Páginas

domingo, 29 de junho de 2008

Artista dinamarquês faz cachoeiras artificiais


Quando adolescente um dos meus programas preferidos era sair com amigos procurando novas cachoeiras nos diversos rios que desciam a Serra da Mantiqueira, em Pindamonhangaba, onde cresci.

Muitas vezes caminhávamos pelos rios, já que não havia como andar pelas margens, escalando, enfrentando a correnteza em busca de lugares novos.

As PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas) estão tornando as cachoeiras um artigo raro em nossos rios. Só em Santa Catarina existem nada mais, nada menos que 230 projetos de PCHs. 33 delas já foram aprovadas, as restantes aguardam autorização da Fundação Estadual de Meio Ambiente e da ANA (Agência Estadual de Águas).

Seis desses projetos são na bacia do Rio Cubatão, que faz parte da maior Unidade de Conservação de SC, o Parque Estadual do Tabuleiro e também da RPPN Rio das Lontras. O projeto da PCH mais alta é bem em cima da nossa RPPN, no rio Caldas do Norte, ou Forquilhas.

Agora um artista dinamarquês criou cascatas artificiais em Nova Iorque. Talvez logo precisemos desse artifício para lembrarmos das nossas...




Cascatas nova-iorquinas


A grande atração do verão nova-orquino neste ano são as águas. Um artista dinamarquês fez brotar quatro gigantescas cascatas no coração de Manhattan.

O rio percorre Manhattan de uma ponta a outra. O East River passa pelo centro financeiro de Nova York.

Mas as águas do East River não correm mais como antes. Em quatro pontos, caem do céu: cortinas gigantescas de água de até 36 metros de altura. Parece miragem.

Um sistema hidráulico bombeia a água até o alto. As cascatas descem por 270 toneladas de aço. A energia para acionar as bombas vem do vento.

A idéia do autor do projeto foi chamar a atenção para os espaços públicos, a natureza. É como se as cascatas gritassem para os moradores e turistas: vejam, há muito mais em Nova Iorque, além de prédios gigantescos, trabalho, shows e compras.

"O homem precisa entender como se relaciona com a natureza", diz o artista escandinavo Olafur Eliasson.

Olafur é famoso por criar projetos monumentais. Esse custou US$ 15,5 milhões, a maior parte veio de empresas privadas.

O prefeito de Nova Iorque já está fazendo as contas de quanto a cidade vai faturar com os novos pontos turísticos.

Barcos vão levar, de graça, turistas para ver de perto as cascatas. Hotéis de Nova Iorque estão lançando pacotes: “vá a Nova Iorque e veja as cascatas do East River”.

O artista só quer que vejam a natureza como uma construção. Na ponte do Brooklyn ou no céu de Manhattan.



Fonte: Jornal Hoje


RPPN RIO DAS LONTRAS NO VIVA A MATA 2008


A RPPN Rio das Lontras esteve presente no Viva a Mata 2008, realizado na marquise do Parque Ibirapuera em São Paulo. Quem gentilmente nos representou foi a bióloga Fabiana Dallacorte, de Blumenau.

Foi a quarta edição do evento que reuniu cerca de 75 mil pessoas durante os três dias de atividades – de 30 de maio a 1 de junho. Das quatro edições estivemos presentes nas duas últimas.


Crianças participaram de oficinas de confecção de brinquedos com material reciclável, assistiram a peças de teatro com temas ambientais e aprenderam mais sobre Meio Ambiente em clima de diversão. Também estiveram presentes dezenas de voluntários, ambientalistas, representantes do poder público e privado, freqüentadores do parque, além de artistas simpatizantes de causas ambientais como Wanessa Camargo, a cantora Tetê Espíndola e Fauzi Beydoun, vocalista da Tribo de Jah. Mais de 100 organizações e empresas participaram da mostra de iniciativas e projetos, divididas em estandes temáticos e institucionais. A ONG Pueras, responsável pela gestão dos resíduos desde a montagem até a desmontagem do evento, coletou 1,745 tonelada de materiais, que foram destinados para a Cooperativa Viva Bem, da Central da Vila Leopoldina. A mostra no Parque Ibirapuera encerrou o calendário de comemorações pelo Dia Nacional da Mata Atlântica (27 de maio). A programação incluiu também exposição fotográfica na estação Trianon-Masp do Metrô de São Paulo; divulgação de projetos e produtos da ONG no Shopping Boa Vista; ação de conscientização em parceria com o Sesc Rio promovida na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro; divulgação dos novos dados do Atlas da Mata Atlântica; e encontro com a Frente Parlamentar Ambientalista, em Brasília.



O Viva a Mata 2008 teve o patrocínio do banco Bradesco, apoio da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, da Gol Linhas Aéreas, da Rede Globo e da Folha de São Paulo.

Durante os dias do evento Fabiana pode compartilhar debates sobre a conservação da Mata Atlântica e das atividades culturais, como peças de teatro em uma arena montada no meio do evento. As pessoas que estavam expondo suas atividades e as que estavam visitando as instalações do Viva Mata puderam acompanhar a Fanfarra da Fundação Bradesco, Performance Dragão do consumo, o Homem saco que divertiu a todos, Coral Guarani, as peças “Liberdade”, com a Escola Estadual Eloi Lacerda, “Mágico de Oz na Mata Atlântica” e “Vamos passear na floresta enquanto o seu homem não vem”.

Fabio Feldman e Soninha num bate-papo ecológico.

Nas atividades voltadas a promoção da saúde a academia Ecofit realizou atividades de alongamento, Yoga e Tai-chi-chuan.
Houve também oficinas interessantes e produtivas como a Vivência na Mata, Oficina “Como plantar” e distribuição de mudas de palmito-juçara, “Salve com um abraço – cooperando com os muriquis” e confecção de brinquedos com materiais recicláveis. Foi bonito ver a criançada, das escolas e no final de semana com sua família, expondo os seus brinquedos feitos durante as oficinas.
Patrícia Palumbo entrevistou Wanessa Camargo , Oscar Bressane , Dorin e Beto von Poser. No domingo entrevistou Fauzi (Tribo de Jah) e Tetê Espíndola.


O "Homem-saco" é uma idéia de um catarinense em mostrar o problema da poluição ocasionada pelo consumo desenfreado.

Fabiana conta que no espaço muito bem organizado do estande das Reservas Privadas a RPPN Rio das Lontras esteve presente e ali foi exposto os painéis que relatam as atividades que realizamos na conservação da Mata Atlântica: “Pessoas olharam impressionadas para as fotos da RPPN tiradas com armadilhas fotográficas e se interessaram em conhecer os blogs”.

E ainda comenta: “Neste mesmo espaço conheci donos de RPPN muito aplicados e interessados em aprender cada vez mais em conhecer a natureza de suas terras. Pessoas aplicadas que buscam financiamentos e aplicam seus conhecimentos de tecnologias limpas com utilização de placas solares e energia eólica em suas propriedades. Ou donos de RPPN que sabem o valor que o ecoturismo tem para a educação das crianças e dos jovens. Gente que em muitas situações, em que foi discutido o valor das RPPN para a conservação deste Bioma tão ameaçado, foram alvos de palmas e agradecimentos de todos”.


Clayton Lino, da RBMA fala na entrega do Prêmio Muriqui.

As Unidades de Conservação estavam no centro das discussões pela sua importância para os corredores ecológicos e o seu incondicional valor para a conservação da Mata Atlântica. Aline Tristão do Instituto de Florestas de Minas Gerais mostrou o excelente trabalho realizado para a implementação das UC deste estado, e para a regularização fundiária, um ótimo exemplo a ser seguido.

Segundo ela, o Prêmio Muriqui foi justo e revelou a Mata Atlântica preservada e as pessoas que querem ver ela tão bonita quanto já foi no passado. Ao Paulo Nogueira Neto todas as glórias por seus feitos ambientalistas o Prêmio Especial da RBMA (Reserva da Biosfera da Mata Atlântica).

Nascido em 1922, Paulo Nogueira Neto formou-se em História Natural pela USP em 1959. Desde esta época tornou-se um dos mais importantes ambientalistas do país, reconhecido internacionalmente. Sua estréia como militante foi na defesa da Mata Atlântica, na Região do Pontal do Paranapanema quando fundou em 1953 uma das primeiras ONG ambientais do país, a Associação de Defesa da Flora e Fauna, ADEMA-SP. Também foi um dos fundadores do Departamento de Ecologia Geral do Instituto de Biociências da USP. Em 1974, Paulo Nogueira-Neto recebeu o convite para dirigir a Secretaria Especial do Meio Ambiente do Governo Federal, onde permaneceu por 12 anos. Durante sua gestão foram estabelecidos 3,2 milhões de hectares, em 26 Unidades de Conservação de Proteção integral e as bases da política ambiental brasileira. Atualmente, preside a Fundação Florestal de São Paulo e é a principal referência para as questões ambientais do país.


Estande das Reservas Privadas mostra um pouco do trabalho nas RPPNs.

“Seu Toinho” é pescador artesanal com 75 anos e 54 desses dedicados à pesca. É vice-presidente da Federação de Pescadores de Alagoas e membro da MONAPE - Movimento Nacional dos Pescadores. Mora em Penedo, no Baixo São Francisco e é um grande lutador na defesa do rio, dos animais e dos ecossistemas da região. Traduz esse conhecimento em sábias e populares narrativas onde se mesclam ecologia e espiritualidade. Recebeu o Prêmio Muriqui na categoria personalidade.

E na categoria Instituição a ONG Ação Nascente Maquine, a ANAMA, recebeu o Prêmio Muriqui por seus feitos pela conservação da Mata Atlântica. Esta ONG desenvolve seu trabalho articulando diversos atores locais, regionais, estaduais e nacionais, exercendo o papel de mediadora em diversos fóruns ambientais. Esta atuação busca o reconhecimento de ações pela sociedade para a ampliação dos esforços, a proteção de zonas núcleos, a geração e a difusão de conhecimentos e técnicas, a repartição dos benefícios da biodiversidade pelas comunidades do entorno, auxiliando a sustentabilidade regional.

Segundo a RBMA, o Prêmio Muriqui tem o objetivo de incentivar ações que contribuam para a implantação desta Reserva, que foi reconhecida pelo Programa MaB - Man and Biosphere da UNESCO em 1991, por solicitação do governo brasileiro.


Fabiana (terceira da esquerda para a direita) ao lado da Erika Guimarães da Aliança Para Conservação da Mata Atlântica e outros participantes do Viva a Mata 2008.

Fotos: Fabiana Dallacorte.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Onças matam pescador

A onça pintada é um animal típico da região pantaneira e sua população vem aumentando nos últimos anos


Tragédia na pescaria

Onças pintadas rasgam barraca e matam pescador no rio Paraguai; pai chegou a ver o ataque, mas não conseguiu enfrentar animais

CLARICE NAVARRO DIÓRIO
Da Sucursal de Cáceres

Duas onças pintadas - supostamente um casal - atacaram e mataram um homem na noite da última terça-feira na região do Pantanal de Cáceres. Os animais devoraram parte do corpo da vítima, que estava no local acampado para pescar.

Luiz Alex da Silva Lara, de 22 anos, pescava com o pai, Alonso Silva Lara, de 54. O ataque aconteceu por volta das 19 horas, quando o rapaz dormia na barraca e o pai estava um pouco afastado, tentando encontrar iscas.

O acampamento estava montado a 230 quilômetros do centro da cidade, numa localidade conhecida como Pacu Gordo, que fica próximo à reserva ecológica do Taiamã.

Os animais rasgaram a lona da barraca e puxaram a vítima pela cabeça, arrastando o corpo por cerca de 50 metros. O pai chegou a tempo de ver o filho sendo arrastado, mas não conseguiu fazer nada.

Ontem pela manhã, ele contou que estava sem qualquer tipo de arma de fogo, carregando apenas um facão, e que quando tentava se aproximar, os animais ameaçavam atacá-lo também. Seus gritos de desespero atraíram outros pescadores que estavam acampados na região, e juntos conseguiram fazer os animais largar o corpo, mas o rapaz já estava morto.

As onças dilaceraram o corpo do pescador. Comeram suas bochechas e nuca. A cabeça ficou totalmente dilacerada, mas o corpo também apresentava marcas das garras, principalmente nas pernas e costas. Os animais ainda morderam sua nuca e as bochechas.

O pai contou que não consegue esquecer a cena e não para de lamentar por não ter conseguido salvar o filho. Fica repetindo que se fosse um único animal, talvez ele tivesse conseguido lutar.

Ele relatou que esse não foi o único ataque de onças naquela região e que outros pescadores já foram atacados. Segundo Alonso, os animais estão famintos porque não há mais comida farta na região, como jacarés e capivaras, enquanto a população de onças está crescendo.

A reportagem tentou contato com o Ibama para obter mais informações sobre o número estimado de onças na região do pantanal mas não conseguiu. O pescador diz que o número de ataques vem crescendo nos últimos três anos.

A família não autorizou imagens do corpo da vítima, cuja necropsia foi feita na manhã de ontem no Instituto Médico Legal de Cáceres. O corpo foi resgatado do local do ataque pelos próprios pescadores e transportado, com autorização policial, pelo barco de turismo Babilônia.

Da reserva, ele foi levado para a sede da fazenda Jatobá, e de lá, transportado para o IML por um veículo do Ibama, utilizado na fiscalização da reserva ecológica.

O corpo foi liberado na tarde de ontem e velado no Jardim Vila Nova, sendo sepultado no final da tarde.


Fonte: Diário de Cuiabá

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Recuperação da Floresta leva séculos

Reportagem publicada na Folha de São Paulo mostra como é difícil e demorado a possível recuperação de uma floresta do ponto de vista da biodiversidade.
Isso mostra como são necessárias ações cada vez mais urgentes para a proteção dos remanescentes florestais. E também confirma a grande importância das RPPNs como verdadeiros bancos genéticos.
Mais abaixo mostramos duas árvores citadas pelo colunista Marcelo Leite encontradas na RPPN Rio das Lontras.


Área de mata atlântica destruída ilegalmente em São Paulo - Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem

Recuperação de floresta leva de séculos a milênios

Áreas degradadas de mata atlântica levam de 100 a 300 anos para se regenerar

Demora para retomar 40% de espécies endêmicas pode alcançar de 1 a 4 milênios, daí a urgência de preservar os últimos fragmentos

MARCELO LEITE
COLUNISTA DA FOLHA

Um estudo na edição deste mês do periódico "Biological Conservation" traz boas notícias para a mata atlântica, que precisa desesperadamente delas depois de perder 93% de sua cobertura original. A floresta que recobria o litoral oriental do Brasil na chegada dos europeus consegue, sim, recuperar-se em tempo relativamente curto: 100 a 300 anos.

Em outras palavras, seriam necessárias de 4 a 12 gerações de brasileiros para recompor a mata destruída nas últimas 20. Se parece muito, prepare-se para a má notícia: o trabalho concluiu que a recomposição de toda a biodiversidade da floresta pode demorar entre 40 e 160 gerações (1.000 a 4.000 anos).

O estudo foi realizado por três pesquisadores da Universidade Federal do Paraná a partir de uma idéia de Marcia Marques, do Laboratório de Ecologia Vegetal. "Surgiu de uma curiosidade minha em compreender a resiliência [resistência] da floresta", conta. "Quando se observa uma floresta que se regenerou após um distúrbio, sempre vem a pergunta se aquela floresta corresponde ou não ao que era originalmente."

Seu estudante de mestrado Dieter Liebsch, co-orientado por Renato Goldenberg, se encarregou de levantar os dados. Eles foram obtidos em 18 outros estudos sobre mata atlântica publicados entre 1994 e 2007 que estabeleciam com alguma segurança a data de início da exploração da floresta. É o que se chama de "meta-análise" (compilação de informações de outros trabalhos).

A base da pesquisa foram as listas de plantas (florística) encontradas nos trabalhos anteriores.
Uma floresta digna do nome precisa abrigar também aquelas espécies tolerantes à sombra, grandes árvores como a maçaranduba (Manilkara subsericea) e as perobas (Aspidosperma spp).

Isso leva tempo. Nos primeiros anos e décadas, predominam as espécies pioneiras, que se dão melhor com a abundância de luz solar em clareiras e fragmentos desmatados. Também são menos freqüentes as espécies que dependem de animais para ter suas sementes dispersadas, como os guamirins, parentes da goiabeira dependentes de aves.

Uma floresta madura contém 90% de espécies não-pioneiras e 80% de espécies dispersas por animais. Sabendo a proporção desses dois tipos e o tempo decorrido desde a perturbação da mata em cada um dos 18 casos, foi possível calcular a velocidade de regeneração do perfil: de um a três séculos.

A mata atlântica é também uma das florestas tropicais mais biodiversas do planeta, com 40% de espécies endêmicas (que só existem em certos locais). Para recompor essa chamada beta-diversidade, no ritmo atual, a mata precisaria de 1.000 a 4.000 anos.



Bela Peroba na RPPN Rio das Lontras.


Esse enorme Guamirim fica no coração da RPPN Rio das Lontras.

* Para ver as árvores da RPPN Rio das Lontras acesse o álbum Expedição Flora nesse blog.
Fotos Fernada Kock.