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quarta-feira, 6 de julho de 2011

BICHO-PREGUIÇA EM SANTA CATARINA

Croqui com imagem do Google Earth mostra o local do avistamento inédito das Seriemas na região da Grande Florianópolis (clique na imagem para melhor visualização).

Invariavelmente toda visita à RPPN Rio das Lontras alguma (boa) surpresa acontece. Dia desses ao levarmos alguns visitantes avistamos dois enormes pássaros. Ao sairmos do carro eles voaram para um pouco mais longe, mas foi possível identificar a espécie: um lindo casal de seriemas.

Comentei que era a primeira vez que via esse animal no local. Poderia ter fotografado, mas achei que estavam meio distantes. Deixei para lá...

Me arrependo profundamente de ter perdido essa oportunidade. Ao chegar em casa fui consultar o livro "Aves em Santa Catarina", da nossa amiga ornitóloga Lenir Alda do Rosário e para meu espanto constantei que não há registros dessa espécie em toda a região.

Liguei para ela, confirmei a situação inusitada e fiquei chateado em saber que perdi a oportunidade de fazer um registro fotográfico inédito. Mas o canto delas ao entardecer ficou gravado na nossa memória.

Bicho-preguiça em Santa Catarina?

Agora, outra informação surpreendente nos chegou: Conversando por telefone com um amigo que possui uma grande área preservada vizinha à RPPN Rio das Lontras, ele me contou ter visto certa vez um bicho-preguiça. Deu detalhes do avistamento. Alertei-o que não seria possível tal fato, pois não é animal encontrado em Santa Catarina. Consultei dois dos maiores especialistas em mamíferos do estado e eles disseram que é comum as pessoas confundirem animais. Poderia meu vizinho ter visto um tamanduá-mirim ou mesmo uma irara e ter se equivocado?

Pouco provável. Ambientalista, boa formação, foi altamente convincente no relato. Mais uma vez recorri aos livros, dessa vez "Mamíferos de Santa Catarina", da amiga pesquisadora Ana Verônica Cimardi. Está lá, descrito na página 199 como parte da fauna catarinense. Liguei para ela, que me disse haver apenas citações bibliográficas. Segundo me relatou, nenhuma imagem, nenhum exemplar vivo ou morto.

Será possível haver um mamífero desse porte no alto das nossas árvores sem que ninguém tenha fotografado? Um animal lento, porém discreto o suficiente para passar quase despercebido? Mas por tanto tempo?

Só posso concluir que - se existem de fato - são muito poucos, raros mesmo! Mas uma coisa é certa: Se eles estão lá, nós vamos provar!

E justificar mais uma vez a importância e urgência de protegermos os remanescentes de Mata Atlântica em Santa Catarina.

Abaixo o relato que recebi por escrito do meu vizinho:

"A respeito de sua indagação, fui até olhar umas imagens para me certificar, das quais estou enviando 2 que coincidem com as posições que presenciei; ele foi avistado em meados de 1998 quando estava com um trator de esteira reformando um acesso dentro da propriedade para São Pedro de AlCântara, neste caminho tinha uma árvore caída sobre outras cruzando de um lado a outro e o bicho estava fazendo a travessia. Também fiquei surpreso com o que vi e como eu quem estava no território dele paralisei os serviços imediatamente no local. O bicho também nos avistou e não expressou reação alguma, simplesmente continuou sua travessia, o que levou quase 30 minutos para cruzar 5 metros, ele não só se deslocava lentamente como os movimentos (braços e pernas) eram escalonados (1° um depois outro) e muito lentos.
Pena que nesta época não se tinha câmeras digitais nem tão pouco celulares com câmeras, mas as imagens anexadas são idênticas as avistadas..."
 



quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

VISITAS DE VERÃO 2

Já passava das 11 horas da noite e escutei um leve e diferente barulho fora de casa.
Com a lanterna avistei um gambá passeando calmamente no quintal. Corri para prender nosso Akita. Em seguida busquei a câmera fotográfica para tentar um registro do visitante.


Provavelmente com o barulho que fiz ao prender o cachorro o gambá subiu na primeira janela que viu.


Estava quietinho e facilitou tirarmos as fotos.


Foi legal, pois foi possível visualizarmos ele de pertinho e com segurança. Tom já estava quase dormindo e curtiu um monte ver um marsupial tão próximo.


Trata-se de um gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventis), espécie comum no estado de Santa Catarina, vive em florestas, capões, restingas e banhados.


É encontrado também em regiões cultivadas e urbanas, adaptando-se muito bem em ambientes antrópicos (modificados pelos seres humanos).


O período de gestação é de aproximadamente 13 dias. A fêmea tem cerca de 8 filhotes que ficam grudados nas tetas da mãe em torno de três meses.


Sua distribuição geográfica é em todo o Brasil. Do sul do Canadá até o norte da Argentina, exceto Chile.


Ocupa o mesmo habitat e é muito parecido com o gambá-de-orelha-preta (Didelphis marsupialis).


São ótimos dispersores de espécies vegetais, pois se alimentam de frutos. Mas são oníveros, comem praticamente de tudo, insetos, larvas, cobras e uma preferência por pequenos roedores.


Animal solitário, sai para caçar durante a noite ou em horas crepusculares.


Pode quando assustado fingir-se de morto, para alguns momentos depois sair andando a procura de refúgio.


segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

NO MEIO DA ESTRADA HAVIA UM TATU

No meio da estrada havia um Tatu...

... havia um Tatu no meio da estrada...

Voltando de Floripa depois de reuniões do Plano de Manejo da RPPN Rio das Lontras, já tarde da noite na BR 282 em Águas Mornas um Tatu cruzou a estrada. Parei o carro e saí no escuro tentando achá-lo. Ele andava tranquilamente na canaleta ao lado do acostamento, até emitir um pequeno "rosnado" para mim e entrar para o mato.
As fotos não sairam boas porque estava muito escuro e eu disparava a câmera de acordo com o barulho do andar dele, mas ainda assim valeu o registro.


Tatu-galinha (Dasypus novemcinctus)

Descrição – Um representante da família dos tatus é o tatu-galinha. Na região dorsal a carapaça geralmente é formada por 9 bandas móveis, mas pode variar entre 7 e 11. Um pouco maior que o tatu-peludo, mede de 60 a 100cm de comprimento total e pesa de 2,7 a 8kg. O focinho é pontudo e longo, as orelhas são grandes, ovaladas e os olhos são pequenos. A cor geral do corpo é marrom-escura sendo na região lateral a mais clara. A cauda é coberta por placas córneas, comprida e pontuda. Os dedos das mãos têm unhas bem desenvolvidas. A fêmea possui 4 tetas. Como os outros tatus não vê e nem ouve bem, mas seu olfato é bastante aguçado.

Habitat – Vive em regiões florestadas. Raramente ocorre em áreas inundáveis.

Reprodução – Atinge a maturidade sexual por volta de um ano de idade. O período de gestação vai de 120 a 260 dias, nascendo de 4 a 5 filhotes, que permanecem junto a mãe por cerca de 2 meses.

Distribuição geográfica – Todo o Brasil. Do sul dos Estados Unidos até a Argentina, exceto Chile. Ocorre também nas Ilhas Grenada, Margarita, Trinidad e Tobago.

Curiosidades – Constrói a toca geralmente perto de árvores e arbustos. Esta tem várias entradas. Faz o ninho no fundo da mesma, geralmente utilizando folhas e gramíneas. Ao ser perseguido procura alcançar um esconderijo, mas se não consegue, cava um buraco na mesma hora. Utiliza também, como abrigo provisório, a toca de outros tatus. Hábito alimentar principalmente carnívoro; alimenta-se de pequenos vertebrados e também cupins, formigas e vegetais. Costuma mudar seus hábitos de acordo com as estações do ano. No verão sua maior atividade é em horas crepusculares. No inverno é visto com freqüência durante o dia mexendo na terra a procura de comida. Alguns autores afirmam que o sabor da carne desse tatu é excelente e que se parece com a da galinha, daí a origem de seu nome vulgar, não obstante consta na literatura o seguinte:
“A carne tem cheiro desagradável e forte, mas mesmo assim é muito perseguido para fins gastronômicos. Normalmente, as receitas para o cozimento dessa carne, envolvem muitos temperos e refinamentos culinários, a fim de dissimular o seu gosto. Portanto isto comprova que o hábito de caçar não é devido ao sabor da carne; prende-se ao prazer de matar e comer algo diferente” (SILVA, F., 1984). Em viagem para a região oeste do estado, encontramos diversas carapaças desta espécie penduradas em uma cerca numa propriedade situada no Parque Nacional de São Joaquim; a moradora nos informou que seu marido caçava com freqüência este animal, tendo sua carne excelente sabor. O tatu-galinha é comum no estado de Santa Catarina, sendo muito conhecido por moradores da zona rural. Outras espécies de tatu registradas para Santa Catarina são os tatus-de-rabo-mole (Cabassous ssp) e o tatu-mulita (Dasypus septemcinctus), que também são caçados para completar a dieta alimentar e a carapaça é usada como objeto de decoração. Os tatus da família Dasypodidae, são considerados reservatórios das doenças de Chagas e xistosomose e sugeitos a desenvolver a lepra (ALMEIDA, A. V. et al., 1984). Por este fato, é necessário muito cuidado quando em contato com estes animais, principalmente daqueles que fazem uso de sua carne.


Fonte: Mamíferos de Santa Catarina - Ana Verônica Cimardi


segunda-feira, 14 de julho de 2008

Bugios sem tranqüilidade


Nos fins de tarde no verão, quando o calor toma conta da mata, basta ameaçar cair uma pancada de chuva que começamos a escutar o som inconfundível dos bugios na RPPN Rio das Lontras. Uma emoção ímpar!
Animais que habitam a Mata Atlântica, de temperamento dócil, tímido e de difícil visualização. Raramente descem para o chão, como nesse fantástico flagrante acima. Veja mais abaixo a descrição da espécie.
Mas uma reportagem nos chamou a atenção, principalmente porque ela não levou em conta que, além dos bugios estarem perdendo cada vez mais seu habitat natural, o problema citado pela matéria certamente foi ocasionado por pessoas terem o péssimo hábito de alimentarem animais silvestres, condicionando-os a serem dependentes e prejudicando a saúde deles.
O título da notícia deveria ser outro: "Humanos desavisados tiram o sossego dos bugios!"





Macacos bagunceiros tiram sossego de moradores de Sorocaba

Animais saem da mata para procurar comida e ficam passeando pela fiação elétrica.
Bombeiros contam com ajuda de veterinários, mas nem sempre conseguem capturá-los.

Macacos da raça bugio estão tirando o sossego dos moradores da região próxima ao zoológico municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (a 99 km da capital paulista). Segundo a prefeitura da cidade, há alguns meses, os animais começaram a sair da mata para procurar comida e ficam passeando pelos fios elétricos. Os bombeiros já atenderam a inúmeras chamadas para capturar os macacos e, muitas vezes, nem conseguem pegá-los. Mas as estripulias podem acabar mal. Recentemente, um macaco morreu eletrocutado. (Foto: Assis Cavalcante/Agência Bom Dia )


* Veja aqui a descrição da espécie feita pela bióloga Ana Verônica Cimardi no livro Mamíferos de Santa Catarina:

Bugio-preto (Alouatta guariba)

As espécies do gênero Alouatta possuem muita variação de coloração, dificultando bastante a diferenciação entre elas e até mesmo dentro da própria espécie, sendo difícil distinguir os sexos e as idades. Na espécie Alouatta guariba o macho geralmente é marrom-avermelhado com reflexos dourados e a fêmea é mais escura, quase preta. Característica marcante dos bugios é a presença de uma espessa barba que rodeia a face, nos machos ela é mais evidente. A cauda é preênsil, longa e peluda, sendo a parte terminal, do lado interno, nua. Os membros são curtos e fortes.

Habitat: O bugio-ruivo é encontrado em regiões florestadas, geralmente permanecendo no topo das árvores.
Reprodução: Quase sempre nasce um filhote por parto, que anda grudado nas costas da mãe por algum tempo.
Distribuição geográfica: Brasil do estado da Bahia ao Rio Grande do Sul. Bolívia e Argentina.
Observações: O bugio é um primata que consegue produzir um som forte e rouco devido ao desenvolvimento excessivo do osso hióide (osso localizado entre a laringe e a base da língua) que funciona como uma caixa de ressonância. Este som é emitido para delimitar território e pode ser ouvido no meio da floresta a grande distâncias. Anda em grupos de 2 a 12 indivíduos, formados por ambos os sexos. Apresenta regime alimentar basicamente vegetariano comendo frutas e folhas de várias espécies. Gosta de comer as folhas, sementes e estróbilos (parte sexual masculina) do pinheiro-do-paraná (Araucária angustifólia). Come também brotos, sementes e às vezes insetos. Passa a maior parte do dia descansando. Seus movimentos por entre as árvores são lentos e cuidadosos, raramente pulando de galho em galho. O bugio-ruivo é animal muito sensível, dificilmente adaptando-se em cativeiro.
Sua população encontra-se reduzida, principalmente por causa da destruição das florestas.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Ouriço -cacheiro


Dia desses indo até a RPPN Rio das Lontras percebi uma movimentação em um pasto bem ao lado da estrada. Eram vários quero-queros fazendo uma enorme algazarra e logo percebi um animal em meio a grama.
De cara vi que era um ouriço-cacheiro, um animal que ainda não tinha encontrado.
Que felicidade! Passei a mão na única câmera fotográfica que tinha dentro da mochila no banco de trás do carro, uma arcaica yashica automática com filme asa 200. Nada mais simples que isso, mas o suficiente para eu poder registrar esse encontro inédito e inusitado, pois não era local e nem hora para encontrar um animal de hábito crepuscular e noturno.
Difícil foi conseguir uma imagem de frente dele, pois ele insistia em tentar se defender usando suas armas, virando-se de costas e "ouriçando" os espinhos.
Fui embora quando acabou o filme e deixei-o seguir caminho em paz - ou quase, pois mais de uma dúzia de quero-queros continuaram a protestar até ele entrar no capoeirão próximo.
Fui pesquisar na internet e muito pouca informação há disponível. Recorri então ao livro Mamíferos de Santa Catarina, da bióloga Ana Verônica Cimardi, que transcrevemos abaixo.



Ouriço-cacheiro
Coendou insidiosus
Família Erethizontidae

Descrição – É um animal com características peculiares, apresentando as partes superiores do corpo cobertas por espinhos. Há uma grande variedade de pelame entre as populações desta espécie. Em Santa Catarina os espécimens têm os pêlos de coloração marrom-escura com a ponta amarelada. Os espinhos são pretos com a ponta amarelo-ouro e mais longos na linha dorsal, chegam a medir 6cm. A região ventral é mais clara que a dorsal e não possui espinhos. As vibrissas são longas, pretas a partir da base, ficando mais claras em direção a ponta. Os membros que são curtos, possuem 4 dedos munidos de unhas grandes e curvas. A cauda é comprida e preênsil, tendo a parte anterior espinhosa e posterior com pêlos de coloração preta. Mede de comprimento total 50 a 90cm e pesa de 1,5 a 2,0kg.

Habitat – Vive exclusivamente em regiões de florestas primárias e secundárias.

Reprodução – As fêmeas dão a luz à 1 ou 2 filhotes por parto.

Distribuição geográfica – Brasil do estado do Rio de Janeiro ao do Rio Grande do Sul.

Observações – De hábito alimentar herbívoro, gosta de comer folhas e frutos que busca nas árvores. Trepa de forma lenta mas com extrema agilidade e segurança, usando a calda para ajudar a se segurar. Procura como abrigo geralmente ocos de árvores onde passa a maior parte do dia, pois é animal de hábito crepuscular e noturno. Não anda em grupos. É um roedor dócil mas quando acuado por algum outro animal como uma jaguatirica ou um cão de caça, mantém o corpo encolhido e eriça os espinhos que servem como órgão de defesa. “À aproximação do inimigo, ele investe de costas, dando rabanadas laterais com a cauda, para acertar o adversário, porém sem lançar os espinhos como é crença popular” (SILVA, F., 1984). Outro fato lendário em que muitos acreditam, é de o espinho ter vida própria e ao penetrar na pele do agressor caminha pelo corpo e se atingir o coração pode matar. Na realidade os espinhos do ouriço possuem escamas justapostas tendo as extremidades voltadas para a base do espinho, por isso ao entrar na pele, fica preso, onde os movimentos musculares fazem com que penetre ainda mais. Este mamífero também sofre perseguição tanto por causa de sua carne que é apreciada pelos caçadores, como pelo fato de invadir pomares e plantações de banana e milho. Apesar disto existem alguns agricultores que o protegem. Hoje já não é espécie tão comum no Estado. Outra espécie cuja distribuição geográfica inclui o estado de Santa Catarina é C. prehensilis. Esta é parecida com a espécie descrita, mas de maior tamanho.





Texto: Mamíferos de Santa Catarina - Ana Verônica Cimardi Digitalização do texto: Fernanda de Souza Pimentel Teixeira
Fotos: Fernando José Pimentel Teixeira - Angelina, maio de 2008

domingo, 20 de janeiro de 2008

Impressões da natureza: Capivara

Capivaras (Hidrochaeris hidrocaeris)

Descrição: Com comprimento total de 100 cm a 30 m, chega a pesar de 27 a 70 kg; pode chagar aos 80 kg. É o maior roedor do mundo! O corpo é gordo e pesado com pernas relativamente curtas. A cauda é tão pequena que parece não existir. Os dedos possuem unhas grossas semelhantes a cascos e entre eles existe uma membrana natatória, que é curta. As orelhas e os olhos são relativamente pequenos e localizados no alto da cabeça e, quando a capivara está dentro d’água, estes ficam acima da superfície. Há muita variação individual quanto a cor da pelagem. A coloração geral do corpo é normalmente marrom-avermelhada, com a região ventral marrom-amarelada. Não há dimorfismo sexual acentuado, mas o macho adulto possui na região do focinho um acúmulo de glândulas sebáceas formando um pequeno intumescimento de cor preta e sem pêlos. A fêmea tem seis pares de tetas.

Habitat: Áreas florestadas e campos. Nestes ambientes vive nas proximidades de rios, lagos e lagoas que possuam vegetação marginal. Freqüenta também regiões de banhado.

Reprodução: Com idade de aproximadamente 1 ano e meio já pode reproduzir. A fêmea procria geralmente uma vez por ano. O período de gestação é de 5 meses. Em cada parto nascem em média 4 filhotes já bem desenvolvidos, com o corpo coberto de pêlos e os olhos abertos. A mãe lhes fornece leite durante 4 meses.

Distribuição geográfica: Todo o Brasil. Do Panamá até a Argentina, exceto Chile.



Hábitos: É animal pacífico e quieto. Tem hábitos diurnos e crepusculares, mas é no final da manhã e tarde que está mais ativo., onde fica comendo plantas aquáticas e outros vegetais que lhe servem de alimento. Também costuma freqüentar plantações de milho, arroz e cana-de-açúcar e às vezes, quando em grande número, chega a causar prejuízos. Gosta de permanecer embaixo de arbustos quando está repousando. Aprecia muito ficar dentro d’água. Inclusive é nesse ambiente que quase sempre faz a cópula. Possui inimigos naturais como pumas, onças e jacarés, além de aves como gaviões que atacam filhotes. Sua presença é fácil de ser notada através das fezes em forma de “pelotas cilíndricas, alongadas com extremidades afiladas, de cor verde quando frescas” (Silva, F., 1984). São evidentes também as pegadas e as marcas deixadas nas cascas de árvores que ficam roídas e sujas de barro pelo costume de se esfregarem. O macho adulto marca território com a secreção da glândula supranasal. Vive em grupos de 8 a 16 indivíduos, ou mais, formados por machos, fêmeas de várias idades e filhotes. Emite sons para reunir o grupo ou como alerta. Ao sentir-se ameaçada procura refugiar-se na água, nadando e mergulhando com bastante habilidade. Pode ficar submersa por até 10 minutos. Vive em média 8 a 12 anos. Apesar de ter sido perseguida pelo homem para obtenção de sua pele, carne e gordura e por invadir plantações, conseguiu sobreviver. No estado de Santa Catarina já não é tão freqüente e até mesmo desapareceu de algumas regiões onde outrora habitava, como no município de Palhoça, próximo a capital Florianópolis, onde era tão abundante que os rio Capivari têm a origem de seus nomes ligada a presença de muitas capivaras que haviam no local.

Fonte: Mamíferos de Santa Catarina - Ana Verônica Cimardi
Foto: Armadilha fotográfica.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Impressões da natureza



Gato-do-mato-maracajá (Felis widii)

É um pouco parecido com o gato-do-mato-pequeno, mas de tamanho maior, com 0,70 cm a 1,20 m de comprimento total e pesando entre 3 e 9 kg. Os pêlos são mais macios e apresentam coloração geral amarelo-queimada ficando mais clara na região ventral. As manchas espalhadas pelo corpo são bem maiores e mais afastadas que as da outra espécie. De cada olho partem duas linhas pretas que vão em direção ao alto da cabeça. O queixo e a garganta apresentam duas listas pretas transversais. A cauda é mais comprida e não tão afilada na ponta e os anéis pretos são bem mais largos que os amarelados. A cabeça é arredondada e os olhos são grandes e marrom-escuros. Na região da nuca os pêlos encontram-se voltados para a frente como na jaguatirica. As patas são grandes.



Habitat: Vive em regiões de mata alta, mas pode ser encontrado em áreas de capoeiras e campos.

Reprodução: Atinge a maturidade sexual entre 2 e 3 anos de idade. Reproduzem-se principalmente nos meses da primavera e verão (setembro a março). O período de gestação é de cerca de 80 dias e a fêmea tem 1 ou 2 filhotes, que nascem mais escuros e mamam até mais ou menos os 2 meses.

Distribuição geográfica: Todo o Brasil. Do México até o norte da Argentina e o Uruguai, exceto Chile.

Características: É animal solitário. Sobe em árvores muito bem e é mais hábil que o gato-do-mato-pequeno. Quando em região de mata fechada, pode ser ativo em horas noturnas e diurnas. Em áreas abertas, procura seu alimento somente a noite. De hábito alimentar quase sempre carnívoro, come répteis, aves e pequenos mamíferos; tem preferência por roedores silvestres. Para descansar refugia-se em grutas, ocos ou galhos de árvores e tocas abandonadas. Como quase todos os mamíferos, é inofensivo ao homem, mas se encurralado, defende-se violentamente. Usa as garras afiadas como arma, abre a boca mostrando os dentes e fazendo um forte ruído. Pode atingir 13 anos de idade (cativeiro). É espécie ameaçada de extinção.

Fotos: Armadilha Fotográfica - Gentilmente cedida pela Prosul Ambiental.
Fonte: Mamíferos de Santa Catarina - Ana Cimardi

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Impressões da natureza









Imagens: Armadilha fotográfia

Irara (Eira bárbara)
Descrição: A irara tem corpo alongado, cabeça larga com orelhas pequenas e arredondadas, pescoço longo e o focinho é curto possuindo longas cerdas, como se fosse um bigode. Os membros traseiros e dianteiros são curtos com os pés e mãos tendo unhas grandes e fortes. Cauda longa. Os pêlos do corpo são curtos e grossos. Há muita variação quanto a coloração tratando-se de populações ocorrentes em áreas geográficas diferentes. De um modo geral, a cabeça e nuca são cinza-amarelados; na região do peito apresenta uma mancha branco-amarelada e o resto do corpo é mais escuro, com a cauda e extremidades dos membros, pretos. Atinge um comprimento total de 92 cm a 1,17 m. Pesa de 3 a 7 kg. Como o furão, também possui glândula odorífera que exala um cheiro muito desagradável. O filhote ao nascer é inteiramente preto; às vezes apresenta mancha esbranquiçada no peito.
Habitat: Animal típico de regiões florestadas (primárias e secundárias).
Reprodução: A maturidade sexual é atingida aos 2 anos de idade. O período de gestação varia entre 63 e 68 dias. Geralmente a fêmea tem de 2 a 4 filhotes por parto.
Distribuição Geográfica: Todo o Brasil. Encontrada também na ilha Trindade (costa do estado do Espírito Santo). Do sul do México até a Argentina; não ocorre no Chile e Uruguai.Observações: Apesar de ter hábitos diurnos e noturnos, são nas horas crepusculares que se encontra mais ativa. Alimenta-se de médios e pequenos animais, como roedores, marsupiais, aves e insetos. Come também ovos e frutas, apreciando a banana. Gosta muito de mel, fato este que faz receber o nome vulgar de “papa-mel”. O termo “irara” vem do tupi “irá = mel + rá = tomar”. Por atacar caixas de abelha e galinheiros é bastante perseguida. Corre e nada bem. Ao ser importunada, desloca-se por entre a vegetação, ou sobe nas árvores pulando de galho em galho por longas distâncias. Quase sempre solitária, mas pode andar aos pares ou em pequenos grupos familiares. Constrói ninhos em buracos de árvores ou procura abrigo em tocas de outros animais.

Foto: Arquivo pessoal
Aqui uma mostra da habilidade da Irara, num flagrante em cima de uma árvore em Angelina.

Fonte: Mamíferos de Santa Catarina - Ana Verônica Cimardi.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Conhecendo as Lontras


Existem 13 espécies de lontras distribuídas em quase todos os continentes, exceto Austrália e Antártica. No Brasil ocorrem duas espécies: a que é conhecida como lontra (Lontra longicaudis) e a que é conhecida como ariranha (Pteronura brasiliensis).
Ainda há presença da lontra (Lontra longicaudis) em Santa Catarina, devido a ser um animal extremamente silencioso e não andar em grupos, ao contrário dos hábitos da ariranha.
A lontra é um majestoso animal que embeleza a paisagem ribeirinha, tendo infelizmente seu ecossistema cada vez mais reduzido pelo desmatamento, poluição dos rios e a conseqüente supressão do seu habitat.
Freqüenta rios, riachos, lagos e lagoas, de preferência onde existe vegetação marginal. Pode ser encontrada em estuários, manguezais e ambiente marinho. Passa boa parte do tempo dentro d'água. Vem para áreas secas para comer, dormir e reproduzir.
Mede de 89cm a 1,30m e pesa de 5 a 14kg. O macho é maior que a fêmea, sendo seu corpo alongado e as pernas curtas. Tem coloração geral marrom-pardacenta, quase preta e bastante brilhante quando molhada. O lado ventral, como também o focinho e a bochecha apresentam-se amarelados. São duas camadas de pêlos: a interna que é densa e macia e a externa formada por pêlos longos e ásperos. Possui também a presença de membranas interdigitais nas patas, caudas longas revestidas de pêlos e um pouco achatadas nas extremidades, facilitando a natação. O focinho não possui pêlos na ponta e tem grandes vibrissas (pêlos que crescem nas fossas nasais) que auxiliam na localização da presa embaixo d'água.
Uma importante variedade de espécies constitui sua alimentação: peixes, anfíbios, raízes de árvores, caranguejos e aves aquáticas. Além disso, regulam a população dos peixes, sendo essencial ao equilíbrio do ecossistema. Existem estudos que apontam que as lontras são animais oportunistas, ou seja, se alimentam principalmente daqueles indivíduos mais fáceis de serem capturados, alimentando-se dos animais mais fracos e doentes, impedindo que a enfermidade se espalhe para os demais.




Seus sentidos são muito aguçados, sendo que vêem e ouvem muito bem. Têm dentes muito fortes e afiados que servem para apanhar e cortar a carne de peixes e outros animais de que se alimenta.
Está apta para acasalar com 2 ou 3 anos de vida. Na época de reprodução, o casal passa a cavar uma toca nas barrancas dos cursos d'água. Os filhotes que nascem de 1 a 5, depois de um período de gestação de 60 a 65 dias; por um certo tempo são amamentados pela mãe, que passa a trazer mais tarde pequenos peixes até que consigam se alimentar por conta própria. Durante a reprodução o casal passa a fazer brincadeiras copulatórias, emitindo gritos característicos. Os filhotes quando assustados, também produzem um som muito fino parecido com um "choro de criança". Os filhotes e juvenis podem apresentar coloração um pouco diferente dos adultos.
Possui hábitos noturnos, ocasionalmente é observada ao entardecer, sendo este aspecto, somado a sua característica silenciosa, uma das causas de sua sobrevivência. Há muitos conflitos com caçadores que a procuram por causa do seu pelame que tem valor comercial ou para simples troféu de caça. Sofre também perseguição de pescadores sendo acusada de rasgar as redes de pesca e também de invadir os açudes.
Por esses fatores a lontra encontra-se ameaçada de extinção, justamente pela degradação de seu ambiente natural.
Esta espécie é ainda pouco estudada sendo a Educação Ambiental um importante instrumento e uma prioridade para a convivência do ser humano com o futuro desta importante espécie.
Vê-las é um privilégio reservado a muito pouca gente, sendo que é preciso buscar um local do rio onde haja resquícios de sua presença (restos de alimentos, como peixes e caranguejos, excrementos, tocas) e acomodar-se por no mínimo 1 hora, em silêncio e de forma discreta. Com sorte poderá ser visto uma Lontra ou mais, como já observamos na RPPN Rio das Lontras casais brincando na água e mesmo em estradas próximas a rios. A lontra é um indicativo de excelente saúde de um rio.


Assista, é impossível não se encantar com o vídeo:
http://br.youtube.com/watch?v=Gzbj8miA6PY

Escute o som das Lontras: http://www.bigwood.pwp.blueyonder.co.uk/media/sounds/WAVS/animals/OTTER.WAV

Fontes:
*A vida nos rios Galegos;
*Mamíferos de Santa Catarina/Ana Cimardi;

*Projeto Ecolontras/Ecoaprendi.

domingo, 8 de julho de 2007

Veja no Pitacos da Lontra:

* O relatório de captura do filhote de Puma em Santa Catarina;
* Os lindos e impactantes vídeos da SOS Mata Atlântica;
* Entrevistas com:

Mario Mantovani - Diretor de mobilização da SOS Mata Atlântica;

Analúcia Hartmann - Procuradora da República em Santa Catarina;

Ana Cimardi - Coordenadora do Projeto de Acordo Bilateral Brasil/Alemanha e Diretoria de Proteção dos Ecossistemas da Fundação Estadual de Meio Ambiente.

Acesse: http://pitacosdalontra.blogspot.com/

terça-feira, 3 de julho de 2007

Impressões da natureza

Pela expressão das corujinhas elas devem ter ficado um bocado curiosas com a movimentação na entrada do confortável ninho dentro do tronco.


Corujas-de-Igreja (Tyto alba) - Ninho dentro de um tronco.

Habita paisagens abertas, campos agrícolas, áreas urbanas. De hábito noturno, costuma ficar pousada em locais altos como torres de igrejas, marquises de edifícios e telhados. Faz ninhos nos forros das casas e telhados de edifícios. A espécie parece explorar com facilidade os ambientes criados pelo homem. A presença da espécie nas fazendas e nas áreas urbanas é de grande utilidade, devido esta caçar com freqüência ratos.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

BIG BROTHER ANIMAL

Mecanismo relativamente simples. Equipamento robusto, agüenta chuva, mudanças de temperatura e trancos. Design discreto. E faz o serviço de maneira competente. É um "brinquedinho" dos mais interessantes. Uma ferramenta fundamental para pesquisas da fauna: Uma armadilha fotográfica!

Certamente o preço não ajuda muito. Uma câmera digital, que facilita muito a operação, não sai por menos de R$ 1500,00. Mas vale a pena, os flagrantes clicados com o sensor de movimento produzem imagens de animais em seu estado mais natural, tranqüilos, no seu dia-a-dia de tal forma que seria quase impossível conseguir resultado igual com a câmera em punho.

Pode-se usar alimentos para atração dos animais ou simplesmente tentar a sorte de passar um quati, uma irara ou com um pouco de sorte uma onça-parda. Possibilita e facilita muito as pesquisas de campo e o levantamento da fauna de determinada região. Seja como for, infelizmente com o ritmo do desmatamento e da perda da biodiversidade, deverão tornar-se verdadeiros registros históricos, ou mesmo uma poderosa “arma” de conscientização e educação das gerações futuras.

Abaixo uma interessante seqüência feita na RPPN Rio das Lontras mostra uma verdadeira ceia feita por um gambá-de-orelha-preta (Didelphis marsupialis). 


*Clique na foto para melhor visualização.

Cheguei!

Uau! Fígado bovino fresquinho!

Que beleza!

Hummm! Sobrou mais um...

Vamos à sobremesa.

Uma banana vai bem!

Minha barriguinha tá cheia!

Limpando os dentes.

Vou para a noite!


Gambá-de-orelha-preta (Didelphis marsupialis)

Espécie comum em Santa Catarina, como também o gambá-de-orelha-branca. Eles podem ser encontrados ocupando o mesmo habitat.
Onívoro, alimenta-se praticamente de tudo que encontra: insetos, larvas, cobras, frutas, mas tem preferência por pequenos roedores. Animal solitário, sai para se alimentar durante a noite ou em horas crepusculares.
Pode, quando assustado, fingir-se de morto. Mas morre com muita frequência atacado por cães e nas estradas por ser muito lento quando no chão ficando praticamente sem enxergar e paralisado quando incidem as luzes dos carros sobre ele, logo, acaba sendo atropelado.
É excelente controlador de populações de roedores, cobras e insetos e ótimos dispersadores de espécies vegetais, pois alimentam-se de frutos e espalham as sementes.

Fonte: Mamíferos de Santa Catarina - Ana Verônica Cimardi.