
Rio Vermelho
(Valdir Agostinho)
O rio que corre é o mesmo rio que morre
ninguém socorre ninguém quer me ajudar
Tinha manguezal, criação de espécie rara
para lá na Guaciara a fonte da criação
No piscar de olho tá tudo aterrado
Meu coração sufocado premoniza a extinção
Perdendo amor ao chão é como quem não tem mais fé
A extinção da pesca é a mesma do Mané
Eis o ciclano que não quis o meu conselho
Foi morar no Rio Vermelho nem sabe se explicar
Essa história só por um carro vermelho
Que não tinha nem espelho e não pode retornar
O rio que corre é o mesmo rio que morre
ninguém socorre ninguém quer me ajudar
Na última segunda-feira seguimos para Floripa. A noite estive em mais uma reunião do grupo Conselho do Leitor do Jornal Hora de Santa Catarina, presidida pelo Editor-Chefe Giancarlo Baraúna. E foi um prazer ouvir uma pequena palestra do colunista Valdir Agostinho – acompanhado de seu “Ghost Writer”, o jornalista Ronaldo Bittencourt, que o incentivou na música e auxilia na produção da coluna “Mané Gaivota”, uma das mais lidas do jornal.
Registro interessante: a cabeça de Valdir move-se como seus pensamentos...
Valdir é o que se pode chamar de multimídia: artista plástico, músico, poeta, comunicador, ecologista... Ele começou sua fala contando de sua origem simples, numa família de numerosa e tradicional de pescadores da Barra da Lagoa, em Florianópolis. Logo resolveu sair da então distante e pacata comunidade para ir trabalhar no centro da capital. Foi frentista de posto de gasolina, mas sua determinação fez ele encontrar e trabalhar com o maior colunista da época – e talvez até hoje – de Santa Catarina: Beto Stodieck. Fazia pandorgas, pequenas, grandes, em miniaturas, coloridas, temáticas, e assim nasceu uma carreira nas artes plásticas. Desenvolveu seu trabalho com reciclagem e ganhou notoriedade, conquistando diversos prêmios (veja abaixo alguns deles). Hoje acha que a reciclagem já não dá conta da absurda quantidade de lixo produzido pelos seres humanos.

Pisciano, é um autêntico manezinho da Ilha e contou como lamentavelmente a tradição açoriana está se perdendo frente ao crescimento desordenado e a especulação imobiliária de Floripa. Lúcido em suas posições, não acumula bens, não possui aparelhos eletrônicos caros, nem mesmo computador e nem os deseja: “...para quê? Para me roubarem?”. Fica pasmo com a violência cada vez mais presente e gratuita: “...antes havia uma história por trás da desgraça, hoje nem isso acontece mais...”. É totalmente contra a farra do boi e considera a "tradição" uma barbárie.
Valdir contou histórias curiosas e pautadas pelo bom humor.
Defende com veemência a necessidade das Artes Plásticas serem matéria obrigatória nas escolas e com conteúdo sofisticado por ser essencial na vida das pessoas.
E mesmo com todo o sucesso e reconhecimento contou da dificuldade dos familiares em aceitarem sua profissão – aliás, ela conta que é a melhor que existe, já que está de férias na Barra da Lagoa há trinta anos – apesar de que hoje o admiram por aparecer constantemente na mídia.
Diria que Valdir não é otimista nem pessimista, é muito além disso, é um realista, sonhador, idealizador, criador e sensível à vida e sua nuances, um cronista de sua época – mesmo que esteja a frente dela - e uma antena que capta os movimentos sociais e os transforma em arte. Pena que seja um espécime raro.

Valdir Agostinho acumula em seu currículo, além das artes plásticas, a música e a poesia. Seu trabalho é inspirado nas tradições açorianas, predominantes em Florianópolis, e são feitas de material reciclável. O artista é um ferrenho difusor do reaproveitamento do lixo, transformando-o em arte.
Alguns e prêmios títulos do artista:
*Prêmio Fiat em Artes Plásticas 1990
*Artista "Hors Concour" Festival Nacional da Pandorga
*Artista "Hors Concour" de Fantasias Carnavalescas de Florianópolis
*Capa do Catálogo Telefônico da Grande Florianópolis 1990/91
*Prêmio Cultura Viva *Exposições em Buenos Aires e França
*Títulos como Troféu Manezinho da Ilha
*Troféu Brasil Telecom Gente que Faz
*Troféu Poeta Zininho
Abaixo uma apresentação do artista que vale conferir!
* Fotos gentilmente cedidas por Suélen Victoria - Jornal Hora de Santa Catarina