jorge Albuquerque em março desse ano e que foi publicada no Jornal O Tropeiro:


Fernando José Pimentel Teixeira
Christiane de Souza Pimentel Teixeira
RPPN Rio das Lontras

Ele possui graduação em Bacharelado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal da Paraíba (1981), mestrado em Zoologia - Brigham Young University, nos Estados Unidos (1984) e Doutorado em Genética e Biologia Molecular pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1996). Atualmente é o presidente da Associação Montanha Viva. Tem experiência na área de Ecologia, com ênfase em Biologia da Conservação, atuando principalmente os temas conservação, aves de rapina, aves florestais, avifauna e floresta atlântica.


O Dr. Jorge Albuquerque tem chamado a atenção da mídia pela polêmica de uma possível instalação de uma mineradora de Fosfato na cidade de Anitápolis, o que poderá ser um enorme problema ambiental e social. Em sua página na internet ele dá nome aos bois e aponta os altos riscos dessa tentativa um tanto questionável – para dizer o mínimo! É com ele nossa conversa sobre os delírios governamentais.







Fernando e Chris: Qual o real perigo que representará a construção de uma empresa exploradora de fosfato aos moradores da cidade de Anitápolis e região?
Jorge Albuquerque:Toda atividade de mineração envolve grandes danos ambientais. Os danos mais evidentes estão associados a destruição e descaracterização do ambiente. Exemplos: região de mineração no sul catarinense (a paisagem de solo lunar de Criciúma) e as fosfateiras em atividade em Minas gerais e sul de São Paulo.

Fernando e Chris: A região tem um relevo acidentado e você diz que o projeto da fosfateira prevê duas barragens com rejeitos da prospecção. É possível imaginar os danos de um rompimento como o que ocorreu recentemente na cidade mineira de Muriaé?
Jorge Albuquerque: O EIA- RIMA (Estudo e Relatório de Impacto Ambiental) apresentado pela Companhia Fosfateira catarinense ao Ministério Publico Federal descreve duas barragens construídas com o rejeito da lavra do fosfato nas encostas da Serra do Rio do Pinheiro. Este rejeito pode conter diversos elementos químicos potencialmente tóxicos. Os rejeitos do fosfato em outras regiões do mundo apresentam selênio, cádmio e outros elementos radioativos que em altas concentrações podem se tornar um sério problema ambiental e de saúde pública. Estas barragens previstas na fosfateira de Anitápolis terão, caso aprovado o empreendimento, a altura de 80 metros acima do nível do Rio do Pinheiro. A região de Anitápolis e a sua proximidade da Serra Geral é sujeita a uma significativa precipitação de chuvas. Imaginando um cenário de muita chuva, poderíamos ter um desastre em potencial que poderia causar a erosão das barragens da fosfateira como aconteceu em Muriaé.
A cidade de Anitápolis fica a cerca de 10 km da lavra e mais ao sul temos Santa Rosa de Lima e outros municípios servidos pela bacia do Rio Braço do Norte. Caso aconteça algo similar ao acontecido em Muriaé, as perspectivas de um desastre ambiental e social são muito grandes.

Fernando e Chris: Na hipótese de uma catástrofe ambiental com os rejeitos radioativos se espalhando pela bacia do Rio Braço do Norte, quais as conseqüências?
Jorge Albuquerque: Casos onde fosfateiras causaram danos ambientais sérios estão registrados na mídia internacional. No estado americano de Idaho o rejeito da fosfateira colocou quantidade muito grande de selênio no ambiente, causando contaminação ao solo e comprometendo a agricultura. Os produtos agrícolas desta região não puderam ser consumidos e o prejuízo econômico foi enorme. Este mesmo selênio contaminou a carne de ovelhas que pastaram na região, tornando esta carne imprópria ao consumo humano.


“O fosfato produzido na mineradora de Anitápolis irá abastecer de fertilizantes as monoculturas de soja e milho dos grandes plantadores, trazendo lucros a poucos em detrimento de muitos que ingressam na miséria ano após ano, vindo a aumentar os cordões da miséria em grandes centros.”

F
ernando e Chris: Geralmente é utilizado o expediente na defesa da empresa a idéia de que ela vai gerar empregos. É possível acreditar nesse pobre argumento?
Jorge Albuquerque: Pelo EIA-RIMA da empresa, os empregos serão para trabalhadores específicos, de fora da região, portanto não auxiliarão a comunidade com empregos diretos. Mesmo considerando que estas pessoas possam trazer mais empregos indiretos a comunidade, o custo dos danos ambientais e a saúde pública serão maiores que os ganhos em empregos, fora a destruição irreversível da área da mineração, que, mesmo após o encerramento de suas atividades não poderá ser utilizada na agricultura nem para qualquer outra atividade.

Fernando e Chris: A região é de grande importância ambiental. Pode dar exemplos dessa riqueza natural?
Jorge Albuquerque: A região de Anitápolis é uma das regiões mais importantes em termos de conservação dos recursos paisagísticos e de biodiversidade no sul do Brasil, pois se encontra em um corredor ecológico unindo a Serra Geral e a do Tabuleiro. Espécies raras como a Canela Preta, o Gavião Real-falso podem ser encontrados no Rio do Pinheiro. Anfíbios muito raros foram registrados na área pretendida pelo empreendedor.

Fernando e Chris: Em que situação se encontra o processo da criação dessa mineradora?
Jorge Albuquerque: Não tenho conhecimento sobre isso, mas creio que deva estar em pleno vapor na direção da obtenção de sua licença ambiental, pois o lobby governamental para isso é intenso e eficiente, mas não creio que seja mais eficiente que a força do cidadão consciente.

Fernando e Chris: Se fosse possível dar um recado sobre esse assunto a cada um dos moradores da região, o que diria?
Jorge Albuquerque: Amigos, vocês vivem em uma região riquíssima. A agricultura familiar poderia ser melhor explorada e gerar mais dividendos, empregos e recursos a região. A idéia apresentada pelo governo do estado através de seu Projeto Anitápolis é realmente tentadora, mas veja da seguinte forma: Pelo projeto da mineradora, a exploração da jazida de fosfato no Rio do Pinheiro terá a duração de 33 anos. Após esta data, a serra do Pinheiro estará em ruínas e a região seriamente devastada. Considerando a possibilidade de desastres ambientais como o ocorrido em Muriaé, as perspectivas não são nada boas.
Imaginem que suas crianças e vocês mesmos e outros moradores da região estarão expostos aos efeitos nocivos e não declarados pela empresa, mas presentes nos relatórios internacionais sobre danos ao ambiente e a saúde causados pela mineração.
É necessário diversificar e buscar mais ajuda na melhora da produção da agricultura familiar.
Não se deixem levar pela sedução dos governantes, estes duram 4 anos e suas vidas e as de seus familiares duram muito mais que isso.

Mais informações acesse: www.mataatlanticasc.blogspot.com