Páginas

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Gisele Bündchen e a água


A top model Gisele Bündchen veste o modelito mais fresco de sua carreira: um "vestido" de água.

A "roupa" não é criação de nenhum estilista excêntrico, e sim, parte da campanha da agência de publicidade W/Brasil para o lançamento de um novo comercial de sandálias.
A campanha começou a ser veiculada no intervalo do "Fantástico" de domingo (16) e foi criada para embarcar na onda das empresas que querem relacionar sua marca à preservação ambiental, no caso, o consumo consciente da água.


A nota acima foi dada na Folha de São Paulo. Mas pelo andar da carruagem é capaz de faltar a matéria prima para o "vestido".
Regiões do estado de São Paulo passam por uma grave seca. Notícias de incêndios alimentados por ondas de calor e seca se espalham pelo mundo, desde o Maranhão até na Austrália, da Grécia ao México.
Alguém ainda tem dúvidas das mudanças climáticas?


As cataratas do Iguaçu estão mais uma vez desfiguradas.


Ano passado o caudaloso rio Itajaí virou um filete de água como mostra a foto acima, tirada em Blumenau.
É bom a humanidade mudar seus conceitos de produção e consumo, pois o clima está cada vez mais cruel e o preço de tanta indiferença pode custar um preço cada vez mais caro.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Velhinho maluquinho


Velhinho maluquinho
Um dos principais desenhistas do país, Ziraldo ganha um almanaque que celebra seus 75 anos
MARCO AURÉLIO CANÔNICO - Folha de São Paulo


Ziraldo Alves Pinto é bom de papo. Às vésperas dos 75 anos -nasceu em 24 de outubro de 1932, em Caratinga (MG)-, traz às costas inúmeras profissões, passagens por veículos marcantes na cultura brasileira e uma coleção de boas histórias que se compraz em contar.

Parte desses causos está no recém-lançado "Almanaque do Ziraldo", uma abrangente e ricamente ilustrada "biografia visual", como definem os autores, Luis Saguar e Rose Araujo.

Editado pela Melhoramentos, o livro faz um extenso apanhado da obra do desenhista, escritor, editor, apresentador, jornalista, ilustrador, caricaturista (e muitos outros "ista" e "or"), passando por publicações históricas como "O Cruzeiro" e "O Pasquim", além de sua vasta literatura infantil.

"É o maior carinho que já recebi na minha vida", diz Ziraldo, que também é bom de hipérboles, principalmente ao se referir aos amigos (o que faz com freqüência) e às homenagens que tem ganhado por conta da efeméride de outubro.

"Duas pessoas cuidarem com o zelo que eles tiveram, procurarem imagens que eu nem lembrava, é tudo que um artista quer na vida. Já posso morrer."

O "Almanaque" é apenas uma das muitas homenagens que já lhe foram feitas neste ano -já teve uma grande exposição, "Jubileu do Ziraldo: 75 Anos de Um Menino Feliz", um DVD, "Ziraldo - O Eterno Menino Maluquinho", uma biografia sobre sua infância, escrita pelo jornalista Audálio Dantas, e ainda vai ganhar um livro reunindo 400 de seus cartazes para feiras, filmes e eventos.

"Eu devo estar desenganado e estão escondendo de mim", diz o autor, fazendo troça. "Essas homenagens todas só ganham os mortos, não os vivos."

Turco do armazém

Ao mesmo tempo em que recebe tantas deferências, continua produzindo em ritmo incessante -só neste ano já foram oito livros, o mais atual deles o infantil "A Menina das Estrelas". É esse ritmo de trabalho que, segundo Ziraldo, lhe garante a jovialidade.

"Estou lendo um livro da Simone de Beauvoir [1908-1986] sobre a velhice e estou impressionadíssimo com o sem-número de escritores e músicos que envelheceram mal. Eu não tenho tempo de ficar velho, eu estou fazendo coisas."

Quando se dá conta de que os 75 anos se aproximam, não é sem bom humor. "Só descubro que estou velho quando passo em frente ao espelho. Não me reconheço ali, nunca achei que ia ficar com essa cara de turco dono de armazém, achava que seria magrinho, de óculos, tipo um Carlos Drummond de Andrade moreno."

Drummond é um de seus amigos que aparecem no "Almanaque" -os dois se aproximaram em 1969, quando Ziraldo lançou "Flicts", seu primeiro livro infantil, que ganhou recentemente o prêmio Hans Christian Andersen, na Itália.

Há muitos outros, da turma do "Pasquim", como Jaguar, Fortuna e Millôr, aos mineiros do Rio, como Fernando Sabino, com quem Ziraldo trabalhou, bebeu, brigou e aprendeu.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Planeta em perigo!

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) acaba de divulgar a tradicional Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de 2007. Todo ano é possível se atualizar - e horrorizar - quanto aos impactos das ações humanas nas espécies vegetais e animais do planeta.

São mais de 41 mil espécies analisadas em todos os continentes e dessas 16.306 estão ameaçadas de extinção. São 188 novas espécies que entraram na lista de 2007.


O levantamento mostra que estão em situação de risco:
* Um em cada quatro mamíferos;
* Uma em cada oito aves;
* Um terço dos anfíbios;
* 70% das plantas avaliadas (Meu Deus!).

O destaque fica por conta do desaparecimento dos grandes primatas e ainda os corais, base da vida de milhares de espécies e que foram pesquisados pela primeira vez!

Das três categorias de riscos (criticamente ameaçada, muito ameaçada e vulnerável), 1217 espécies de aves fazem parte delas. Algumas mudaram para uma categoria de maior risco de um ano para outro. E os motivos são as ações antrópicas (vegetações resultantes da ação do homem sobre a vegetação natural), como o uso de produtos químicos em plantações.

E o Brasil está em destaque na lista desse ano, aparecendo como um dos quatro países com mais espécies ameaçadas, junto com a China, Austrália e México. São 725 espécies em risco no país.

Cerca de 40% de todas as espécies da América do Sul estão em ameaça. 29 já foram extintas!

Dessas, 11 desaparecerem do planeta em território brasileiro.

E o rítmo da perda da biodiversidade aumenta a passos largos para uma crise global de extinção, segundo o comunicado oficial da Diretora Geral da organização, Julia Marton-Lefèvre.


O terrível é que nem ao menos conhecemos todas as espécies do planeta. Estimativas oscilam entre 10 a 100 milhões, mas a ciência conhece apenas 1,5 milhão. Muitas espécies estão desaparecendo sem ao menos terem sido conhecidas, pela destruição dos hábitats, pela poluição, pelas espécies invasoras e a mudança climática.

Pelo andar da carroagem, a espécie humana em breve poderá estar inclusa na lista vermelha.

Para conhecer por completo a lista e informações detalhadas, acesse o site da IUCN:
http://www.iucn.org/themes/ssc/redlist2007/index_redlist2007.htm

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Terra sem humanos

O que espera a Terra sem os humanos

Um jornalista científico americano analisa em livro como o mundo evoluiria se as pessoas se extinguissem. Em dois dias a água inundaria o metrô e mais tarde as ruas de todas as cidades rachariam. O autor propõe que cada casal só tenha um filho para evitar que o planeta se degrade mais.
Marc Bassets
Em Nova York

Imagine um mundo sem humanos. Um dia, de repente, o Homo sapiens sapiens se extingue. E então? Alan Weisman, um jornalista americano especializado em ciência, passou mais de três anos viajando por todo o planeta, falando com cientistas e especialistas para responder a essa pergunta.
Se o ser humano desaparecesse, conclui Weisman, a natureza demoraria pouco para invadir as grandes cidades do planeta. Em dois dias a água inundaria o metrô de Nova York. Depois as ruas rachariam. Aos cinco anos o fogo assolaria a cidade. Aos 20, as principais avenidas teriam se transformado em rios. Em menos de 300 anos, cervos, ursos e lobos migrariam para a cidade. Os ratos que vivem dos restos humanos e as baratas acostumadas à calefação dos edifícios desapareceriam. A selva de asfalto acabaria se tornando uma selva de verdade, a natureza ganharia terreno.

"Tentei averiguar o que restará do que criamos", explicou Weisman esta semana em um teatro em Manhattan, para um público extasiado, durante um colóquio sobre "The World Without Us" [O Mundo sem Nós], o livro que descreve como seria o planeta sem os seres humanos. Esse foi exatamente um dos ensaios mais vendidos e debatidos neste verão nos EUA, país onde, na esteira do documentário do ex-vice-presidente Al Gore sobre a mudança climática, proliferam os cenários de apocalipse ecológico.

O que restaria das obras humanas? De Nova York, pouco. Dentro de milhares de anos, quando o gelo cobrir a cidade, restariam a Estátua da Liberdade e as estátuas de bronze. Ficariam as cidades subterrâneas da Capadócia. Também o túnel do Canal da Mancha e os rostos dos presidentes dos EUA esculpidos no monte Rushmore. Em troca, a muralha chinesa - feita de material precário - e o Canal do Panamá - "uma ferida que a natureza tenta curar", segundo declara ao autor um funcionário dessa infra-estrutura - desapareceriam com segurança.

Weisman insiste no rastro envenenado do ser humano. O CO2 emitido em excesso na atmosfera demoraria 100 mil anos para desaparecer. Os reatores nucleares das 441 centrais que existem no mundo se superaqueceriam e acabariam se incendiando ou fundindo. A radiatividade duraria milênios.O que irrita especialmente o autor de "O Mundo sem Nós" é o plástico. No livro, Richard Thompson, um biólogo da Universidade de Plymouth, na Inglaterra, diz: "Imagine que toda a atividade humana parasse amanhã e de repente não houvesse ninguém para produzir plástico. Só com o que já existe, e levando em conta como ele se decompõe, será algo que os organismos encontrarão de forma indefinida. Milhares de anos, certamente, ou mais".

"É uma loucura que nos dêem uma sacola de plástico cada vez que vamos ao supermercado", Alan Weisman se indignou na apresentação do livro.

Apesar do sucesso de vendas, a obra recebeu críticas severas. "Agora que decidiram que quase qualquer aspecto da existência humana é ruim para o meio ambiente - dirigir, comer carne, acender a luz, ter filhos, respirar...-, os verdes levarão o argumento até o limite. O problema é a existência humana", escreveu "The Wall Street Journal" em um editorial.

De fato, Weisman insinua que a natureza poderia "sentir nossa falta" se nos extinguíssemos. "Não competimos com o planeta", ele diz. "Fazemos parte dele". Para que o planeta não se degrade mais, ele defende que cada família só tenha um filho. E repete curiosas reivindicações, como a do Movimento pela Extinção Humana Voluntária (VHEMT, na sigla em inglês).

Depois de constatar que um vírus dificilmente acabaria com todas as pessoas e que a guerra também não o faria, além de que "matar é imoral", o VHEMT defende que o ser humano deixe de se reproduzir. "Os últimos humanos", declara Les Knight, fundador do grupo, "poderiam desfrutar de seus últimos pores-do-sol tranqüilamente, com a consciência de que devolveram o planeta o mais parecido possível com o jardim do Éden".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves