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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

BESOUROS ESCARABEÍNEOS

 
"Associação entre besouros escarabeíneos e mamíferos terrestres de médio e grande porte da floresta Atlântica em Santa Catarina"
 
Biólogos da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC - realizam pesquisas com insetos como indicadores de conservação ambiental na Mata Atlântica
 
Na visita em dezembro à RPPN Rio das Lontras - da esquerda para a direita - Dra. Malva Isabel Medina Hernández,  Fernando José Pimentel Teixeira, Christiane de Souza Pimentel Teixeira, Juliano André Bogoni e Renata Calixto Campos
 
Logo a caminhada buscando os carreiros de mamíferos já mapeados em pesquisas anteriores
 
Um grande prazer caminhar em meio à Mata Atlântica
 
Sempre há surpresas e algo me chama a atenção no chão
 
Flagrante de uma bela e curiosa aranha (Ctenus cf. ornatus) carregando seus ovos

Exoesqueleto de uma cigarra
 
Névoa típica do bioma Mata Atlântica 
 
Uma bela orquídea - uma das maiores famílias de plantas existentes
 
A incrível variedade biológica da floresta sempre encanta
 
O design magnífico das folhas de um xaxim
 
Bactris setosa - Nomes populares: Tucum, coco-de-natal, marajá, tucum-bravo, tucum-pitanga, tucunzeiro, uva-do-mato. Os frutos são comestíveis, possuindo polpa fibrosa e suculenta, surgindo daí um dos seus nomes populares: uva-do-mato. As amêndoas podem ser consumidas ao natural ou torradas para usos diversos, sendo ricas em lipídios, servem também para extração de óleo alimentício
 
Detalhe do tronco de uma embaúba...
 
A embaúba pode chegar a quinze metros de altura. Pertence ao estrato das plantas pioneiras da Mata Atlântica. É também chamada de árvore-da-preguiça, pois seus frutos e folhas são o alimento preferido deste animal. Também possui características medicinais
 
 Uma pausa para um lanchinho
 
 Biscoitinhos de polvilho com erva-doce...
 
 Receita muito antiga de família
 
 Juliano e Renata instalaram diversas armadilhas pela mata
 
Com o objetivo de capturar o maior número de besouros escarabeíneos possível
 
 Armadilha instalada
 
48 horas depois os pesquisadores voltaram à campo para a coleta 
 
E o resultado foi extraordinário!

 Centenas de insetos foram capturados nas 48 horas e levados para o laboratório
 
 Uma variedade impressionante!
 
E muito trabalho pela frente

Incluindo a identificação das várias espécies

Uma bela variedade

Uma pequena amostra da grande biodiversidade das nossas florestas

Muito que se pesquisar

 E o muito em trabalho de educação e preservação ambiental
 
Um pequeno e curioso registro bem no meio do rio dividindo propriedades: Um beija-flor paira no ar. Talvez confuso. De um lado Mata Atlântica preservada, do outro monocultura de exóticas. 

Um registro no fim do dia onde pegamos muita chuva, uma bela caminhada e a sensação de um gostoso e importante trabalho de pesquisa - pois só podemos proteger aquilo que conhecemos!
 
 
* Fotos: Arquivo RPPN Rio das Lontras e Juliano Bogoni



quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

31 DE JANEIRO - DIA NACIONAL DAS RPPNs!

Lançamos em 21 de setembro de 2007 AQUI no blog da RPPN RIO DAS LONTRAS a proposta da criação do "Dia Nacional das RPPNs"- uma justa homenagem a essa importante categoria das unidades de conservação que protegem centenas de milhares de hectares em todos os biomas brasileiros.
Agora em 2013 divulgamos uma série de banners comemorativos mostrando um pouco do muito que se é protegido em perpetuidade por mais de mil RPPNs espalhadas por todos os cantos do Brasil.

Parabéns Reservas Particulares do Patrimônio Natural! Parabéns RPPNs!















terça-feira, 29 de janeiro de 2013

POBRE SANTA CATARINA

Inventário Florístico Florestal mostra que Biodiversidade arbórea de SC reduziu

Ao todo, foram monitoradas 400 áreas entre 2007 e 2011 com o apoio de engenheiros florestais, biólogos, escaladores, auxiliares e estudantes
 
Foto: RPPN Rio das Lontras
 

Agência Brasil
 
As equipes responsáveis pelo Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina monitoraram mais de 400 áreas entre 2007 e 2011. Neste período, profissionais de várias áreas, como engenheiros florestais, biólogos, escaladores, auxiliares e estudantes, coletaram materiais e entrevistas e analisaram estes dados. Foram registradas mais de 2,3 mil espécies de plantas vasculares, entre as quais 860 espécies arbóreas e arbustivas, 560 epífitos, 270 lianas, 315 pteridófitas (samambaias), além de 707 ervas terrícolas.
 
Os números mostram que 50% de todas as espécies registradas em levantamentos feitos há 23 anos ainda estão presentes nestas áreas. Apesar disto, os pesquisadores alertam que existe uma drástica redução da biodiversidade de espécies arbóreas na comparação com os levantamentos realizados há 50 anos, principalmente entre as espécies naturalmente raras, que sempre ocorreram em pequena quantidade e em poucos locais ou locais muito restritos. Pelo menos 32% das espécies arbóreas e arbustivas foram encontrados com menos de dez indivíduos.
 
A principal razão apontada pelos pesquisadores para a situação alarmante é a redução da área florestal no estado. De acordo com o levantamento, menos de 5% das florestas tem características de florestas maduras, enquanto mais de 95% dos remanescentes florestais do estado são florestas secundárias, formadas por árvores jovens de espécies pioneiras e secundárias, com troncos finos e altura de até 15 metros e baixo potencial de uso.
 
“Estas florestas têm menos da metade do estoque original de madeira e de biomassa e um número muito reduzido de espécies arbóreas e arbustivas. Pesa assim o fato de 90% dos fragmentos florestais de Santa Catarina terem área menor que 50 hectares. Os efeitos do pequeno tamanho das áreas florestais e de seu uso inadequado resultam em um significativo empobrecimento da floresta e na simplificação de sua estrutura”, destaca o Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina. Estas interferências e novas características, segundo especialistas, podem prejudicar as funções protetoras do solo e dos mananciais e a função da floresta como reservatório de carbono e guardião da biodiversidade.
 
Os vilões responsáveis por estas mudanças nas florestas catarinenses, segundo a conclusão das equipes, são as constantes intervenções humanas na floresta, como a exploração indiscriminada de madeira, roçadas e o pastoreio de bovinos.
 
O Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina foi realizado entre 2007 e 2011 pelo Serviço Florestal Brasileiro, Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), Universidade Federal de Santa Catarina, Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Universidade Regional de Blumenau (Furb) e governo de Santa Catarina.


terça-feira, 30 de outubro de 2012

‘É o fim da economia como a conhecemos’, diz Paul Gilding

Para ambientalista, países emergentes podem criar um modelo de desenvolvimento sem sacrificar o planeta
 
Por Simone Barreto / Jornal O Globo
 
 
Paul Gilding, autor do livro “A Grande Ruptura" (Agência O Globo / Divulgação)

 
LONDRES - Paul Gilding, o autor do livro “A Grande Ruptura”, provoca discussões em todo o mundo quando afirma que chegamos ao fim da trilha do crescimento econômico. No entanto, ele não se vê como um profeta do apocalipse. Muito pelo contrário, o ambientalista é um otimista que acredita no poder de reação da Humanidade: “Podemos ser lentos, mas não somos estúpidos”.

Gilding é um veterano ambientalista, que foi chefe do Greenpeace Internacional, e hoje é consultor de sustentabilidade e professor associado ao Programa de Sustentabilidade da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Aos 52 anos, Gilding vive numa fazenda, na Tasmânia, ilha ao sul da Austrália, com a mulher e dois de seus cinco filhos. Durante suas férias no verão australiano, Gilding falou ao GLOBO sobre o fim da economia como a conhecemos hoje.

O GLOBO: O senhor diz em seu livro que a busca por lucro e crescimento econômico chegou ao limite. A que se refere a grande ruptura do título?

PAUL GILDING: A grande ruptura é o fim da economia como a conhecemos, do consumismo desenfreado, de um estilo de vida e de um crescimento econômico que não medem o impacto nos recursos finitos do planeta.

O que podemos fazer individualmente para ajudar a retardar esse processo?

GILDING: O mais importante a fazer é aprender como podemos melhorar a qualidade de nossas vidas. No mundo moderno, estamos focados em fazer mais dinheiro, consumir mais bens materiais, ter casas maiores e por aí afora. Significa que temos mais custos, que temos de trabalhar mais para pagar um custo cada vez maior e definitivamente não é assim que melhoramos nossa qualidade de vida... Precisamos aprender a viver com menos, para termos mais tempo de fazer o que nos deixa realmente felizes. Coisas simples como viver em comunidade, ficar com a família e os amigos.

O mundo está passando por uma mudança bastante importante: enquanto os países ricos estão afundados numa enorme crise financeira, os emergentes estão indo às compras. Mas precisam zerar uma dívida social enorme, o que significa mais gente consumindo, mais gente comendo, mais gente gastando dinheiro. Como fechar essa conta?

GILDING: Eu acho que temos diferentes abordagens para diferentes países. Os ricos terão de fazer uma dramática redução nos gastos e no consumo. Primeiro, porque está muito claro que nosso planeta não sustenta esse ritmo de crescimento econômico; e segundo, porque também está claro que dessa forma não vamos melhorar a qualidade de vida dos cidadãos desses países. Mas é diferente quando falamos de pessoas vivendo em países em desenvolvimento. É como se o mundo tivesse de abrir espaço para o crescimento. E, na verdade, os países em desenvolvimento estão presos numa armadilha dos ricos, que resolvem tudo com o crescimento econômico. A verdade é que movimentos como Ocupem Wall Street nos mostram que o crescimento econômico não entrega sempre uma integridade social; ao contrário, pode criar mais conflitos e divisões na sociedade. Nós temos de criar um novo modelo de progresso, que permita o desenvolvimento sem sacrificar os processos e o planeta. E países como o Brasil, por exemplo, têm neste momento uma grande oportunidade de fazer diferente, de tentar novos meios de governar uma sociedade em equilíbrio com o mercado.

Para especialista, década terá crise grave

De quantos planetas Terra precisaríamos para sustentar a taxa de crescimento atual?

PAUL GILDING: Precisaríamos de dois planetas Terra em 2030 para sustentar o crescimento de hoje. Três ou quatro em 2050. É impossível manter este ritmo porque temos uma só. Estamos destruindo a infraestrutura sobre a qual a economia foi construída. Quanto mais danificamos a terra, os oceanos, menos o planeta poderá suportar.

O senhor já disse que acredita numa mobilização da sociedade para as mudanças que estão por vir. Estamos acelerando o passo dessa mobilização?

GILDING: Em geral, não estamos realmente mobilizados. Ainda. Mas vejo que, desde que comecei a palestrar sobre a grande ruptura de que falo no livro, há uma aceitação maior ao fato de que precisamos discutir uma nova abordagem. Tanto que hoje muitos experts adotaram a ideia e falam sobre o equilíbrio que deve haver entre o crescimento econômico e o balanço social.

O senhor é um otimista?

GILDING: Sim! Eu sou um otimista incomum. Acho que o mundo vai ficar muito instável, que vai sofrer uma crise complexa, com muitos conflitos e um grande rompimento econômico. Mas nossa sociedade reage bem às crises. Então, apesar de muitas pessoas me acharem um pessimista quando digo que essa crise é inevitável, eu discordo. Sou otimista sobre o potencial de resposta da Humanidade a momentos como este, e a sua capacidade de fazer mudanças, e muito rápidas. Basta olhar o exemplo da Segunda Guerra Mundial e de como os ingleses reagiram numa situação limite. Nós somos realmente bons, extraordinários numa crise, temos grande capacidade de transformação e mobilização. Essa reação é universal.

Quando o senhor espera que deva acontecer essa grande parada da economia?

GILDING: Nesta década. Não estamos mais falando de longo prazo, para os filhos de nossos filhos. Vai acontecer logo, pois, quando algo é insustentável, eventualmente para. Também acredito que durará bastante, porque teremos exaustão de recursos e vejo o fornecimento de comida como uma das questões de maior importância.

Segundo as projeções atuais, vamos chegar a 2050 com nove bilhões de pessoas no planeta que precisarão de comida.


GILDING: Não é com a quantidade de pessoas vivendo, mas com o estilo de vida delas que temos que nos preocupar. É possível termos nove bilhões de pessoas e alimentá-las. Na Índia, as emissões de carbono estão em duas toneladas per capita, enquanto nos Estados Unidos vemos 26 toneladas per capita. Só não será possível se vivermos como hoje nos países ricos, sem pensarmos no desperdício e em como conduzimos nosso consumo.

O que o senhor ensina para seus filhos sobre o futuro do planeta?

GILDING: Você não quer que as crianças fiquem preocupadas com o futuro. Mas eu procuro ensinar as coisas em que acredito. Eu tenho cinco filhos, quero que eles sejam felizes. Eu tento ensinar como viver bem sem precisar de muito. Quero que eles saibam como é possível ter uma boa vida num mundo de nove bilhões de pessoas.


Clique AQUI para assistir uma excelente entrevista concedida ao jornalista Jorge Pontual no último programa 'Milênio', da Globo News.