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quarta-feira, 18 de julho de 2007

As cidades da RPPN Rio das Lontras

Cachoeira na RPPN Rio das Lontras, que fica na divisa entre as cidades de São Pedro de Alcântara e Águas Mornas.

Quando resolvemos vender nossa casa em Floripa e adquirirmos um pedaço de Mata Atlântica para preservarmos veio a pergunta: Onde?
E começamos a trabalhar uma equação muitas vezes difícil de se fechar: O local deveria ser o mais isento possível das ações humanas e ao mesmo tempo próximo de uma cidade base para morarmos. Visitamos alguns lugares em busca de áreas com boa condutividade de florestas e que ainda tivesse uma pequena cidade com a infraestrutura necessária para vivermos: escola para a Fernanda, comércio básico, telefone, internet, segurança, tranqüilidade, enfim, qualidade de vida. Conhecemos locais muito lindos, nada mais longe do que 100 km de Florianópolis: Anitápolis, Rancho Queimado, Santo Amaro da Imperatriz, Antonio Carlos... E um dia soubemos de um terreno na divisa entre São Pedro de Alcântara e Águas Mornas, informaram "muito bom de água e mata", mas "muito longe"! Fechamos negócio no mesmo dia que conhecemos a área. Nem bem tínhamos chegado no local e nem foi preciso falar nada, ao nos olharmos sabíamos a resposta: "É aqui!".

Mapa mostra a região da Grande Florianópolis. Em verde a RPPN Rio das Lontras.

Imagem do Google Earth mostra a boa condutividade de florestas. No centro a RPPN Rio das Lontras e as cidades de São Pedro de Alcântara, Águas Mornas e Angelina.

São Pedro de Alcântara:

É conhecida como a "Primeira Colônia Alemã de Santa Catarina". Distante 31 km da Capital Florianópolis, tem população de 3700 pessoas, é uma cidade bucólica, de relevo acidentado nos seus 140,6 Km² e com mais de 68% de sua área em cobertura arbórea. Seu clima é o mesotérmico úmido, com temperatura média entre 15°C e 25°C.
Turismo: A cidade tem na exuberância da sua vegetação, na topografia acidentada, nas colinas, cachoeiras e cascatas seus maiores atrativos turísticos. Visite os engenhos de cachaça e de farinha movidos por roda d'água, as cascatas e as comunidades rurais. No centro da cidade, a Igreja Matriz, inaugurada em 1930, durante as festividades do centenário da cidade, é uma construção suntuosa e arrojada, com linhas arquitetônicas ecléticas. Conheça também os casarões dos tempos coloniais e o templo de Santa Bárbara. Destaque para as cachoeiras da Invernada, Altona, Varginha e do Salto.
Natureza: Extremamente bucólica e situada numa região de grande beleza natural, é uma excelente opção para os observadores de pássaros, apreciadores de orquídeas, de bromélias e de outras espécies vegetais. A grande dica é passear pelas estradinhas rurais e observar os campos, as cachoeiras, os riachos e as casas dos colonos, sempre bem-cuidadas e ajardinadas.
Festas populares: São Pedro de Alcântara realiza diversas festas ao longo do ano. Destaque para a Festa do Colono e do Motorista, no mês de julho; a Festa do Recheio e do Padroeiro, em outubro; a Festa na Comunidade Rural do Barro Branco, no primeiro domingo de maio, e a Festa na Comunidade Rural de Santa Filomena, no segundo domingo de agosto.
Infra-estrutura turística: Não existe hotéis na zona urbana, mas há algumas propriedades rurais que exploram o turismo rural.


Águas Mornas:

Águas Mornas começou a ser colonizada em 1847, por colonos alemães que aportaram na Ilha de Nossa Senhora do Desterro. Os 164 imigrantes católicos e evangélicos instalaram-se na Colônia Santa Isabel, na área ocupada hoje pelos municípios de Águas Mornas e de Rancho Queimado (conhecida como "capital nacional do morango") e encontraram grande dificuldade em trabalhar nos solos pouco férteis. Além disso, surtos de malária dizimaram boa parte da população. Apesar das dificuldades, a colonização avançou e a cidade se transformou numa das mais famosas estâncias hidrominerais do mundo – atrás apenas de Vichy e Aux-Les Thermes, na França.
Turismo: Como a própria denominação indica, o nome “Águas Mornas” vem das águas termais abundantes no lugar. A cidade tem seu desenvolvimento estruturado no turismo de saúde, recebendo anualmente milhares de visitantes de todos os pontos do Brasil, que vêm em busca da qualidade terapêutica de suas águas.
Águas Termais: As águas do município são classificadas como esotermais radioativas. Com temperatura constante em torno de 39ºC, as águas emergem de terrenos pré-cambrianos e, pelo teor de radioatividade, termalidade e baixa mineralização, apresentam propriedades curativas que as qualificam entre as melhores do mundo.
Natureza: Situada na encosta da Serra do Tabuleiro, a localidade de Rio dos Porcos, a 900m de altitude, é o ambiente ideal para turismo de aventura, com uma estrada sinuosa e íngreme, de difícil acesso. Vale também visitar o Recanto da Garganta – um sítio em plena Mata Atlântica, na localidade de Rio Novo, a 30km do centro –, a Wasserplatz, uma queda d’água situada na Fazenda Sacramento, a 05km da cidade – e o Salto do Rio Vermelho, um passeio ecológico com belíssimas cascatas, ao pé da Serra do Tabuleiro, a 07km do centro.
Patrimônio Histórico: Águas Mornas tem sua História preservada em três colônias alemãs – Vargem Grande, Santa Isabel e Teresópolis –, que mantêm construções remanescentes da época da colonização.
Cultura: Conheça a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, na localidade de Vargem Grande, às margens da BR-282, a 05km do centro de Águas Mornas. Também vale experimentar os produtos caseiros e coloniais fabricados na cidade: doces, geléias, embutidos, conservas...
Infra-estrutura turística: Pequeno, mas bem estruturado, o perímetro urbano da cidade está preparado para receber o grande número de turistas que chega em busca de alívio para seus problemas de saúde nas águas mornas da cidade.
Destaque: As águas termais de Águas Mornas são classificadas entre as melhores do mundo, perdendo apenas para as de Vichy e Aux-Les Thermes, na França. Elas jorram, à temperatura de 39ºC, em diversos pontos da cidade.

Fonte: Governo do Estado de Santa Catarina.

Imagem do Google Earth mostra onde moramos em Angelina e uma linha virtual aponta até a RPPN Rio das Lontras. Ao fundo a Ilha de Santa Catarina: Floripa.

Lendas que povoam o imaginário:

Duas lendas interessantes contadas pelos colonos da região são preservadas de forma oral e possuem características didáticas: Uma delas é contada insistentemente para as crianças, a triste história de uma moça que foi atravessar o rio e num trágico descuido levou um escorregão e acabou morrendo nas cachoeiras, sendo encontrada somente dias e dias após o acidente. Há, até hoje, quem jure ter visto uma loira de vestido branco nas margens do rio. E assim, contando esse causo, eles evitam que os pequenos brinquem em locais perigosos.
A outra tradição popular trata da divisa entre os terrenos, na sua maioria demarcados com pequenas pedras em limites centenários e muito bem respeitados. E não é por menos: Reza a lenda que quem ousar mudar uma pedra de seu devido local, será atormentado pela alma dos antigos moradores que fizeram o trabalho. E com isso, ninguém brinca!