Fernando e Chris sempre estiveram envolvidos na defesa do meio ambiente e para contribuírem de maneira mais efetiva com a causa adquiriram uma magnífica área preservada de Mata Atlântica próxima a Florianópolis, criando ali uma Unidade de Conservação em caráter perpétuo, uma Reserva Particular do Patrimônio Natural, a RPPN Rio das Lontras.
sábado, 18 de maio de 2013
A ÚLTIMA ONÇA-PINTADA EM SANTA CATARINA
quinta-feira, 11 de abril de 2013
GATOS EXTERMINADORES
domingo, 31 de março de 2013
OLHOS NOS OLHOS
A técnica permitiu que o fotógrafo capturasse nuances de aranhas saltadoras do Estado norte-americano do Arizona.
"A verdadeira emoção vem não apenas do registro dos seus comportamentos, mas de observar a imensa variedade e beleza de suas marcas faciais."
As saltadoras registradas por ele representaram um desafio extra, já que muitas tem seus corpos cobertos por manchas pretas e marrons e vivem em terrenos arenoso e rochosos, fazendo com que elas se tornassem quase ''invisíveis''.
Shahan se disse particularmente fascinado com o ritual de acasalamento desses animais, que ele descreve como ''complexas danças''.

quinta-feira, 22 de abril de 2010
ESSA FLORESTA TEM DONO
Essa floresta tem dono
sábado, 17 de abril de 2010
PITAQUINHOS NA FOLHINHA
São Paulo, sábado, 17 de abril de 2010
Ambiente
Terra ferida
Em 22 de abril é comemorado o Dia do Planeta, que está cada vez mais machucado por causa das ações do homem
CLAUDIO ANGELO
EDITOR DE CIÊNCIA
O mundo existe há mais de 4 bilhões de anos e sempre sofreu muitas mudanças. Espécies surgiram e se extinguiram. O globo já foi uma grande bola de gelo, depois um forno. Quando os dinos caminhavam sobre a Terra, por exemplo, era muito mais quente: tinha até florestas na Antártida!
Você deve estar pensando: "Puxa, se tudo muda e se vai continuar mudando, por que me preocupar agora?".
Por uma razão simples: desde que o homem construiu a civilização industrial, principalmente nos últimos 200 anos, as mudanças feitas por ele no planeta têm sido tão rápidas que agora elas ameaçam não só a humanidade mas também muitas espécies que dividem a Terra com a gente.
As principais feridas causadas na Terra são três. Elas têm a ver com as coisas que a gente faz para comer, vestir e ir de um lugar ao outro.
Salvar os humanos
A primeira é a mudança no clima. Para tudo nós precisamos de energia, e a principal forma de energia são os combustíveis que tiramos do subsolo, como o petróleo. Queimar petróleo produz gás carbônico, que esquenta o planeta. Nunca a Terra esteve tão quente.
A outra ferida planetária são as extinções. Elas são causadas principalmente pelo desmatamento de florestas como a Amazônia e pela poluição dos oceanos.
Aqui temos uma boa notícia: na última década, o desmatamento diminuiu um pouco no mundo, no Brasil inclusive. Mas ainda perdemos todo ano, só na Amazônia, o equivalente a quatro cidades de São Paulo. A floresta é queimada para virar capim -para alimentar o gado que nos fornece carne.
A terceira ferida é a poluição por nitrogênio. É difícil dar jeito nessa, pois ele é usado para fazer os fertilizantes da agricultura. Hoje, somos 6,6 bilhões de pessoas e, quando seus filhos forem grandes, seremos 9 bilhões! O nitrogênio polui as águas e vai para o ar, aumentando o efeito estufa.
A principal espécie ameaçada por causa de todos esses danos é a mesma que está causando os problemas -nós. Portanto, é preciso cuidar do ambiente não só para salvar o planeta, mas para salvar os humanos.
O QUE VOCÊ FAZ PARA AJUDAR?
NOTÍCIAS NO BLOG
"Sempre me preocupei com o ambiente e resolvi criar um blog [pitaquinhos.blogspot.com] para mostrar minhas ideias. Lá escrevo notícias sobre o planeta."
FERNANDA TEIXEIRA, 13, de Angelina (SC)
LAVADEIRA AMBIENTAL
"Eu me visto de lavadeira, com saia e lenço na cabeça, e conto histórias em escolas públicas. Também danço e faço uma cantoria [letra da música abaixo]. Falo que as pessoas têm que ajudar a não poluir as águas."
SAMANTA BARATIERI, 11, de Joaçaba (SC)
"Vim lavar minha roupa Com água pura e sabão Neste rio de brinquedo Que estendo neste chão"
USAR E REUSAR
"Reaproveito o meu material escolar (estojo, mala, pasta) em vez de comprar tudo de novo. Assim não gasto dinheiro e não poluo a cidade."
MHIRA LOEB, 8, de São Paulo (SP)
CARA DE PAISAGEM
"Não podemos perder nosso planeta por causa de maus hábitos de alguns adultos. Quem quiser continuar com 'olhar de paisagem', quando se der conta, não vai ter mais paisagem. Estou fazendo um filme sobre o ambiente; tem um personagem que se chama Dr. Estátua: ele fica parado o tempo todo e não ajuda em nada."
SOFIA SALES, 12, de São Paulo (SP)
É MUITA LUZ!
"Tinha medo do escuro, por isso dormia com a luz do banheiro acesa. Aí eu pensei: 'Não vai dar certo, é muita luz!'. E agora, mesmo com um pouquinho de medo, durmo com a luz apagada."
SOFIA FONSECA, 5, de São Paulo (SP)
SUCATA É BRINQUEDO
"Pego a sucata e construo brinquedos. Com rolo de papel higiênico, embalagem de pasta de dente e outras coisas, já fiz luneta, trenzinho e espada."
FERNANDO TARDIN, 6, de São Paulo (SP)
VOU DE BIKE
"Nos finais de semana, eu e meus pais usamos bicicleta em vez de carro. É muito mais divertido e não polui como o carro."
MANUELA CORRÊA FUREGADI, 9, de São Paulo (SP)
ÓLEO VIRA SABÃO
"Eu e alguns colegas coletamos óleo de cozinha para transformar em sabão, que é doado para comunidades. Na vila onde moro, tem um postinho de coleta de pilhas e baterias. Sempre coloco tudo lá, e eles vendem depois."
VINÍCIUS CARVALHO, 10, de São Paulo (SP)
EDUARDO BAZÉM
Eduardo Bazém é um ambientalista de mão cheia e boa cepa, daqueles que fazem a diferença pelo trabalho realizado ao longo da vida. Já foi tema de uma bela matéria do Globo Ecologia mostrando sua luta pela defesa dos Muriquis no estado de Minas Gerais.
Ele nos manda agora uma matéria publicada no Jornal Intagração, de Campinas, focando suas ações em prol do meio ambiente e onde saiu uma foto dele usando a camiseta da RPPN Rio das Lontras. Uma grande honra para nós!
terça-feira, 9 de março de 2010
MEU QUINTAL, MINHA FLORESTA
Programas de incentivo e atuação de proprietários aumentam a importância das Reservas Particulares do Patrimônio Natural
André Julião
Enquanto trabalha em sua oficina de peças para instrumentos musicais, numa propriedade na cidade paulista de Mairiporã, onde também mora, o engenheiro austríaco Eugenio Victor Follmann eventualmente é interrompido por um de seus dois cachorros. Não raro, Bumpa ou Beethoven voltam de seus passeios pelo quintal com os focinhos cheios de espinhos. “Preciso parar o que estou fazendo para extrair um a um”, diz Follmann. Mesmo assim, os cães insistem em brincar com os porcosespinhos que vivem no mesmo terreno que eles. Não que Follmann possua uma criação de animais silvestres em casa. Na verdade, ele tem uma floresta em seu quintal – que, além dos bichos espinhosos, tem macacos e teiús, riachos e pequenas cachoeiras. O engenheiro é dono de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Dos 20 hectares de sua propriedade, batizada Sítio Capuavinha, cinco não podem ter sequer uma árvore derrubada. Mesmo que seus filhos o herdem ou que ele seja vendido, a área seguirá intocável, já que a transformação em RPPN é perpétua e irrevogável.
A iniciativa para a criação de uma reserva particular parte do dono, que deve ter o título da propriedade. A área precisa possuir algum atributo especial: nascentes, rios ou mananciais, vales de formação rochosa ou espécies raras ameaçadas de extinção. Com esses critérios obedecidos, o dono deve encomendar a um topógrafo a medição da área a ser transformada em reserva. Depois de homologada, ela só poderá abrigar atividades econômicas que forem voltadas para educação ambiental, pesquisa científica ou turismo. A criação da primeira dessas unidades de conservação completa 20 anos no dia 14 de março. Localizada no município de Dois Irmãos do Buriti, em Mato Grosso do Sul, a RPPN Fazenda Lageado tem 12,55 mil hectares. Foi criada no mesmo ano do Decreto Federal 98.914, que regulamenta as RPPNs, publicado em 31 de janeiro de 1990. Mais de 900 reservas particulares foram implantadas desde então. No Cerrado, onde a Fazenda Lageado está situada, existem 182 áreas como essa. Outras estão espalhadas por todos os biomas brasileiros.
Quem reconhece as RPPNs em nível federal é o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). Muitos Estados e mesmo alguns municípios possuem, porém, sua própria legislação. Quando decidiu transformar uma parte da propriedade de 79 hectares que herdou do pai em reserva particular, o gestor João Rizzieri esperou mais de dois anos. “Era uma burocracia muito grande”, lembra ele, que também é presidente da Frepesp (Federação das Reservas Ecológicas Particulares do Estado de São Paulo). Enquanto pelo ICMBio esse processo leva atualmente até um ano para ser concluído, em Estados como São Paulo, que tem seu decreto estadual, o prazo é de 120 dias. Um dos poucos incentivos fiscais para quem tem uma RPPN é que a parte do terreno dedicada à reserva é isenta do ITR (Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural). Outra vantagem é que, caso precise de financiamento agrícola, o dono de uma fazenda em que haja uma reserva particular tem prioridade ao crédito em relação a outros agricultores.
Para incentivar a criação, o manejo e mesmo a abertura de negócios sustentáveis nessas áreas, foi implantado em 2003 o Programa de Incentivo às RPPNs da Mata Atlântica. Nesse bioma brasileiro, há 7,91% de floresta remanescente, sendo que 80% estão em áreas particulares. Outras iniciativas semelhantes existem na Caatinga e no Pantanal. A existência delas é um impulso para quem tem de cuidar de uma floresta inteira sozinho, como o austríaco Follmann. Desde que criou sua RPPN, todos os anos ele enfrenta pelo menos um incêndio. “As pessoas que põem fogo aqui não percebem que não estão destruindo algo meu, e, sim, delas”, conta. “Eu não desanimo. Quando algo está na sua medula, não há como voltar atrás.”
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
SELEÇÃO ECOLÓGICA
Seleção apresenta camisa ecologicamente correta para usar na Copa do Mundo
Bruno Freitas*
Em Londres (Inglaterra)
Nova camisa da seleção brasileira foi lançada em Londres; peça tem caráter ecologicamente correto
A roupa que vestirá o Brasil em sua 19ª Copa do Mundo foi apresentada nesta quinta-feira num evento em Londres. O uniforme 1 da seleção, com a clássica composição de camisa amarela e calções azuis, foi a principal atração de um lançamento coletivo de uma grande marca internacional, que contou com novidades de mais nove seleções.
O destaque da nova camisa da seleção, segundo a fornecedora de material esportivo que mantém acordo com a CBF, é seu caráter ecologicamente correto. A camisa é feita com poliéster reciclado de garrafas plásticas. Cada peça foi produzida a partir de oito garrafas retiradas do meio-ambiente.
Visualmente, ela é mais discreta do que suas versões anteriores, pelo menos nos detalhes em verde, que aparecem na gola e em tiras sobre ombros e braços.
O lançamento aconteceu em uma fábrica desativada, em Londres.
Na apresentação em um evento numa fábrica desativada em Londres, o atacante Alexandre Pato atuou como modelo da camisa amarela da seleção. O jogador do Milan, no entanto, não vem sendo convocado e sua presença na Copa é incerta. Isso porque, Luís Fabiano, Adriano, Robinho e Nilmar vêm sendo os preferidos de Dunga para a posição e foram convocados para o último teste antes do Mundial.
Além do Brasil, as seleções de Holanda, Portugal, EUA, Austrália, Nova Zelândia, Eslovênia, Sérvia e Coreia do Sul tiveram novos modelos de uniformes apresentados no evento desta quinta em Londres. A Inglaterra, que é patrocinada pela Umbro, aproveitou a oportunidade e também lançou a camisa que o English Team irá usar no Mundial da África do Sul. A Umbro pertence à Nike desde 2007 e esta foi a primeira vez as duas marcas realizaram uma ação desse tipo em conjunto.
Alexandre Pato, do Milan, foi o "modelo" que apresentou o novo uniforme da seleção brasileira.
Há pouco mais de dez dias, uma ação de marketing no Carnaval de Rio de Janeiro e Salvador já havia apresentado a camisa 2 da seleção, a azul, em outro modelo desenvolvido para o Mundial da África do Sul.
A estreia oficial da nova camisa amarela da seleção deve acontecer na próxima terça-feira, também em Londres, na partida amistosa contra a Irlanda, no último compromisso da equipe antes do anúncio da lista para a Copa.
*O jornalista viajou a Londres a convite da Nike
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
ANTICONSUMO
MAURÍCIO KANNO
colaboração para a Folha Online
Você acha que seria possível viver sem geladeira? E sem televisão? O casal Juliana Morari, 26, e Lúcio Tamino, 27, vive assim. E muito bem, pelo que dizem. Há dois anos, mudaram-se de uma região mais urbana da metrópole de São Paulo para a serra da Cantareira, nos limites do município, onde consomem "somente o necessário".
"Já que procuro sempre comer frutas e legumes frescos e não consumo nada derivado de animais, que estraga fora da geladeira, não preciso dela", explica Juliana, que se identifica como pesquisadora de dança. Ela planeja no máximo experimentar um sistema africano de refrigeração com vasos de cerâmica.
Divulgação
Artista plástico Lúcio Tamino, 27, em sua casa na serra da Cantareira, onde vive "somente com o necessário" com a esposa
Sobre a falta de TV, diz : "Assim, evitamos o apelo comercial que chega tanto pela TV como por lanchonetes e outras grandes lojas"
Eles são um exemplo de até onde podem chegar cidadãos preocupados com o ambiente - e, no caso deles, também com a saúde, os animais, e o "todo à sua volta".
Relatório publicado pelo Worldwatch Institute na semana passada apoia atitudes como a deles. A organização, baseada em Washington, tira o foco no governo e em acordos internacionais. Avisa que o desenvolvimento sustentável do planeta e a luta contra o aquecimento global passam por uma renúncia ao consumismo.
Juliana diz que não compra produtos "supérfluos", ainda mais quando são industrializados, como biscoitos recheados e iogurte.
Divulgação
Pintura do artista plástico Lúcio Tamino, 27, que mostra a sua casa na serra da Cantareira, para onde se mudou há dois anos
"Possuem corantes, conservantes e outros ingredientes que podem fazer mal", diz. Quando o casal precisa mesmo de algo industrializado, como óleo, opta por cooperativas. "Priorizo produzir eu mesma biscoitos e pães caseiros para nosso consumo."
O sustento financeiro do casal vem de Lúcio, artista plástico. Mas, como evitam o consumismo, não necessitam de muito dinheiro, diz Juliana.
O único eletrônico que declaram possuir em casa é um computador, por onde atualizam site contando sua experiência.
Absorvente reaproveitável
Há outros que não têm um estilo de vida como o de Juliana e Lúcio, mas, ainda assim, buscam renunciar ao consumismo. A Folha Online ouviu casos curiosos de renúncia às compras tidas como excessivas. Algumas medidas, como a da professora Tânia Regina Vizachri, 23, chamam a atenção.
Em vez de utilizar absorventes íntimos descartáveis, ela adotou os chamados abiosorventes. São de pano reutilizáveis.
"Isso evita ter que ir sempre comprar na farmácia e produzir mais lixo", explica ela. "Além disso, há os produtos químicos do produto industrializado que também causam impactos."
Divulgação
"Abiosorvente", absorvente íntimo feminino reutilizável com impacto ambiental reduzido
O site do produto estima: "cada uma de nós irá consumir, ao longo da vida fértil, algo em torno de 10 mil absorventes descartáveis, que ficarão aí pelo mundo por volta de uns cem anos pelo menos".
E quando seu celular quebra, você pensa em consertar ou compra outro? Como muitos desses aparelhos são baratos, o biólogo Leandro Sauer Carrillo, 26, aponta que a tendência é mesmo comprar outro. "As pessoas não se preocupam com o que vai virar depois o produto", diz.
"O visor do meu celular quebrou há cerca de dois anos, depois de um ano de uso", conta ele. "Ao invés de jogar fora, consertei, por 10% do valor do aparelho." Outra aventura do aparelho foi molhar --problema que ele diz ter resolvido ao secá-lo.
Hoje Leandro não está mais com o celular, mas o deu em boas condições de funcionamento para sua mãe, atual usuária.
Arquivo pessoal
O biólogo Leandro Carrillo, 26, sugere pensar por uma semana antes de fazer uma compra
Uma semana para pensar
Outra preocupação do biólogo é na hora de fazer qualquer compra: "Antes pense no seu custo-benefício por uma semana", sugere ele. "Se, no fim do período, ainda quiser comprar, OK. Senão, provavelmente era algo que você acabaria não usando."
Ele exemplifica com a última coisa em que pensou em comprar: uma máquina de fazer suco que viu em propaganda na televisão.
"Parecia legal, mas depois, ao ver funcionar, percebi que desperdiçava partes da fruta que também poderiam ser aproveitadas, gerava muito resíduo", conta Leandro, que desistiu da compra.
Outro objeto de consumo que o biólogo cobiça há cerca de quatro anos é uma TV LCD. Mas recusou até hoje a compra pela decisão consciente de esperar: "A tecnologia avança muito rápido, logo vai ter outra opção mais avançada", pondera.
"Além disso, quanto tempo vou ter para isso? Se eu tiver uma TV pior provavelmente vou ter até menos vontade de assistir e vou poder fazer outras coisas mais saudáveis."
Veja mais:
Consumismo é incompatível com preservação do planeta, diz ONG
Para especialista, nova classe C ignora sustentabilidade; leia entrevista
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
O ÚLTIMO "URSO DANÇARINO"
O último dos chamados "ursos dançarinos" foi libertado na Índia, encerrando uma tradição centenária que organizações de direitos dos animais atacavam por submeter animais a sofrimento e maus tratos. Raju, um urso de quatro anos de idade, foi solto em uma área de proteção ambiental no sul da cidade de Bangalore.
Por séculos, os "ursos dançarinos" divertiram platéias de espectadores na Índia. Mas a atividade foi proibida em 1972, por causa do mau tratamento a que os animais eram submetidos.
Mais de trinta anos após a proibição da atividade, uma campanha do governo em parceria com organizações não-governamentais levou sete anos fez cumprir a lei.
Como parte da iniciativa, o governo indiano dá treinamento para os tratadores, ou kalandars, sustentarem as suas famílias fazendo outro tipo de trabalho.
Maus tratos
Depois de resgatar Raju, veterinários realizaram o que esperam ser a última operação para retirar a corrente de um urso dançarino. O urso estava preso por uma corda que trespassava um buraco em seu focinho. Em muitos casos, a perfuração, a ferro quente, tinha de ser feita duas, três vezes, explicaram os veterinários.
Mary Hutton, da ONG australiana Free the Bears Fund, disse que Raju era mantido em cativeiro por uma "parafernália" de instrumentos, que incluía um anel de metal, a corda e um bastão, com o qual o tratador puxava o anel e controlava o animal. "É o ultimo urso resgatado das estradas da Índia, o fim da atividade", comemorou a ativista.
Ao ser solto na reserva natural, Raju se une a outros 600 ursos libertados que, após séculos de cativeiro, já não conseguiriam sobreviver na natureza.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
PRIMO DO LOBO-GUARÁ
Desenho do lobo-das-malvinas em "The Zoology of the Voyage of the H.M.S. Beagle"; animal é primo do lobo-guará, diz pesquisa
REINALDO JOSÉ LOPES
da Folha de S.Paulo
O bicho de pelagem dourada habitava as frias ilhas Malvinas (ou Falklands, como preferem os britânicos), na costa argentina, mas seu parente mais próximo ainda vivo é o lobo-guará, morador cada vez mais raro do cerrado brasileiro. A conclusão vem de uma análise de DNA e reduz um pouco o mistério em torno do lobo-das-malvinas, animal que intrigou Charles Darwin e foi extinto pela caça indiscriminada em 1876.
A pesquisa, coordenada por Graham Slater, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, está na revista científica "Current Biology". Slater e companhia conseguiram obter DNA de cinco exemplares de museu do Dusicyon australis, como o bicho é conhecido oficialmente pelos cientistas.
Com isso, foi possível comparar alguns genes do lobo-das-malvinas com os de canídeos modernos, em especial os nativos da América do Sul, como o lobo-guará e o cachorro-do-mato-vinagre. Ficou claro o parentesco mais próximo com o guará, mas o detalhe é que as linhagens dos dois bichos sofreram uma separação antiga, há mais de 6 milhões de anos.
De norte a sul
Isso é o mais surpreendente, porque a data indica que a evolução das duas espécies já estava ocorrendo separadamente quando canídeos como eles nem sonhavam em chegar à América do Sul. Nessa época, as terras sul-americanas eram uma ilha, separada da América do Norte. O continente atual só se formou há 3 milhões de anos.
Os ancestrais do lobo-guará e do lobo-das-malvinas acabaram sumindo totalmente da América do Norte, hoje dominada pelos coiotes e pelo lobo "verdadeiro", ambos do gênero Canis. "Não sabemos o porquê disso", disse Slater à Folha.
"Os Canis chegam [da Ásia] e os outros simplesmente desaparecem. Talvez a socialidade seja importante, porque a maioria dos canídeos sul-americanos de hoje é solitária, enquanto os lobos e coiotes vivem em grupos, e os carnívoros sociais conseguem desalojar os solitários e capturar um espectro mais amplo de presas."
Darwin foi o primeiro especialista a descrever formalmente o lobo-das-malvinas e ficou com a pulga atrás da orelha ao notar que o bicho era o único mamífero nativo das ilhas, as quais, afinal, ficam a quase 500 km do continente. Ninguém sabe como os lobos foram parar lá. Pode ser que tenham sido arrastados em cima de troncos de árvore ou pedaços de gelo mar adentro.
"Nas Malvinas eles tinham carne à vontade, comendo focas, pinguins e aves marinhas", diz Slater. É possível que outras espécies mais próximas do lobo-das-malvinas tenham sido extintas por seres humanos no continente, especula ele.
O mesmo destino aguardava a espécie insular. Pastores que colonizaram as Malvinas a consideravam uma ameaça para suas ovelhas e cobiçavam sua pele, o que acabou levando ao extermínio do animal.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
PEIXES SENTEM DOR
Peixes também sentem dor
Animais sentem medo e sensação consciente de desconforto
Muitos fãs de receitas culinárias preparadas peixes e frutos do mar costumam alardear a idéia popular de que tanto esses animais não sentem dor. Um novo estudo, entretanto, sugere que eles possuem sistemas nervosos mais complexos do que pensávamos e sua consciência das sensações dolorosas pode ser, evolucionariamente, muito mais antiga do que suspeitávamos. Ou seja: eles sofrem quando são feridos e mortos.
O pesquisador Joseph Garner, da Universidade de Purdue, na Noruega, que acompanhou peixinhos dourados, mostrou que esses animais experimentam a dor de forma consciente – e não apenas reagem a um reflexo, como quando uma pessoa recolhe o pé depois de pisar em um prego (antes mesmo de estar consciente da sensação). Nesse estudo, os biólogos descobriram que o peixinho dourado que recebia uma injeção de salina e era exposto a um grau doloroso de calor, em um tanque de teste, ficava flutuando em um único ponto quando recolocado em seu próprio tanque. Garner identifica isso como um “comportamento de medo e evasão”. Segundo ele, tal reação é cognitiva e não resultante de reflexos. Outros peixes, depois de receber uma injeção de morfina que bloqueava o impacto da dor, não mostraram esse comportamento.
Embora as descobertas de Garner combinem um trabalho anterior que sugeriu que esses animais podem sentir dor, alguns especialistas não estão convencidos de que a reação não foi resultado apenas uma reação de escape instintivo. Mesmo assim, o novo estudo cria preocupações éticas. “Precisamos nos responsabilizar por nossas escolhas; se usamos animais nos experimentos e também os comemos é importante entender as conseqüências e o alcance de nossas ações”, diz Garner.
terça-feira, 21 de julho de 2009
SERRA DA CANTAREIRA
Muitos deles estão ameaçados de extinção e fica a pergunta: Até quando eles aguentarão viver em fragmentos florestais cada vez menores e sem conexão com outras áreas protegidas para a garantia da troca genética?
Vale todos os esforços para conhecer e preservar a Serra da (En)Cantareira!
O bugio (Alouatta clamitans) é um primata encontrado na serra da Cantareira - Carlos Zacchi/Instituto Florestal
Moradores da Serra da Cantareira convivem com bichos de várias espécies
LAURA GUIMARÃES
Colaboração ao UOL Bichos
Apesar de ser um dos milhões de habitantes da Grande São Paulo - muitas vezes lembrada pelos prédios, carros e poluição - Joacir Salles de Barros vive cercado pela natureza e costuma receber no quintal de sua casa, na Serra da Cantareira, um grupo de bugios.
Os macacos da espécie aparecem quase diariamente para se alimentar dos frutos e folhas das árvores. A mãe costuma carregar o filhote pequeno nas costas. O mais ousado deles, segundo Marina Braga Médici - frequentadora da região e namorada de Barros -, parece nem se intimidar com os latidos dos cães domésticos.
Além dos bugios, vários bichos são vistos na Serra da Cantareira, região que se estende pelos municípios de São Paulo, Guarulhos, Mairiporã, Caieiras e Franco da Rocha. A floresta, maior em área urbana do mundo, é habitat de mais de 380 espécies entre répteis, aves, mamíferos e anfíbios.
"Na Serra da Cantareira podem ser encontradas 45% das espécies de médios e grandes mamíferos de todo o estado de São Paulo e 14% do Brasil" diz Marcio Port Carvalho, pesquisador científico do Instituto Florestal, órgão de proteção e pesquisa do governo do Estado de São Paulo.
Entre eles estão animais raros e ameaçados de extinção, como a onça parda, o gato do mato pequeno, o sagüi da serra escuro e a jaguatirica.
Há ainda nomes como araçari banana, o beija-flor de cabeça azul, o gavião pega-macaco, o gato mourisco, o pica-pau de cabeça vermelha, o macuco, a jararaca, a perereca risadinha e a coruja orelhuda.
Vizinhos do mundo animal
Como é viver tão perto dos bichos? Para muitos moradores da Serra, a convivência pacífica e prazerosa. "É incrível ficar perto destes bichos", diz Eugênio Oz. "Acordo com o barulho dos tucanos e à tarde aparecem papagaios."
Para Ana Cristina Ferreira, o incômodo não existe nem quando se trata de espécies tidas como perigosas, como no caso da aranha marrom. "Eu curto aranhas. Não as mato nunca. Se aparece uma dentro de casa, pego um pedaço de papel e tiro". Ana conta que já encontrou nos arredores de sua casa bichos-preguiças, cobras, jacus e até um veado.
Os moradores da região não são os únicos que podem ver os animais de perto. A Serra da Cantareira possui uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, o Parque Estadual da Cantareira, com aproximadamente 8.000 hectares de Mata Atlântica divididos em quatro núcleos - Águas Claras, Pedra Grande, Engordador e Cabuçu -, abertos ao público nos finais de semana, feriados e férias escolares.
"Vale ressaltar que tanto a presença dos moradores quanto dos visitantes da Serra não deve interferir nos hábitos dos animais", alerta Marcio Port Carvalho, "Por exemplo, oferecer alimentos não é uma boa ideia. Espécies que naturalmente são dispersoras de sementes de árvores nativas podem deixar de cumprir seu papel no ambiente, há o risco de acidentes como mordeduras e transmissão de doenças e zoonoses, e eventuais mudanças do seu comportamento natural".
Atualmente a Serra da Cantareira vem sofrendo diversos impactos e ameaças. Os principais deles, que saltam à vista de quem passa pela região, são as ocupações irregulares e desmatamentos. Para construir uma casa na Serra é necessário seguir a legislação vigente. Os pedidos de processo de licenciamento ambiental devem ser feitos no Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais (DPRN).
A Serra da cantareira abriga exemplares de felinos - como esses Jaguarundis, ou Gato-Mourisco (Felis yagouaruundi) - Vincent Lo/ Instituto Florestal
O pica pau de cabeça vermelha (Dryocopus lineatus) vive solitário ou aos pares, arrancando a casca e bicando troncos e galhos maiores em busca de insetos - Vincent Lo/ Instituto Florestal
Gavião Pega-macaco Spizaetus tyrannus, ave de rapina adaptada para caçar em regiões de mata fechada - Vincent Lo/ Instituto Florestal
Beija-flor-de fronte violeta habita florestas altas, capoeiras e jardins - Vincent Lo/ Instituto Florestal
O gato-do-mato-pequeno, espécie de gato silvestre (Leopardus tigrinus), ameaçada de extinção, registrado com câmera trap no Parque Estadual da Cantareira - Marcio Port-Carvalho/ Instituto Florestal
Na serra, os tucanos são muito comuns e fáceis de seres vistos e ouvidos - Marcio Port-Carvalho/ Instituto Florestal
Onças-pardas ainda são encontradas na cidade de São Paulo - Marcio Port-Carvalho e Cássia Garrido/ Instituto Florestal
Morcego frugívoro importante no processo de dispersão de sementes e regeneração das florestas - Marcio Port-Carvalho/ Instituto Florestal
Ave que se locomove saltando de árvore em árvore - Vincent Lo/ Instituto Florestal
Paca é vista no escuro no Parque Estadual da Cantareira - Marcio Port-Carvalho/ Instituto Florestal
Espécie rara de tucano da Mata Atlântica encontrada na Serra da Cantareira - Marcio Port-Carvalho/ Instituto Florestal
Filhote de jaguatirica, espécie de felino ameaçada de extinção, é um dos bichos da Serra da Cantareira, região que se estende pelos municípios de São Paulo, Guarulhos, Mairiporã, Caieiras e Franco da Rocha - Cybele Araújo/ Instituto Florestal
A cor vibrante do pássaro saí-azul (Dacnis cayana ); a Serra abriga o Parque Estadual da Cantareira, com aproximadamente 8.000 hectares de Mata Atlântica - Marcio Port-Carvalho/ Instituto Florestal





























