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sábado, 18 de maio de 2013

A ÚLTIMA ONÇA-PINTADA EM SANTA CATARINA

A morte da última pintada da serra catarinense
 
 A onça, já morta, é transportada pelas ruas de Urubici
 
A última onça-pintada (Panthera onca) do planalto serrano catarinense foi morta na tarde de 29 de janeiro de 1972, na fazenda da Pedra Branca, no interior de Urubici. Estava na mira do capataz da fazenda desde a noite anterior, quando havia desossado um cavalo a poucos metros da propriedade.
Ela morreu brigando: antes de cair dura no chão, vítima de um disparo certeiro no coração, a onça de 84 kg, um metro e meio de comprimento e 55 centímetros de cauda desferiu uma patada, na parte esquerda do rosto do capataz, que o marcou para toda a vida.
 
O destino da onça-pintada foi selado pelo padre João Alfredo Rohr, considerado o pai da arqueologia catarinense. Além dos estudos com resquícios de sambaquis ao longo do litoral do estado, pelo qual levou a fama, padre Rohr seguia o ofício, tradicional entre missionários jesuítas, de empalhar de animais silvestres.
 
Ele comprou a carcaça da onça para que, depois de empalhada, virasse objeto de pesquisa dos três mil estudantes por ano que visitam o museu de história natural que leva o nome do pároco, no sótão do Colégio Catarinense, em Florianópolis.
 
Dez anos mais tarde apareceria a última pintada em liberdade em Santa Catarina, encontrada no município de Rio Negrinho, na divisa com o Paraná, para ter destino semelhante ao da onça de Urubici: ser morta e empalhada por um caçador que, como Ermelino, não fazia idéia da importância da preservação dos maiores predadores da região até então.
 
Apesar de já terem habitado toda a região, há poucos registros no sul do Brasil de onças-pintadas, felino imortalizado em contos de Guimarães Rosa, como Meu Tio, O Iuauretê. Até os anos 40, as pintadas eram alvo fácil de caçadores contratados por fazendeiros para "desonçar" a região, assim como Preto Tiodoro na história de Guimarães Rosa, e Ermelino, em Urubici.
 
A caça e a derrubada das matas nativas aceleraram sua extinção nas décadas seguintes. Desde os anos 1990, as pintadas em liberdade são vistas circulando por regiões da serra do Mar e do Parque do Iguaçu, ambos no Paraná, e pelo Parque do Turvo, no noroeste do Rio Grande do Sul, apenas em fotografias tiradas no meio do mato.
 
Há um corredor ecológico ligando as onças gaúchas e paranaenses, que viajam pela Argentina, ao largo do território catarinense, em busca de novos territórios. As pintadas não entram mais em Santa Catarina devido ao grau de devastação das florestas originais de Mata Atlântica no oeste do estado, que deram espaço para a exploração agrária da região, conhecido celeiro agrícola devido à produção de cereais e suínos.


Fonte: Matéria publicada em setembro de 2008 / ClicRBS
Foto: Orquiso Rei de Oliveira, Divulgação

quinta-feira, 11 de abril de 2013

GATOS EXTERMINADORES

O que fazer com cães e gatos que dizimam espécies nativas em reservas naturais?

Em muitos países, a solução adotada é o extermínio

Fonte: ÉPOCA


BOM CAÇADOR
Flagrante de um gato no ato de atacar uma ave. Estima-se que um felino desses mate 80 animais por ano (Foto: Claudius Thiriet/Gamma-Rapho/Getty Images)


Diante de um cãozinho simpático ou um gato dengoso, quem ama os animais em geral só tem bons sentimentos. É difícil imaginar que esses bichinhos, especialmente se fazem parte de nosso convívio, representam algum perigo ambiental. Se entrarem indevidamente em áreas naturais, porém, tanto cães quanto gatos se transformam em perigosos predadores da vida selvagem. É o que ocorre hoje nas unidades de conservação em várias partes do mundo, principalmente no Brasil. Dentro de parques nacionais ou de reservas biológicas, bichos que contam com nossa simpatia exterminam populações inteiras de espécies nativas de aves, lagartos ou pequenos mamíferos. Predadores trazidos por mãos humanas são a segunda maior causa de extinção de espécies nativas no mundo. Perdem apenas para a supressão dos hábitats.

Diante de um cãozinho simpático ou um gato dengoso, quem ama os animais em geral só tem bons sentimentos. É difícil imaginar que esses bichinhos, especialmente se fazem parte de nosso convívio, representam algum perigo ambiental. Se entrarem indevidamente em áreas naturais, porém, tanto cães quanto gatos se transformam em perigosos predadores da vida selvagem. É o que ocorre hoje nas unidades de conservação em várias partes do mundo, principalmente no Brasil. Dentro de parques nacionais ou de reservas biológicas, bichos que contam com nossa simpatia exterminam populações inteiras de espécies nativas de aves, lagartos ou pequenos mamíferos. Predadores trazidos por mãos humanas são a segunda maior causa de extinção de espécies nativas no mundo. Perdem apenas para a supressão dos hábitats.

Um estudo recente realizado pelo Instituto Smithsonian e pelo Departamento de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos mostra o tamanho da ameaça. Segundo o levantamento, os gatos matam de 1,4 bilhão a 3,7 bilhões de pássaros e entre 6,9 bilhões e 20,7 bilhões de mamíferos todo ano. Embora os gatos de rua representem a maior ameaça, gatos domésticos também saem para passear e caçar. “Esperamos que essa mortalidade incentive as pessoas a manter seus gatos dentro de casa e sirva de alerta para as autoridades”, diz Pete Marra, do Smithsonian.

 O impacto dos gatos e cães faz parte dos danos provocados por espécies estranhas aos ambientes naturais. Elas chegam a áreas onde não enfrentam grandes predadores e caçam outros animais que não estão acostumados a lidar com elas. No linguajar dos biólogos, essas espécies não nativas são chamadas de exóticas. No caso de cães e gatos, os mais problemáticos são os que deixaram a vida doméstica e se reintegraram ao ambiente selvagem. São chamados de cães ou gatos ferais.

“O problema das espécies invasoras é seriíssimo. Há casos de animais competindo ou caçando espécies nativas em quase todas as unidades de preservação do Brasil”, diz Pedro Menezes, diretor de criação e manejo de unidades de conservação do Instituto Chico Mendes (ICMBio), órgão federal responsável pelas áreas protegidas do país. Os cães de quem tem sítio perto de um parque entram na área da reserva, mas em geral só caçam nas bordas. Os cães ferais vivem dentro da unidade e caçam mesmo no miolo da reserva, que deveria ser um refúgio para as espécies nativas. Segundo Menezes, no Parque Nacional de Brasília, matilhas de cães ferais caçam veados e catetos (porco-do-mato). No Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, gatos ferais atacam a fauna nativa. “Um estudo no Reino Unido mostrou que cada gato mata cerca de 80 indivíduos de outras espécies por ano, como aves, lagartos ou esquilos. Imagine o estrago feito por uma população de gatos numa área com espécies que só ocorrem ali”, diz Menezes.


CONSERVAÇÃO
Iguana numa ilha de Galápagos. Para proteger a espécie, foram criados projetos de erradicação de cães, gatos e outros animais (Foto: Stuart Westmorland/Getty Images)


Outras espécies exóticas também ameaçam os ambientes naturais. Os búfalos, trazidos da Ásia para a Amazônia, sustentam milhares de famílias na região. Algumas manadas interferem na reprodução de peixes, aves e tartarugas na Reserva Biológica do Vale do Guaporé, em Rondônia. O ICMBio estuda como abater os animais “de forma sustentável”. Um projeto da Embrapa prevê o abate de 540 búfalos por ano. O javali, espécie de origem europeia, se espalhou pelo Brasil e readquiriu hábitos selvagens. Hoje, expulsa os porcos-do-mato nativos do Brasil. É também agressivo com o ser humano. Quando chegou ao arquipélago de Fernando de Noronha, o navegador Américo Vespúcio relatou ter visto suas ilhas cobertas por ninhos de aves marinhas.

Ratos europeus trazidos por acidente pelos navios dos exploradores adaptaram-se bem às ilhas. Tão bem que exterminaram as espécies locais de ratos e passaram a devorar animais nativos. Aos ratos se somaram gatos, cães e outros bichos domésticos, além de tejos, lagartos que comem ovos e pequenos animais. Os ninhos nativos sumiram de Fernando de Noronha.

Em outros países, é comum controlar espécies invasoras. Um cervo da Malásia foi levado para a África do Sul e começou a competir com as espécies nativas. Em alguns parques nacionais, o cervo malaio passou a ser caçado a tiros, de helicóptero. Na Ilha da Ascensão, possessão britânica no Atlântico, os gatos matavam centenas de milhares de aves marinhas por ano. Os pássaros só prosperavam em pequenas ilhotas vizinhas, sem os felinos. Os biólogos então passaram a reduzir a população de gatos. Eliminaram cerca de 2 mil felinos, usando iscas envenenadas. As aves voltaram então a se propagar na Ilha da Ascensão. Em Galápagos, onde a maior parte das ilhas é parte de um parque nacional, há projetos para erradicar cães, gatos, porcos, cabras e outras espécies exóticas.

Na Nova Zelândia, o governo executa um projeto para salvar espécies nativas, principalmente o quivi, ave símbolo do país. Entre os predadores estão cães e gatos sem dono ou selvagens. Usando iscas envenenadas, as autoridades locais conseguiram criar pequenas ilhas livres de gatos e cães. Enquanto isso, os biólogos reduzem a população de gatos e cães soltos na ilha principal do país criando áreas cercadas para reintroduzir a fauna nativa. Na Austrália, o controle de raposas e gatos, que já extinguiram várias espécies nativas, é feito com o lançamento de iscas envenenadas de helicóptero em áreas críticas de conservação. Nas ilhas australianas de Maquarie e Marion, o extermínio dos gatos no ano 2000 permitiu que a população de aves marinhas se recuperasse.

Biólogos são, antes de mais nada, gente que ama os animais. Por isso, antes de apelar para os recursos extremos, tentaram medidas menos violentas. Nos Estados Unidos, há várias décadas se fazem pesquisas com vacinas anticoncepcionais para controlar gatos selvagens. Elas não são eficazes para controlar grandes populações em áreas naturais extensas, porque precisam ser reaplicadas várias vezes. Se ministradas por alimentos espalhados pela área, não há garantia de que todas as fêmeas ingerirão o suficiente para suspender a reprodução.


PROTEÇÃO
Quivi, a ave símbolo da Nova Zelândia. Lá, as autoridades locais criaram ilhas livres de cães e gatos para preservá-lo (Foto: John Stone/AP)


Para Menezes, do ICMBio, o problema no Brasil é cultural. “Ainda não conseguimos nem discutir isso de forma equilibrada”, afirma. “Quando é capim ou um molusco invasor, lidamos com a questão com seus problemas técnicos e econômicos. Se a espécie exótica for um mamífero que envolve sentimentos, aí entramos numa discussão emocional.” Recentemente, o Ibama publicou uma norma disciplinando o manejo de javalis. Foi um marco. As autoridades responsáveis pela administração de áreas de preservação e pela defesa de espécies ameaçadas ainda têm dificuldade para conseguir lidar com búfalos, cães ou gatos em áreas de preservação. No Brasil, a legislação proíbe a caça, sem distinção entre espécie nativa ou exótica. Nem prevê a caça dentro de um plano de manejo para conservar áreas naturais.

Na Austrália, iscas envenenadas são lançadas por helicóptero para erradicar gatos

Segundo a Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA, na sigla em inglês), não é preciso matar. “Foram os humanos que levaram indevidamente esses animais para perto das áreas naturais onde eles não deveriam estar”, diz Rosângela Ribeiro, gerente de programas veterinários da WSPA no Brasil. “Agora, cabe aos humanos resolver isso de forma humanitária.” Para ela, há alternativas menos violentas, como campanhas de conscientização dos donos de animais domésticos. “Eles devem aprender a manter os bichos dentro de casa, com coleiras com sinos (no caso de gatos).” Para controlar cães e gatos ferais, ela recomenda que os bichos sejam recolhidos e encaminhados à adoção. “O custo dessa operação é mais alto, mas não é algo impossível. É, sobretudo, uma questão ética”, diz. Para o biólogo Fábio Olmos, o discurso das entidades protetoras dos animais não ajuda a resolver a questão na prática. “Isso é medo de enfrentar o problema de frente”, afirma ele. “Cuidar do bem-estar animal é uma causa nobre. Mas não à custa da extinção de outras espécies. Por receio de lidar com esse tabu, estamos causando um dano maior à vida.”


domingo, 31 de março de 2013

OLHOS NOS OLHOS

Fotógrafo revela cores e desenhos em detalhes de aranhas saltadoras
 
 
 
O fotógrafo norte-americano Thomas Shahan é um especialista em macrofotografia, técnica que usa lentes especiais para registrar detalhes que não são vistos a olho nu.

A técnica permitiu que o fotógrafo capturasse nuances de aranhas saltadoras do Estado norte-americano do Arizona.

"A verdadeira emoção vem não apenas do registro dos seus comportamentos, mas de observar a imensa variedade e beleza de suas marcas faciais."

As saltadoras registradas por ele representaram um desafio extra, já que muitas tem seus corpos cobertos por manchas pretas e marrons e vivem em terrenos arenoso e rochosos, fazendo com que elas se tornassem quase ''invisíveis''.

Shahan se disse particularmente fascinado com o ritual de acasalamento desses animais, que ele descreve como ''complexas danças''.
 

Pesquisadoras do Laboratório Elias investigaram adaptações de comunicação e comportamentais das aranhas, inclusive aquelas ligadas à seleção sexual. Nesta ocasião, a equipe estudava o comportamento de acasalamento da família da aranha saltitante (salticidae), como essa aranha "Habronattus virgulatus" - Thomas Shahan

As salticidae - em especial, as espécies "habronattus" - muitas vezes seguem complexos rituais de acasalamento, que envolvem movimentos rápidos das pernas e dos palpos. Shahan descreve o processo como sendo ""complexas danças"", como o da "Habronattus pugilis", mostrada acima. Uma coisa "muito selvagem", diz o fotógrafo Thomas Shahan
 
Uma série de aranhas "habronattus", como a fêmea exibida acima, foram recolhidas nas montanhas de Santa Rita, ao sul de Tucson, no Estado norte-americano do Arizona. As imagens de Shahan foram feitas usando uma Pentax K-x, tubos de extensão e uma lente invertida de 50 milímetros - Thomas Shahan
 
Pesquisas genéticas adicionais serão necessárias para determinar se a aranha é um híbrido irregular ou uma espécie nova. Shahan comenta que "a verdadeira emoção vem não apenas do registro do seu comportamento, mas de observar a imensa variedade e beleza de suas marcas faciais" / Thomas Shahan

Encontrar as pequenas aranhas não foi uma tarefa fácil. De acordo com Shahan, "estas aranhas são muito difíceis de detectar. Elas costumam ter manchas marrons e pretas e costumam ficar em áreas arenosas e rochosas, o que faz com que sejam quase invisíveis" - Thomas Shahan
 
O fotógrafo comenta que considera "as aranhas saltadoras uma fonte para gerar admiração pelas aranhas, já que são animais coloridos, ornamentados e belos, que fazem com que muitos as considerem atraentes. Eu amo as "salticidae" - e simplesmente quero que mais pessoas as amem também" - Thomas Shahan



quinta-feira, 22 de abril de 2010

sábado, 17 de abril de 2010

PITAQUINHOS NA FOLHINHA

Matéria da Folhinha - encarte infantil da Folha de São Paulo - desse fim de semana aborda o Dia do Planeta e cita o blog Pitaquinhos da Fernanda, para orgulho do Papai e da Mamãe!




São Paulo, sábado, 17 de abril de 2010


Ambiente

Terra ferida

Em 22 de abril é comemorado o Dia do Planeta, que está cada vez mais machucado por causa das ações do homem

CLAUDIO ANGELO
EDITOR DE CIÊNCIA

O mundo existe há mais de 4 bilhões de anos e sempre sofreu muitas mudanças. Espécies surgiram e se extinguiram. O globo já foi uma grande bola de gelo, depois um forno. Quando os dinos caminhavam sobre a Terra, por exemplo, era muito mais quente: tinha até florestas na Antártida!
Você deve estar pensando: "Puxa, se tudo muda e se vai continuar mudando, por que me preocupar agora?".
Por uma razão simples: desde que o homem construiu a civilização industrial, principalmente nos últimos 200 anos, as mudanças feitas por ele no planeta têm sido tão rápidas que agora elas ameaçam não só a humanidade mas também muitas espécies que dividem a Terra com a gente.
As principais feridas causadas na Terra são três. Elas têm a ver com as coisas que a gente faz para comer, vestir e ir de um lugar ao outro.

Salvar os humanos

A primeira é a mudança no clima. Para tudo nós precisamos de energia, e a principal forma de energia são os combustíveis que tiramos do subsolo, como o petróleo. Queimar petróleo produz gás carbônico, que esquenta o planeta. Nunca a Terra esteve tão quente.
A outra ferida planetária são as extinções. Elas são causadas principalmente pelo desmatamento de florestas como a Amazônia e pela poluição dos oceanos.
Aqui temos uma boa notícia: na última década, o desmatamento diminuiu um pouco no mundo, no Brasil inclusive. Mas ainda perdemos todo ano, só na Amazônia, o equivalente a quatro cidades de São Paulo. A floresta é queimada para virar capim -para alimentar o gado que nos fornece carne.
A terceira ferida é a poluição por nitrogênio. É difícil dar jeito nessa, pois ele é usado para fazer os fertilizantes da agricultura. Hoje, somos 6,6 bilhões de pessoas e, quando seus filhos forem grandes, seremos 9 bilhões! O nitrogênio polui as águas e vai para o ar, aumentando o efeito estufa.
A principal espécie ameaçada por causa de todos esses danos é a mesma que está causando os problemas -nós. Portanto, é preciso cuidar do ambiente não só para salvar o planeta, mas para salvar os humanos.

O QUE VOCÊ FAZ PARA AJUDAR?

NOTÍCIAS NO BLOG
"Sempre me preocupei com o ambiente e resolvi criar um blog [pitaquinhos.blogspot.com] para mostrar minhas ideias. Lá escrevo notícias sobre o planeta."
FERNANDA TEIXEIRA, 13, de Angelina (SC)

LAVADEIRA AMBIENTAL
"Eu me visto de lavadeira, com saia e lenço na cabeça, e conto histórias em escolas públicas. Também danço e faço uma cantoria [letra da música abaixo]. Falo que as pessoas têm que ajudar a não poluir as águas."
SAMANTA BARATIERI, 11, de Joaçaba (SC)

"Vim lavar minha roupa Com água pura e sabão Neste rio de brinquedo Que estendo neste chão"

USAR E REUSAR
"Reaproveito o meu material escolar (estojo, mala, pasta) em vez de comprar tudo de novo. Assim não gasto dinheiro e não poluo a cidade."
MHIRA LOEB, 8, de São Paulo (SP)

CARA DE PAISAGEM
"Não podemos perder nosso planeta por causa de maus hábitos de alguns adultos. Quem quiser continuar com 'olhar de paisagem', quando se der conta, não vai ter mais paisagem. Estou fazendo um filme sobre o ambiente; tem um personagem que se chama Dr. Estátua: ele fica parado o tempo todo e não ajuda em nada."
SOFIA SALES, 12, de São Paulo (SP)

É MUITA LUZ!
"Tinha medo do escuro, por isso dormia com a luz do banheiro acesa. Aí eu pensei: 'Não vai dar certo, é muita luz!'. E agora, mesmo com um pouquinho de medo, durmo com a luz apagada."
SOFIA FONSECA, 5, de São Paulo (SP)

SUCATA É BRINQUEDO
"Pego a sucata e construo brinquedos. Com rolo de papel higiênico, embalagem de pasta de dente e outras coisas, já fiz luneta, trenzinho e espada."
FERNANDO TARDIN, 6, de São Paulo (SP)

VOU DE BIKE
"Nos finais de semana, eu e meus pais usamos bicicleta em vez de carro. É muito mais divertido e não polui como o carro."
MANUELA CORRÊA FUREGADI, 9, de São Paulo (SP)

ÓLEO VIRA SABÃO
"Eu e alguns colegas coletamos óleo de cozinha para transformar em sabão, que é doado para comunidades. Na vila onde moro, tem um postinho de coleta de pilhas e baterias. Sempre coloco tudo lá, e eles vendem depois."
VINÍCIUS CARVALHO, 10, de São Paulo (SP)





EDUARDO BAZÉM


Eduardo Bazém é um ambientalista de mão cheia e boa cepa, daqueles que fazem a diferença pelo trabalho realizado ao longo da vida. Já foi tema de uma bela matéria do Globo Ecologia mostrando sua luta pela defesa dos Muriquis no estado de Minas Gerais.
Ele nos manda agora uma matéria publicada no Jornal Intagração, de Campinas, focando suas ações em prol do meio ambiente e onde saiu uma foto dele usando a camiseta da RPPN Rio das Lontras. Uma grande honra para nós!

terça-feira, 9 de março de 2010

MEU QUINTAL, MINHA FLORESTA

Da revista ISTOÉ

Programas de incentivo e atuação de proprietários aumentam a importância das Reservas Particulares do Patrimônio Natural

André Julião

EM CASA
O engenheiro Eugenio Victor Follmann com a mulher, Kirsten: área protegida

Enquanto trabalha em sua oficina de peças para instrumentos musicais, numa propriedade na cidade paulista de Mairiporã, onde também mora, o engenheiro austríaco Eugenio Victor Follmann eventualmente é interrompido por um de seus dois cachorros. Não raro, Bumpa ou Beethoven voltam de seus passeios pelo quintal com os focinhos cheios de espinhos. “Preciso parar o que estou fazendo para extrair um a um”, diz Follmann. Mesmo assim, os cães insistem em brincar com os porcosespinhos que vivem no mesmo terreno que eles. Não que Follmann possua uma criação de animais silvestres em casa. Na verdade, ele tem uma floresta em seu quintal – que, além dos bichos espinhosos, tem macacos e teiús, riachos e pequenas cachoeiras. O engenheiro é dono de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Dos 20 hectares de sua propriedade, batizada Sítio Capuavinha, cinco não podem ter sequer uma árvore derrubada. Mesmo que seus filhos o herdem ou que ele seja vendido, a área seguirá intocável, já que a transformação em RPPN é perpétua e irrevogável.

PIONEIRA
Fazenda Lageado, em Mato Grosso do Sul: primeira reserva particular do Brasil

A iniciativa para a criação de uma reserva particular parte do dono, que deve ter o título da propriedade. A área precisa possuir algum atributo especial: nascentes, rios ou mananciais, vales de formação rochosa ou espécies raras ameaçadas de extinção. Com esses critérios obedecidos, o dono deve encomendar a um topógrafo a medição da área a ser transformada em reserva. Depois de homologada, ela só poderá abrigar atividades econômicas que forem voltadas para educação ambiental, pesquisa científica ou turismo. A criação da primeira dessas unidades de conservação completa 20 anos no dia 14 de março. Localizada no município de Dois Irmãos do Buriti, em Mato Grosso do Sul, a RPPN Fazenda Lageado tem 12,55 mil hectares. Foi criada no mesmo ano do Decreto Federal 98.914, que regulamenta as RPPNs, publicado em 31 de janeiro de 1990. Mais de 900 reservas particulares foram implantadas desde então. No Cerrado, onde a Fazenda Lageado está situada, existem 182 áreas como essa. Outras estão espalhadas por todos os biomas brasileiros.

Quem reconhece as RPPNs em nível federal é o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). Muitos Estados e mesmo alguns municípios possuem, porém, sua própria legislação. Quando decidiu transformar uma parte da propriedade de 79 hectares que herdou do pai em reserva particular, o gestor João Rizzieri esperou mais de dois anos. “Era uma burocracia muito grande”, lembra ele, que também é presidente da Frepesp (Federação das Reservas Ecológicas Particulares do Estado de São Paulo). Enquanto pelo ICMBio esse processo leva atualmente até um ano para ser concluído, em Estados como São Paulo, que tem seu decreto estadual, o prazo é de 120 dias. Um dos poucos incentivos fiscais para quem tem uma RPPN é que a parte do terreno dedicada à reserva é isenta do ITR (Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural). Outra vantagem é que, caso precise de financiamento agrícola, o dono de uma fazenda em que haja uma reserva particular tem prioridade ao crédito em relação a outros agricultores.



Para incentivar a criação, o manejo e mesmo a abertura de negócios sustentáveis nessas áreas, foi implantado em 2003 o Programa de Incentivo às RPPNs da Mata Atlântica. Nesse bioma brasileiro, há 7,91% de floresta remanescente, sendo que 80% estão em áreas particulares. Outras iniciativas semelhantes existem na Caatinga e no Pantanal. A existência delas é um impulso para quem tem de cuidar de uma floresta inteira sozinho, como o austríaco Follmann. Desde que criou sua RPPN, todos os anos ele enfrenta pelo menos um incêndio. “As pessoas que põem fogo aqui não percebem que não estão destruindo algo meu, e, sim, delas”, conta. “Eu não desanimo. Quando algo está na sua medula, não há como voltar atrás.”

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

SELEÇÃO ECOLÓGICA

Camisa da seleção brasileira usa a mesma tecnologia das camisetas da RPPN Rio das Lontras, tecido ecológico feito de garrafas pet recicladas.

Seleção apresenta camisa ecologicamente correta para usar na Copa do Mundo

Bruno Freitas*
Em Londres (Inglaterra)

Nova camisa da seleção brasileira foi lançada em Londres; peça tem caráter ecologicamente correto

A roupa que vestirá o Brasil em sua 19ª Copa do Mundo foi apresentada nesta quinta-feira num evento em Londres. O uniforme 1 da seleção, com a clássica composição de camisa amarela e calções azuis, foi a principal atração de um lançamento coletivo de uma grande marca internacional, que contou com novidades de mais nove seleções.

O destaque da nova camisa da seleção, segundo a fornecedora de material esportivo que mantém acordo com a CBF, é seu caráter ecologicamente correto. A camisa é feita com poliéster reciclado de garrafas plásticas. Cada peça foi produzida a partir de oito garrafas retiradas do meio-ambiente.

Visualmente, ela é mais discreta do que suas versões anteriores, pelo menos nos detalhes em verde, que aparecem na gola e em tiras sobre ombros e braços.

O lançamento aconteceu em uma fábrica desativada, em Londres.

Na apresentação em um evento numa fábrica desativada em Londres, o atacante Alexandre Pato atuou como modelo da camisa amarela da seleção. O jogador do Milan, no entanto, não vem sendo convocado e sua presença na Copa é incerta. Isso porque, Luís Fabiano, Adriano, Robinho e Nilmar vêm sendo os preferidos de Dunga para a posição e foram convocados para o último teste antes do Mundial.

Além do Brasil, as seleções de Holanda, Portugal, EUA, Austrália, Nova Zelândia, Eslovênia, Sérvia e Coreia do Sul tiveram novos modelos de uniformes apresentados no evento desta quinta em Londres. A Inglaterra, que é patrocinada pela Umbro, aproveitou a oportunidade e também lançou a camisa que o English Team irá usar no Mundial da África do Sul. A Umbro pertence à Nike desde 2007 e esta foi a primeira vez as duas marcas realizaram uma ação desse tipo em conjunto.

Alexandre Pato, do Milan, foi o "modelo" que apresentou o novo uniforme da seleção brasileira.

Há pouco mais de dez dias, uma ação de marketing no Carnaval de Rio de Janeiro e Salvador já havia apresentado a camisa 2 da seleção, a azul, em outro modelo desenvolvido para o Mundial da África do Sul.

A estreia oficial da nova camisa amarela da seleção deve acontecer na próxima terça-feira, também em Londres, na partida amistosa contra a Irlanda, no último compromisso da equipe antes do anúncio da lista para a Copa.

*O jornalista viajou a Londres a convite da Nike

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

ANTICONSUMO

Casal anticonsumista vive sem geladeira e TV em SP

MAURÍCIO KANNO
colaboração para a Folha Online

Você acha que seria possível viver sem geladeira? E sem televisão? O casal Juliana Morari, 26, e Lúcio Tamino, 27, vive assim. E muito bem, pelo que dizem. Há dois anos, mudaram-se de uma região mais urbana da metrópole de São Paulo para a serra da Cantareira, nos limites do município, onde consomem "somente o necessário".

"Já que procuro sempre comer frutas e legumes frescos e não consumo nada derivado de animais, que estraga fora da geladeira, não preciso dela", explica Juliana, que se identifica como pesquisadora de dança. Ela planeja no máximo experimentar um sistema africano de refrigeração com vasos de cerâmica.

Divulgação

Artista plástico Lúcio Tamino, 27, em sua casa na serra da Cantareira, onde vive "somente com o necessário" com a esposa

Sobre a falta de TV, diz : "Assim, evitamos o apelo comercial que chega tanto pela TV como por lanchonetes e outras grandes lojas"

Eles são um exemplo de até onde podem chegar cidadãos preocupados com o ambiente - e, no caso deles, também com a saúde, os animais, e o "todo à sua volta".

Relatório publicado pelo Worldwatch Institute na semana passada apoia atitudes como a deles. A organização, baseada em Washington, tira o foco no governo e em acordos internacionais. Avisa que o desenvolvimento sustentável do planeta e a luta contra o aquecimento global passam por uma renúncia ao consumismo.

Juliana diz que não compra produtos "supérfluos", ainda mais quando são industrializados, como biscoitos recheados e iogurte.

Divulgação

Pintura do artista plástico Lúcio Tamino, 27, que mostra a sua casa na serra da Cantareira, para onde se mudou há dois anos

"Possuem corantes, conservantes e outros ingredientes que podem fazer mal", diz. Quando o casal precisa mesmo de algo industrializado, como óleo, opta por cooperativas. "Priorizo produzir eu mesma biscoitos e pães caseiros para nosso consumo."

O sustento financeiro do casal vem de Lúcio, artista plástico. Mas, como evitam o consumismo, não necessitam de muito dinheiro, diz Juliana.

O único eletrônico que declaram possuir em casa é um computador, por onde atualizam site contando sua experiência.

Absorvente reaproveitável

Há outros que não têm um estilo de vida como o de Juliana e Lúcio, mas, ainda assim, buscam renunciar ao consumismo. A Folha Online ouviu casos curiosos de renúncia às compras tidas como excessivas. Algumas medidas, como a da professora Tânia Regina Vizachri, 23, chamam a atenção.

Em vez de utilizar absorventes íntimos descartáveis, ela adotou os chamados abiosorventes. São de pano reutilizáveis.

"Isso evita ter que ir sempre comprar na farmácia e produzir mais lixo", explica ela. "Além disso, há os produtos químicos do produto industrializado que também causam impactos."

Divulgação

"Abiosorvente", absorvente íntimo feminino reutilizável com impacto ambiental reduzido

O site do produto estima: "cada uma de nós irá consumir, ao longo da vida fértil, algo em torno de 10 mil absorventes descartáveis, que ficarão aí pelo mundo por volta de uns cem anos pelo menos".

E quando seu celular quebra, você pensa em consertar ou compra outro? Como muitos desses aparelhos são baratos, o biólogo Leandro Sauer Carrillo, 26, aponta que a tendência é mesmo comprar outro. "As pessoas não se preocupam com o que vai virar depois o produto", diz.

"O visor do meu celular quebrou há cerca de dois anos, depois de um ano de uso", conta ele. "Ao invés de jogar fora, consertei, por 10% do valor do aparelho." Outra aventura do aparelho foi molhar --problema que ele diz ter resolvido ao secá-lo.

Hoje Leandro não está mais com o celular, mas o deu em boas condições de funcionamento para sua mãe, atual usuária.

Arquivo pessoal

O biólogo Leandro Carrillo, 26, sugere pensar por uma semana antes de fazer uma compra

Uma semana para pensar

Outra preocupação do biólogo é na hora de fazer qualquer compra: "Antes pense no seu custo-benefício por uma semana", sugere ele. "Se, no fim do período, ainda quiser comprar, OK. Senão, provavelmente era algo que você acabaria não usando."

Ele exemplifica com a última coisa em que pensou em comprar: uma máquina de fazer suco que viu em propaganda na televisão.

"Parecia legal, mas depois, ao ver funcionar, percebi que desperdiçava partes da fruta que também poderiam ser aproveitadas, gerava muito resíduo", conta Leandro, que desistiu da compra.

Outro objeto de consumo que o biólogo cobiça há cerca de quatro anos é uma TV LCD. Mas recusou até hoje a compra pela decisão consciente de esperar: "A tecnologia avança muito rápido, logo vai ter outra opção mais avançada", pondera.

"Além disso, quanto tempo vou ter para isso? Se eu tiver uma TV pior provavelmente vou ter até menos vontade de assistir e vou poder fazer outras coisas mais saudáveis."

Veja mais:

Consumismo é incompatível com preservação do planeta, diz ONG

Para especialista, nova classe C ignora sustentabilidade; leia entrevista

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O ÚLTIMO "URSO DANÇARINO"

Índia liberta último "urso dançarino"; assista





O último dos chamados "ursos dançarinos" foi libertado na Índia, encerrando uma tradição centenária que organizações de direitos dos animais atacavam por submeter animais a sofrimento e maus tratos. Raju, um urso de quatro anos de idade, foi solto em uma área de proteção ambiental no sul da cidade de Bangalore.

Por séculos, os "ursos dançarinos" divertiram platéias de espectadores na Índia. Mas a atividade foi proibida em 1972, por causa do mau tratamento a que os animais eram submetidos.

Mais de trinta anos após a proibição da atividade, uma campanha do governo em parceria com organizações não-governamentais levou sete anos fez cumprir a lei.

Como parte da iniciativa, o governo indiano dá treinamento para os tratadores, ou kalandars, sustentarem as suas famílias fazendo outro tipo de trabalho.

Maus tratos

Depois de resgatar Raju, veterinários realizaram o que esperam ser a última operação para retirar a corrente de um urso dançarino. O urso estava preso por uma corda que trespassava um buraco em seu focinho. Em muitos casos, a perfuração, a ferro quente, tinha de ser feita duas, três vezes, explicaram os veterinários.

Mary Hutton, da ONG australiana Free the Bears Fund, disse que Raju era mantido em cativeiro por uma "parafernália" de instrumentos, que incluía um anel de metal, a corda e um bastão, com o qual o tratador puxava o anel e controlava o animal. "É o ultimo urso resgatado das estradas da Índia, o fim da atividade", comemorou a ativista.

Ao ser solto na reserva natural, Raju se une a outros 600 ursos libertados que, após séculos de cativeiro, já não conseguiriam sobreviver na natureza.



quarta-feira, 11 de novembro de 2009

PRIMO DO LOBO-GUARÁ

Lobo extinto achado por Darwin é primo do guará, diz pesquisa


Desenho do lobo-das-malvinas em "The Zoology of the Voyage of the H.M.S. Beagle"; animal é primo do lobo-guará, diz pesquisa

REINALDO JOSÉ LOPES
da Folha de S.Paulo

O bicho de pelagem dourada habitava as frias ilhas Malvinas (ou Falklands, como preferem os britânicos), na costa argentina, mas seu parente mais próximo ainda vivo é o lobo-guará, morador cada vez mais raro do cerrado brasileiro. A conclusão vem de uma análise de DNA e reduz um pouco o mistério em torno do lobo-das-malvinas, animal que intrigou Charles Darwin e foi extinto pela caça indiscriminada em 1876.

A pesquisa, coordenada por Graham Slater, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, está na revista científica "Current Biology". Slater e companhia conseguiram obter DNA de cinco exemplares de museu do Dusicyon australis, como o bicho é conhecido oficialmente pelos cientistas.

Com isso, foi possível comparar alguns genes do lobo-das-malvinas com os de canídeos modernos, em especial os nativos da América do Sul, como o lobo-guará e o cachorro-do-mato-vinagre. Ficou claro o parentesco mais próximo com o guará, mas o detalhe é que as linhagens dos dois bichos sofreram uma separação antiga, há mais de 6 milhões de anos.

De norte a sul

Isso é o mais surpreendente, porque a data indica que a evolução das duas espécies já estava ocorrendo separadamente quando canídeos como eles nem sonhavam em chegar à América do Sul. Nessa época, as terras sul-americanas eram uma ilha, separada da América do Norte. O continente atual só se formou há 3 milhões de anos.

Os ancestrais do lobo-guará e do lobo-das-malvinas acabaram sumindo totalmente da América do Norte, hoje dominada pelos coiotes e pelo lobo "verdadeiro", ambos do gênero Canis. "Não sabemos o porquê disso", disse Slater à Folha.

"Os Canis chegam [da Ásia] e os outros simplesmente desaparecem. Talvez a socialidade seja importante, porque a maioria dos canídeos sul-americanos de hoje é solitária, enquanto os lobos e coiotes vivem em grupos, e os carnívoros sociais conseguem desalojar os solitários e capturar um espectro mais amplo de presas."

Darwin foi o primeiro especialista a descrever formalmente o lobo-das-malvinas e ficou com a pulga atrás da orelha ao notar que o bicho era o único mamífero nativo das ilhas, as quais, afinal, ficam a quase 500 km do continente. Ninguém sabe como os lobos foram parar lá. Pode ser que tenham sido arrastados em cima de troncos de árvore ou pedaços de gelo mar adentro.

"Nas Malvinas eles tinham carne à vontade, comendo focas, pinguins e aves marinhas", diz Slater. É possível que outras espécies mais próximas do lobo-das-malvinas tenham sido extintas por seres humanos no continente, especula ele.

O mesmo destino aguardava a espécie insular. Pastores que colonizaram as Malvinas a consideravam uma ameaça para suas ovelhas e cobiçavam sua pele, o que acabou levando ao extermínio do animal.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

PEIXES SENTEM DOR


© Katrina Brown/Shutterstock

Peixes também sentem dor
Animais sentem medo e sensação consciente de desconforto

Muitos fãs de receitas culinárias preparadas peixes e frutos do mar costumam alardear a idéia popular de que tanto esses animais não sentem dor. Um novo estudo, entretanto, sugere que eles possuem sistemas nervosos mais complexos do que pensávamos e sua consciência das sensações dolorosas pode ser, evolucionariamente, muito mais antiga do que suspeitávamos. Ou seja: eles sofrem quando são feridos e mortos.

O pesquisador Joseph Garner, da Universidade de Purdue, na Noruega, que acompanhou peixinhos dourados, mostrou que esses animais experimentam a dor de forma consciente – e não apenas reagem a um reflexo, como quando uma pessoa recolhe o pé depois de pisar em um prego (antes mesmo de estar consciente da sensação). Nesse estudo, os biólogos descobriram que o peixinho dourado que recebia uma injeção de salina e era exposto a um grau doloroso de calor, em um tanque de teste, ficava flutuando em um único ponto quando recolocado em seu próprio tanque. Garner identifica isso como um “comportamento de medo e evasão”. Segundo ele, tal reação é cognitiva e não resultante de reflexos. Outros peixes, depois de receber uma injeção de morfina que bloqueava o impacto da dor, não mostraram esse comportamento.

Embora as descobertas de Garner combinem um trabalho anterior que sugeriu que esses animais podem sentir dor, alguns especialistas não estão convencidos de que a reação não foi resultado apenas uma reação de escape instintivo. Mesmo assim, o novo estudo cria preocupações éticas. “Precisamos nos responsabilizar por nossas escolhas; se usamos animais nos experimentos e também os comemos é importante entender as conseqüências e o alcance de nossas ações”, diz Garner.

terça-feira, 21 de julho de 2009

SERRA DA CANTAREIRA

Impressionante saber que em plena cidade de São Paulo ainda existem animais vivendo em seu habitat natural, mesmo que ameaçados por pressões absurdas do crescimento da população humana, do desmatamento e poluição de todo gênero e grau.
Muitos deles estão ameaçados de extinção e fica a pergunta: Até quando eles aguentarão viver em fragmentos florestais cada vez menores e sem conexão com outras áreas protegidas para a garantia da troca genética?


Vale todos os esforços para conhecer e preservar a Serra da (En)Cantareira!


O bugio (Alouatta clamitans) é um primata encontrado na serra da Cantareira - Carlos Zacchi/Instituto Florestal

Moradores da Serra da Cantareira convivem com bichos de várias espécies

LAURA GUIMARÃES
Colaboração ao UOL Bichos


Apesar de ser um dos milhões de habitantes da Grande São Paulo - muitas vezes lembrada pelos prédios, carros e poluição - Joacir Salles de Barros vive cercado pela natureza e costuma receber no quintal de sua casa, na Serra da Cantareira, um grupo de bugios.

Os macacos da espécie aparecem quase diariamente para se alimentar dos frutos e folhas das árvores. A mãe costuma carregar o filhote pequeno nas costas. O mais ousado deles, segundo Marina Braga Médici - frequentadora da região e namorada de Barros -, parece nem se intimidar com os latidos dos cães domésticos.

Além dos bugios, vários bichos são vistos na Serra da Cantareira, região que se estende pelos municípios de São Paulo, Guarulhos, Mairiporã, Caieiras e Franco da Rocha. A floresta, maior em área urbana do mundo, é habitat de mais de 380 espécies entre répteis, aves, mamíferos e anfíbios.

"Na Serra da Cantareira podem ser encontradas 45% das espécies de médios e grandes mamíferos de todo o estado de São Paulo e 14% do Brasil" diz Marcio Port Carvalho, pesquisador científico do Instituto Florestal, órgão de proteção e pesquisa do governo do Estado de São Paulo.

Entre eles estão animais raros e ameaçados de extinção, como a onça parda, o gato do mato pequeno, o sagüi da serra escuro e a jaguatirica.
Há ainda nomes como araçari banana, o beija-flor de cabeça azul, o gavião pega-macaco, o gato mourisco, o pica-pau de cabeça vermelha, o macuco, a jararaca, a perereca risadinha e a coruja orelhuda.

Vizinhos do mundo animal

Como é viver tão perto dos bichos? Para muitos moradores da Serra, a convivência pacífica e prazerosa. "É incrível ficar perto destes bichos", diz Eugênio Oz. "Acordo com o barulho dos tucanos e à tarde aparecem papagaios."

Para Ana Cristina Ferreira, o incômodo não existe nem quando se trata de espécies tidas como perigosas, como no caso da aranha marrom. "Eu curto aranhas. Não as mato nunca. Se aparece uma dentro de casa, pego um pedaço de papel e tiro". Ana conta que já encontrou nos arredores de sua casa bichos-preguiças, cobras, jacus e até um veado.

Os moradores da região não são os únicos que podem ver os animais de perto. A Serra da Cantareira possui uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, o Parque Estadual da Cantareira, com aproximadamente 8.000 hectares de Mata Atlântica divididos em quatro núcleos - Águas Claras, Pedra Grande, Engordador e Cabuçu -, abertos ao público nos finais de semana, feriados e férias escolares.

"Vale ressaltar que tanto a presença dos moradores quanto dos visitantes da Serra não deve interferir nos hábitos dos animais", alerta Marcio Port Carvalho, "Por exemplo, oferecer alimentos não é uma boa ideia. Espécies que naturalmente são dispersoras de sementes de árvores nativas podem deixar de cumprir seu papel no ambiente, há o risco de acidentes como mordeduras e transmissão de doenças e zoonoses, e eventuais mudanças do seu comportamento natural".

Atualmente a Serra da Cantareira vem sofrendo diversos impactos e ameaças. Os principais deles, que saltam à vista de quem passa pela região, são as ocupações irregulares e desmatamentos. Para construir uma casa na Serra é necessário seguir a legislação vigente. Os pedidos de processo de licenciamento ambiental devem ser feitos no Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais (DPRN).


A Serra da cantareira abriga exemplares de felinos - como esses Jaguarundis, ou Gato-Mourisco (Felis yagouaruundi) - Vincent Lo/ Instituto Florestal


O pica pau de cabeça vermelha (Dryocopus lineatus) vive solitário ou aos pares, arrancando a casca e bicando troncos e galhos maiores em busca de insetos - Vincent Lo/ Instituto Florestal


Gavião Pega-macaco Spizaetus tyrannus, ave de rapina adaptada para caçar em regiões de mata fechada - Vincent Lo/ Instituto Florestal


Beija-flor-de fronte violeta habita florestas altas, capoeiras e jardins - Vincent Lo/ Instituto Florestal


O gato-do-mato-pequeno, espécie de gato silvestre (Leopardus tigrinus), ameaçada de extinção, registrado com câmera trap no Parque Estadual da Cantareira - Marcio Port-Carvalho/ Instituto Florestal


Na serra, os tucanos são muito comuns e fáceis de seres vistos e ouvidos - Marcio Port-Carvalho/ Instituto Florestal


Onças-pardas ainda são encontradas na cidade de São Paulo - Marcio Port-Carvalho e Cássia Garrido/ Instituto Florestal


Morcego frugívoro importante no processo de dispersão de sementes e regeneração das florestas - Marcio Port-Carvalho/ Instituto Florestal


Ave que se locomove saltando de árvore em árvore - Vincent Lo/ Instituto Florestal



Paca é vista no escuro no Parque Estadual da Cantareira - Marcio Port-Carvalho/ Instituto Florestal


Espécie rara de tucano da Mata Atlântica encontrada na Serra da Cantareira - Marcio Port-Carvalho/ Instituto Florestal



Filhote de jaguatirica, espécie de felino ameaçada de extinção, é um dos bichos da Serra da Cantareira, região que se estende pelos municípios de São Paulo, Guarulhos, Mairiporã, Caieiras e Franco da Rocha - Cybele Araújo/ Instituto Florestal



A cor vibrante do pássaro saí-azul (Dacnis cayana ); a Serra abriga o Parque Estadual da Cantareira, com aproximadamente 8.000 hectares de Mata Atlântica - Marcio Port-Carvalho/ Instituto Florestal