Páginas

Mostrando postagens com marcador Economia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Economia. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

APOIO ÀS RPPNs

Governo de SP pagará R$ 4 mi a 12 reservas particulares
 
José Maria Tomazela | Agência Estado
 
 
 
A RPPN Fazenda Renópolis, com 92,5 hectares, de Santo Antonio do Pinhal, é uma das contempladas.
 
 
O governo estadual vai distribuir R$ 4 milhões para ajudar os proprietários de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) do Estado de São Paulo a conservar a diversidade biológica dessas áreas. A verba será destinada a doze RPPNs que passaram num processo de seleção e, juntas, somam 1,4 mil hectares. A relação foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta quarta-feira, 04. O rateio do recurso levará em conta a classificação da reserva, o tamanho da área e o projeto a ser executado. É a primeira vez que o Estado ajuda financeiramente as áreas de interesse ambiental nas mãos de particulares. Entre as reservas classificadas estão RPPNs estaduais, vinculadas à Fundação Florestal, e federais, sob a gestão do Instituto Chico Mendes (ICMbio). A melhor pontuada na classificação é a Fazenda Renópolis, com 92,5 hectares, em Santo Antonio do Pinhal, seguida pela reserva Rio dos Pilões, com 407 hectares, em Santa Isabel, e do Sítio Manacá, de 25 hectares, em Guaratinguetá. A quarta colocada, Pedra da Mina, em Queluz, é também a maior, com 632,8 hectares, e a de criação mais recente, preservando o ponto mais alto do Estado de São Paulo, na Serra da Mantiqueira.
 
De acordo com o assessor técnico da Secretaria do Meio Ambiente, Daniel Ramalho, o objetivo é estimular os donos das terras a conservar o patrimônio natural. "É uma contrapartida aos serviços ambientais que eles prestam ao Estado todo, conservando matas, rios, habitat de fauna, formações geológicas e cenários naturais incomuns." Cada unidade vai apresentar um plano de ação de acordo com as necessidades maiores da área. "Podem ser projetos de proteção contra invasores, controle de espécies indesejáveis, reprodução da fauna, enfim, propostas para melhorar as condições da reserva."
 
Os planos devem ser executados em cinco anos e os recursos serão liberados em parcelas anuais. O recurso, do Fundo Estadual de Prevenção e Controle da Poluição (Fecop), está reservado. Na primeira chamada, foram atendidas apenas as reservas de pessoas físicas - as outras são Fazenda Bela Aurora (Cruzeiro), Estância Jatobá (Jaguariúna), Toca da Paca (Guatapará), Meandros II (Ibiúna), Amadeu Botelho (Jaú), Meandros III (Ibiúna), Serra do Itatins (Iguape) e Águas Claras (São Luiz do Paraitinga). Num segundo momento, conforme Ramalho, serão incluídas as RPPNs mantidas por pessoas jurídicas. O Estado de São Paulo tem 72 RPPNs, sendo 40 do Instituto Chico Mendes e 32 da Fundação Florestal.
 
 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

JUDY McALLISTER

Faltam lideranças sustentáveis
 
Judy McAllister é escritora e especialista em sustentabilidade
 
 
por Lucas Toyama
 
Judy McAllister utiliza sua vasta experiência em assuntos relacionados à preservação do meio ambiente para afirmar categoricamente que o ser humano, a despeito de todo o blá-blá-blá que elaborou, ainda está muito aquém de fazer o que seria necessário para ser sustentável. Resultado disso é que as companhias, que “detêm um poder incrível para ditar tendências para a sociedade como um todo”, como ela mesma afirma, também fazem pouco, alimentando um círculo vicioso baseado na profusão de discurso e na carência de ações efetivas.
 
Canadense, ela se mudou em 1977 para a Escócia, quando se tornou membro da comunidade da Fundação Findhorn, da qual foi coordenadora geral por cinco anos. Lá, usou sua paixão por gente e natureza para estimular o desenvolvimento – pessoal e espiritual – dos membros da organização - uma comunidade, uma ecovila e um centro internacional de educação holística, cuja finalidade principal é despertar uma nova consciência no homem e criar um futuro mais positivo e sustentável.
 
Em recente passagem pelo Brasil, Judy conversou com o CanalRh e discorreu sobre suas visões em relação ao tema sustentabilidade, falou sobre a pouca atenção que o assunto ainda recebe e apontou um agente com grande força para reverter a situação: as empresas. Confira.
 
"A arrogância do homem em sua visão em relação à natureza é apavorante"
 
CanalRh - Quando despertou para a importância da preservação do planeta?
Judy McAllister: Eu sempre me interessei pela natureza. No final dos anos 70 visitei a Findhorn Foundation, da Escócia, e tomei consciência do instigante mundo natural. Daí foi um pulo para eu entender a condição do planeta e os efeitos das ações dos humanos sobre ele. Eu tenho tido oportunidade de viajar muito. Isso tem me permitido ver um extenso espectro dos mundos natural e humano, o que é bastante rico. Eu testemunhei o desaparecimento de habitats e vi criaturas magníficas em seus próprios ambientes. A escala e o escopo da degradação que nós humanos temos causado são assustadores para mim. A arrogância do homem em sua visão em relação à natureza é apavorante. Parece que a gente pensa que é isento das leis universais que regem o mundo natural. Mas nós não somos.
 
CanalRh - Por que veio ao Brasil?
Judy: Eu vim a primeira vez no final dos anos 90 para dar aulas num programa de treinamento de duas semanas. Eu me apaixonei pelas pessoas e pela natureza. Voltei em 2008 como assistente de Dorothy Maclean (escritora e educadora canadense e uma das fundadoras da Findhorn Foundation, na Escócia), quando ela veio lançar uma edição em português de um de seus livros. Desde então, voltei algumas vezes, por diversos motivos. Algumas de minhas atividades criaram raízes e se desenvolveram de forma que eu jamais poderia imaginar. Eu descobri que a vida tem formas de se revelar se eu simplesmente seguir os sinais. É bem isso o que acontece na minha relação com o Brasil.
 
"Acho que as companhias têm um papel vital. Elas detêm um poder incrível para ditar tendências para a sociedade"
 
CanalRh - Como funciona a Findhorn Foundation?
Judy: A Findhorn Foundation é uma instituição de caridade focada no trabalho educacional. Sua principal fonte de renda são workshops, seminários e conferências que acontecem o ano todo. Cerca de 125 pessoas de 40 países moram e trabalham na Fundação. Nós hospedamos, por ano, mais de 4 mil pessoas de aproximadamente 60 países, com milhares de outros visitantes que passam algumas horas ou dias com a gente. Ao redor da Fundação cresceu uma comunidade de pessoas que trabalham para si mesmas, em negócios pequenos e independentes. É um lugar inacreditavelmente diverso e dinâmico que está completando 50 anos.
 
CanalRh - Dinamismo, abundância de informação e desenvolvimento rápido da tecnologia são fatores que facilitam ou dificultam o pensamento sustentável?
Judy: As duas coisas. Esses fatores permitem que mais e mais pessoas se tornem conscientes da necessidade de ser sustentável em todos os níveis. A disponibilidade da informação e o fato de a tecnologia se tornar mais acessível tornam possível que pessoas vivam e trabalhem de maneira sustentável. Infelizmente, o exagero de informação leva a uma saturação que pode ser perigosa, sobretudo no que diz respeito ao excesso de possibilidades. Como a gente escolhe um caminho entre tantos? Para cada teoria há outra que a refuta de forma consistente. Como decidimos em quem acreditar? Isso tudo pode fazer com que as pessoas desistam e deleguem a questão para os “especialistas”.

CanalRh - Pegam um atalho mais fácil...
Judy: Muitas vezes, sim. Esse excesso de possibilidades leva as pessoas a fazerem escolhas mais confortáveis para elas e deixarem para trás outras tantas. No entanto, sustentabilidade é multidimensional. Ela envolve diversas áreas e precisa olhar para questões como comida, cultura, educação, trabalho, espiritualidade, recursos naturais, energia, gerenciamento de lixo, transporte, saúde, moradia. Não tem, portanto, como isolar um assunto.
 
CanalRh - Você acredita que as pessoas estão conscientes da importância de ser sustentável?
Judy: Não. As pessoas ainda não entenderam. Sustentabilidade se tornou uma palavra muito falada, mas pouco praticada. Ainda existe muita ignorância em relação à profundidade que o tema exige. Se as pessoas realmente têm acesso à informação, elas têm medo de agir ou negam a verdade de nossa coletividade, o que significa que a maioria prefere não enxergar a verdade das mudanças de clima, por exemplo, e dos níveis de crescimento não sustentáveis.
 
"O fato é simples: o planeta não é grande o suficiente para todos nós continuarmos vivendo da forma que vivemos"
 
 
CanalRh - Qual o principal erro das pessoas em relação à sustentabilidade?
Judy: Eu diria que são dois. O primeiro é o pensamento de que não podemos lidar com o assunto. O segundo é a ideia de que sustentabilidade, de alguma maneira, significa mudar para um estilo de vida que parece ser caduco. A gente peca em não entrar de vez no assunto. Sustentabilidade de fato significa uma simplificação de nosso estilo de vida – uma forma de viver com muito menos consumo, o que é bem diferente de viver com um padrão mais baixo. Hoje, muitas pessoas afirmam que querem a sustentabilidade, mas não querem, realmente, encarar as mudanças que ela exige. No mundo ocidental, torna-se muito desconfortável olhar para aquilo de que temos que abrir mão para ter uma vida sustentável. O fato é simples: o planeta não é grande o suficiente para todos nós continuarmos vivendo da forma que vivemos. Mas é grande o suficiente para todos nós, se vivermos de maneira mais inteligente, com mais consciência e menos desperdício.
 
CanalRh - Do que as pessoas precisam, afinal, para agir de maneira sustentável?
Judy: Comprometimento, dedicação e vontade de andar em direção a uma batida diferente da que se toca hoje. Isso exige o desejo de reduzir alguns excessos para se ter outros ganhos. Ser sustentável frequentemente pode ser mais caro e menos conveniente no curto prazo.
 
CanalRh - Por quê?
Judy: Porque exige mudanças e concessões.
 
CanalRh - O Brasil tem se tornado mais sustentável?
Judy: Não tenho muito conhecimento para afirmar, afinal não moro aqui. Todavia, eu tenho tido o privilégio de encontrar pessoas envolvidas com a questão da sustentabilidade e elas dizem que, se por um lado o País está fazendo progressos, por outro ele tem sido lento demais. Aqui você encontra recursos em abundância. As cores, a vibração, a diversidade e a autenticidade de muitas coisas que aqui se encontram me fazem rir e chorar. Eu imagino o potencial que o Brasil tem para tornar a sustentabilidade num conceito de larga escala. Os brasileiros poderiam ser os líderes em boas práticas e inovação – recursos para isso não faltam.
 
CanalRh - Quais as principais atribuições das empresas em questões ligadas à sustentabilidade?
Judy: Acho que as companhias têm um papel vital. Elas detêm um poder incrível para ditar tendências para a sociedade como um todo. Elas têm as estruturas e os recursos para promover mudanças e reeducar os corações e mentes que podem alimentar o comprometimento com a sustentabilidade.
 
CanalRh - Os projetos de sustentabilidade que muitas empresas criam são de fato funcionais ou ainda pertencem a uma esfera de marketing objetivando assegurar boas imagem e reputação?
Judy: Com o risco de me tornar impopular, eu acho que muitas iniciativas caem na segunda categoria. É claro que existem algumas companhias que estão genuinamente aprofundando a questão e fazendo mudanças que vão ao encontro da sustentabilidade. Ser sustentável exige que a gente olhe não apenas para algo específico, mas para um contexto. Se uma empresa fabrica produtos ou utiliza processos que são nocivos ao ar, à água ou ao solo, mas usa papel reciclado e tem um projeto de redução do consumo de energia, ela não é exatamente sustentável. Do outro lado da equação, há companhias que produzem produtos “eco-amigáveis” e que tampouco são sustentáveis. Nós precisamos olhar além dos produtos e avaliar suas cadeias de suprimentos e de distribuição, suas políticas de contratação e seus processos produtivos. Sustentabilidade não é simples, mas é essencial para o futuro do planeta.
 
CanalRh - Qual a importância das lideranças no mundo corporativo para pensamentos e ações sustentáveis?
Judy: Total. Se os líderes das empresas colocassem a sustentabilidade no maior senso de prioridade em seus planejamentos estratégicos, o progresso em relação ao tema como um todo se moveria a uma velocidade jamais vista. Contudo, para fazer isso, seria necessário deixar para trás alguns dos alvos mais estimados pelo universo corporativo: renunciar ao resultado financeiro a qualquer custo, aceitar reduzir as margens, repensar formas de produção, estabelecer novos critérios para a seleção de matéria prima, diminuir os bônus daqueles que estão no topo. O mundo corporativo ainda não abraçou completamente o triplo bottom line, o que me leva a crer que a sustentabilidade genuína vai demorar um tempo para ter o espaço que realmente deveria.
 
CanalRh - Se pudéssemos falar em uma liderança sustentável qual seriam suas características e responsabilidades?
Judy: Com todo o respeito, acredito que essa questão é parte do problema. Ela reflete a tendência de adicionar a palavra “sustentabilidade” a outra palavra ou termo de forma que nos faça acreditar que temos algo totalmente novo à nossa frente. Eu tenho alguns pensamentos sobre os modelos de lideranças que existem e as marcas pelos quais são reconhecidos. Para mim, liderança não é algo que você faz, mas uma postura que você tem dentro de você e que envolve um senso de responsabilidade pessoal. Liderança é essencialmente um ato de serviço. Esse tipo de liderança não é baseado no que você sabe sobre as ideias do outro, mas na sua habilidade de gerar ideias e respostas para situações que os seus recursos não permitem. Portanto, está mais relacionado ao quão bem você se conhece.

Fonte: CanalRh


terça-feira, 30 de outubro de 2012

‘É o fim da economia como a conhecemos’, diz Paul Gilding

Para ambientalista, países emergentes podem criar um modelo de desenvolvimento sem sacrificar o planeta
 
Por Simone Barreto / Jornal O Globo
 
 
Paul Gilding, autor do livro “A Grande Ruptura" (Agência O Globo / Divulgação)

 
LONDRES - Paul Gilding, o autor do livro “A Grande Ruptura”, provoca discussões em todo o mundo quando afirma que chegamos ao fim da trilha do crescimento econômico. No entanto, ele não se vê como um profeta do apocalipse. Muito pelo contrário, o ambientalista é um otimista que acredita no poder de reação da Humanidade: “Podemos ser lentos, mas não somos estúpidos”.

Gilding é um veterano ambientalista, que foi chefe do Greenpeace Internacional, e hoje é consultor de sustentabilidade e professor associado ao Programa de Sustentabilidade da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Aos 52 anos, Gilding vive numa fazenda, na Tasmânia, ilha ao sul da Austrália, com a mulher e dois de seus cinco filhos. Durante suas férias no verão australiano, Gilding falou ao GLOBO sobre o fim da economia como a conhecemos hoje.

O GLOBO: O senhor diz em seu livro que a busca por lucro e crescimento econômico chegou ao limite. A que se refere a grande ruptura do título?

PAUL GILDING: A grande ruptura é o fim da economia como a conhecemos, do consumismo desenfreado, de um estilo de vida e de um crescimento econômico que não medem o impacto nos recursos finitos do planeta.

O que podemos fazer individualmente para ajudar a retardar esse processo?

GILDING: O mais importante a fazer é aprender como podemos melhorar a qualidade de nossas vidas. No mundo moderno, estamos focados em fazer mais dinheiro, consumir mais bens materiais, ter casas maiores e por aí afora. Significa que temos mais custos, que temos de trabalhar mais para pagar um custo cada vez maior e definitivamente não é assim que melhoramos nossa qualidade de vida... Precisamos aprender a viver com menos, para termos mais tempo de fazer o que nos deixa realmente felizes. Coisas simples como viver em comunidade, ficar com a família e os amigos.

O mundo está passando por uma mudança bastante importante: enquanto os países ricos estão afundados numa enorme crise financeira, os emergentes estão indo às compras. Mas precisam zerar uma dívida social enorme, o que significa mais gente consumindo, mais gente comendo, mais gente gastando dinheiro. Como fechar essa conta?

GILDING: Eu acho que temos diferentes abordagens para diferentes países. Os ricos terão de fazer uma dramática redução nos gastos e no consumo. Primeiro, porque está muito claro que nosso planeta não sustenta esse ritmo de crescimento econômico; e segundo, porque também está claro que dessa forma não vamos melhorar a qualidade de vida dos cidadãos desses países. Mas é diferente quando falamos de pessoas vivendo em países em desenvolvimento. É como se o mundo tivesse de abrir espaço para o crescimento. E, na verdade, os países em desenvolvimento estão presos numa armadilha dos ricos, que resolvem tudo com o crescimento econômico. A verdade é que movimentos como Ocupem Wall Street nos mostram que o crescimento econômico não entrega sempre uma integridade social; ao contrário, pode criar mais conflitos e divisões na sociedade. Nós temos de criar um novo modelo de progresso, que permita o desenvolvimento sem sacrificar os processos e o planeta. E países como o Brasil, por exemplo, têm neste momento uma grande oportunidade de fazer diferente, de tentar novos meios de governar uma sociedade em equilíbrio com o mercado.

Para especialista, década terá crise grave

De quantos planetas Terra precisaríamos para sustentar a taxa de crescimento atual?

PAUL GILDING: Precisaríamos de dois planetas Terra em 2030 para sustentar o crescimento de hoje. Três ou quatro em 2050. É impossível manter este ritmo porque temos uma só. Estamos destruindo a infraestrutura sobre a qual a economia foi construída. Quanto mais danificamos a terra, os oceanos, menos o planeta poderá suportar.

O senhor já disse que acredita numa mobilização da sociedade para as mudanças que estão por vir. Estamos acelerando o passo dessa mobilização?

GILDING: Em geral, não estamos realmente mobilizados. Ainda. Mas vejo que, desde que comecei a palestrar sobre a grande ruptura de que falo no livro, há uma aceitação maior ao fato de que precisamos discutir uma nova abordagem. Tanto que hoje muitos experts adotaram a ideia e falam sobre o equilíbrio que deve haver entre o crescimento econômico e o balanço social.

O senhor é um otimista?

GILDING: Sim! Eu sou um otimista incomum. Acho que o mundo vai ficar muito instável, que vai sofrer uma crise complexa, com muitos conflitos e um grande rompimento econômico. Mas nossa sociedade reage bem às crises. Então, apesar de muitas pessoas me acharem um pessimista quando digo que essa crise é inevitável, eu discordo. Sou otimista sobre o potencial de resposta da Humanidade a momentos como este, e a sua capacidade de fazer mudanças, e muito rápidas. Basta olhar o exemplo da Segunda Guerra Mundial e de como os ingleses reagiram numa situação limite. Nós somos realmente bons, extraordinários numa crise, temos grande capacidade de transformação e mobilização. Essa reação é universal.

Quando o senhor espera que deva acontecer essa grande parada da economia?

GILDING: Nesta década. Não estamos mais falando de longo prazo, para os filhos de nossos filhos. Vai acontecer logo, pois, quando algo é insustentável, eventualmente para. Também acredito que durará bastante, porque teremos exaustão de recursos e vejo o fornecimento de comida como uma das questões de maior importância.

Segundo as projeções atuais, vamos chegar a 2050 com nove bilhões de pessoas no planeta que precisarão de comida.


GILDING: Não é com a quantidade de pessoas vivendo, mas com o estilo de vida delas que temos que nos preocupar. É possível termos nove bilhões de pessoas e alimentá-las. Na Índia, as emissões de carbono estão em duas toneladas per capita, enquanto nos Estados Unidos vemos 26 toneladas per capita. Só não será possível se vivermos como hoje nos países ricos, sem pensarmos no desperdício e em como conduzimos nosso consumo.

O que o senhor ensina para seus filhos sobre o futuro do planeta?

GILDING: Você não quer que as crianças fiquem preocupadas com o futuro. Mas eu procuro ensinar as coisas em que acredito. Eu tenho cinco filhos, quero que eles sejam felizes. Eu tento ensinar como viver bem sem precisar de muito. Quero que eles saibam como é possível ter uma boa vida num mundo de nove bilhões de pessoas.


Clique AQUI para assistir uma excelente entrevista concedida ao jornalista Jorge Pontual no último programa 'Milênio', da Globo News.
 
 

sábado, 4 de junho de 2011

O VALOR DA FLORESTA

Floresta em pé vale mais do que soja

Pesquisa converte para valores monetários todos os benefícios gerados por áreas de mata nativa

Tânia Rabello - O Estado de S. Paulo

Quanto vale uma floresta em pé? Pode ser mais preciosa do que uma lavoura de soja. Bem diferente do que argumenta o deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP), ao defender a aprovação do Código Florestal, pequenos agricultores só teriam a ganhar, em termos econômicos, se destinassem 20% da propriedade à reserva legal.

É o que prova a dissertação de mestrado “Valoração Ecológica de Áreas de Preservação Permanente”, do biólogo Thiago Junqueira Roncon, estudante de mestrado em Agroecologia e Desenvolvimento Rural do Centro de Ciências Agrárias da UFSCar/Araras, sob orientação dos professores-doutores Paulo Roberto Beskow, da UFSCar/Araras, e Enrique Ortega, do Laboratório de Engenharia Ecológica da Unicamp. “Encarei o desafio de medir o trabalho da natureza e os serviços ambientais que ela presta e o quanto isso representa em valor monetário, mudando o paradigma de que manter floresta significa prejuízo”, diz. Entre os números levantados, está, por exemplo, o valor de 1 hectare de Mata Atlântica com 75 anos de idade: R$ 150 mil. “Isso só contabilizando o valor da madeira das árvores”, diz. “Se incluirmos os serviços ambientais, adicionam-se R$ 4.011,60/hectare/ano.”

Serviços ambientais 
Isso não quer dizer que toda área agricultável deveria ser convertida em floresta. Roncon espera, porém, que os resultados sirvam para orientar políticas públicas, sobretudo no que diz respeito ao Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e também em relação ao uso e ocupação do solo. Sobre os PSA, o estudo pode ser ponto de partida para calcular e pagar valores mais justos a quem preserva ou recupera matas. “O pagamento com base no real valor da floresta seria um estímulo à preservação.”

Calcula-se que, desde 2007, no máximo mil produtores rurais já tenham recebido dinheiro de programas de PSA no País, explica o agrônomo Fernando Veiga, da ONG The Nature Conservancy. Os valores, porém, ficam na média de R$ 80 a R$ 200 por hectare/ano, conforme Veiga, e não levam em conta o total dos benefícios prestados pela floresta, valorados e calculados agora por Roncon.
Entre eles, discrimina o biólogo, estão produção e conservação de estoques de água potável, regulação do clima, controle de erosão, polinização, controle biológico, aumento da produtividade e fertilidade e estoque de carbono e energia. Inverta-se a lógica para pensar quanto se gasta com tratamento de água e de doenças decorrentes de sua contaminação, desastres climáticos, baixa produtividade por falta de polinização, erosão, defensivos, efeito estufa e assoreamento de rios.

Os trabalhos de campo foram feitos em duas áreas com fragmentos florestais no Estado de São Paulo: o Sítio Duas Cachoeiras, de Amparo (SP), nos quais foram pesquisados 7,7 hectares em diferentes estágios de desenvolvimento, de 7 a 25 anos, e a Fazenda das Palmeiras, em Itapira (SP), que preserva há 200 anos uma floresta de 64,1 hectares.

Foi por meio da avaliação emergética (veja abaixo) que Roncon identificou, quantificou e valorou serviços ambientais prestados por estes fragmentos florestais de Mata Atlântica. Ali, ele trabalhou com 55 variáveis, como sol, chuva, vento, água, biomassa, matéria orgânica, elementos químicos, estrutura do solo, escoamento de água, água percolada (filtrada pelo solo), afloramento de água e erosão e outros. Levando-se em conta as variáveis, e convertendo-as para valores emergéticos, o mestrando chegou àquele número de R$ 150 mil, só em relação às árvores. “E, para tornar o PSA mais viável economicamente, converti depois os valores referentes apenas aos serviços ambientais da análise emergética em valores de mercado de créditos de carbono, que poderiam ser comercializados pelo proprietário de florestas”, finaliza.

Clique na imagem para melhor visualização.


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O LIVRO MAIS CARO DO MUNDO

Livro "mais caro do mundo" é posto à venda em Londres; veja




Uma cópia rara do que já está sendo considerado o livro mais caro do mundo foi posta a leilão em Londres. "Aves da América", do ambientalista John James Audubon, é um dos principais livros de história natural do século 19. O exemplar que vai a leilão na Sotheby's, em Londres, está sendo avaliado entre quatro e seis milhões de libras esterlinas - entre R$ 11 milhões e R$ 16 milhões.



Apenas duzentos foram produzidos pelo autor. Dos que ainda existem, só 11 estão nas mãos de particulares. O diretor de livros e manuscritos da casa de leilões, David Goldthorpe, disse à BBC que a obra "combina raridade, beleza e importância científica".

Audubon fez questão de que os desenhos das aves fossem em tamanho real, ele afirmou.

Segundo Leslie Overstreet, curadora de livros raros de história natural do instituto Smithsonian, de Washington, a obra caiu no gosto popular assim que veio a público, mas foi duramente criticado pela comunidade científica da época. É que muitas ilustrações foram feitas por artistas a partir de aves mortas, e nem sempre condizem com o tipo de movimento típico das aves, ela contou.

Uma das mais criticadas mostra uma serpente atacando, de forma dramática, um ninho de pássaros. Para a curadora, o desenho é uma obra de arte no papel, mas vai contra "todas as regras" do ponto de vista científico.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

EXTINÇÃO DE ESPÉCIES É MAU NEGÓCIO

Extinção de espécies afeta a economia, dizem especialistas

Vive-se pior crise de perda da biodiversidade desde fim dos dinossauros.
Vários setores econômicos dependem de plantas e animais.

Da Reuters

A perda de espécies animais e vegetais são cada vez mais uma ameaça econômica, e o mundo precisa de novas metas para a preservação da natureza depois de fracassar no cumprimento de uma meta da ONU para a redução das extinções até 2010, disseram especialistas na sexta-feira.

A perda da biodiversidade "tem consequências cada vez mais perigosas para o bem estar humano, até mesmo para a sobrevivência das novas espécies", disse um sumário de uma conferência de 90 países realizada com apoio da ONU durante esta semana na Noruega.

Tigre é um dos animais que quase só existi em zoológicos. Na natureza existem apenas 3.500 indivíduos, dizem especialistas. (Foto: Tambako The Jaguar/Flickr)

A ONU diz que o mundo está enfrentando sua pior crise de extinções desde a desaparição dos dinossauros, há 65 milhões de anos. As causas estão relacionadas ao aumento da população humana - o que pode se refletir na emissão de gases do efeito estufa, na destruição de corais tropicais ou na derrubada da Amazônia.

"Muitos mais setores econômicos do que percebemos dependem da biodiversidade", disseram os presidentes da conferência em seu sumário.

Finn Kateraas, um dos copresidentes do evento, disse à Reuters que "existe uma oportunidade econômica" por trás disso, e que a proteção das espécies pode ajudar a salvaguardar o crescimento econômico de longo prazo.

As conclusões dos especialistas ajudarão a embasar as discussões numa conferência da ONU sobre a biodiversidade em outubro no Japão.

Em 2002, uma cúpula da ONU propôs uma "redução significativa do atual ritmo da perda de diversidade biológica" até 2010, o que a ONU diz não ter ocorrido.

"Uma ação urgente é necessária para tratar da perda da biodiversidade, especialmente para evitar pontos (...) após os quais os danos podem ser inevitáveis."

Johan Rockstrom, diretor do Centro da Resiliência de Estocolmo, disse que as atividades humanas elevaram o ritmo das extinções entre cem e mil vezes acima da taxa-base na história da Terra.